Tuesday, July 20, 2010

Apeteceu-me.

É verão, os dias vão grandes e soalheiros, mesmo que nasçam farruscos. É tempo de dar descanso ao corpo e à alma. É tempo de ler e de apanhar uma depressão de leitura porque tudo o que se lê é negativo. Porque se fala de crise, e porque temos os incompetentes do costume a arengar na praça as soluções miraculosas para o problema que eles mesmos criaram, deixaram criar ou apadrinharam. Condenadas ao fracasso mesmo antes de nascerem naquelas meninges imbecís.
Não, recuso-me. 
Tem que poder ser de outro modo.
Temos que conseguir ir às raízes. Perceber porque é que apareceu o dinheiro. Porque razão o "plastificámos". Porque é que criámos um sistema Judicial, um sistema de Saúde e um sistema Educativo. Temos que olhar com frontalidade para a realidade: a falência não é dos modelos em si, é da preversidade da utilização que lhes damos. Um Estado não se justifica de per si se não for baseado num modelo de cidadania. Um Estado é um árbitro e garante imparcial da aplicação da Justiça, penal ou social. Um Estado tem que ser garante da sua autonomia e integridade - territorial, social, militar e económica. 
Tenho para mim - sem perceber nada do assunto - que a economia não é o objectivo último de coisa nenhuma a não ser da avidez, e os modelos construídos no Sec. XX provaram-no à exaustão. A economia nunca conseguirá ser uma jaula de contenção. Não é fechada, não é hermética, não é exacta e nem nunca o será. E não é condicionante em absoluto. É apenas uma ferramenta de que alguns se podem socorrer em proveito próprio, mas nunca para sempre. Porque um acordo só tem valor enquanto favorecer ambas as partes, razão única para ser cumprido por ambas as partes. Porque o dinheiro só tem o valor que tem enquanto todos lhe atribuirmos esse valor. Porque aquilo de que precisamos não é do dinheiro, é das coisas que o dinheiro pode comprar - e se as pudermos comprar com coisas que não o dinheiro, se este se tornar demasiado "hostil", encontraremos uma maneira de o fazer. Inventaremos uma maneira de o fazer. Se necessário à margem de uma sociedade que já não nos representa - se for necessário, inventaremos uma, novinha em folha - mesmo que decalcada de uma qualquer que já tenha existido. Somos Homens, somos criativos, é a nossa mais-valia no caminho da evolução. Contra nós próprios, contra o status-quo que ajudámos a instituir, se isso nos for favorável. O único factor condicionante numa sociedade humana é a vontade dos Homens que a compõem. E quem se esquecer desta pequena e simples lição da História está condenado a ser recordado no lado errado dessa mesma História.

2 comments:

ka said...

livra que estás inspirado!!! :D

Niagara Et Al said...

:D
Um bocadinho só ;)