Thursday, July 1, 2010

Modernices.



Ontem tive a oportunidade soberana de pôr a vista em cima (pela primeira vez na minha vida) de um Relatório de Certificação Energética de Edifícios e Qualidade do Ar Interior. De espírito aberto, parecia-me uma coisa séria (efectivamente o assunto é sério sim). E, como de costume, não fiquei decepcionado.
Começa a coisa por não haver uma base de dados com todos os equipamentos no mercado (nem todos os das marcas mais utilizadas, digo eu). O que “obriga” a utilizar modelos de referência. E a minha pergunta, desde logo, é qual o critério da utilização de um ou outro modelo de referencia? Não é indicado. Demasiado vago para ser sério, começa logo mal.
Avança ainda o relatório para uma série de considerações bastante questionáveis acerca da qualidade da construção, sempre baseado em pressupostos vagamente ambíguos, e segue em queda livre directamente para as considerações finais e aconselhamento. E aqui é que se percebe efectivamente que aquilo não é sério nem é para ser levado a sério. A sugestão da aquisição de um equipamento com determinadas características só não vai ao detalhe de aconselhar marca e modelo, eventualmente por falso pudor, e quando leio que, se comprar o equipamento aconselhado terei uma redução de 2487,22€ (sim, dois mil quatrocentos e oitenta e sete euros E VINTE E DOIS CÊNTIMOS) na factura energética anual deu-me vontade de me atirar do penhasco. Pelos santos, eles sabem o que eu consigo poupar ao cêntimo, o que estes cretinos não sabem é que eu NUNCA gastei dois mil quatrocentos e oitenta e sete euros E vinte e dois cêntimos num ano em energia fosse em que casa fosse. Para além disso, qualquer aluno no primeiro ano de engenharia de faculdade de vão-de-escada sabe que valores estimados nunca se acertam abaixo dos limites da tolerância.
Agora fica-me a pergunta: se não é sério, serve para o quê?


1 comment:

Margarida said...

para nos roubar mais, sacanas!