Monday, September 20, 2010

10 milhões de gajos errados.

Parece que agora se chama "xenofobia", mas vá. A questão que vejo levantada por sérias e insuspeitas pessoas (e também por pesssoas menos sérias e bastante menos insuspeitas) é se os Portugueses são ou não racistas. Claro que a celeuma veio como azeite à tona de água no arrasto da expulsão dos ciganos de França, mas diria que pelo menos deveríamos pensar um pouco no assunto. A dúvida merece algum crédito.
O Português é óbviamente racista. O Português branco é racista, o Português preto é racista, o Português amarelo é racista, o Português assim-assim é racista. Todos os Portugueses são racistas, e não vale dizer que não, porque é verdade. Mas são-no a um grau perfeitamente aceitável em 99% dos casos. Contamos anedotas de pretos como as contamos de alentejanos, tal como a malta do norte as conta dos alfacinhas e vice-versa. O Português típico é mais ferrenho do clube do que da nacionalidade, e muito mais disso do que de qualquer conceito de "raça". E acabamos todos por ser muito dos "nossos". Do género: "o Carlos é o lagarto mais benfiquista que conheço" ou "para mim o Alberto não é preto". Claro que estas frases simples encerram em si todo um enredado de princípios de exclusão, na mesma exacta medida em que encerram o mesmo princípio de inclusão. Somos sempre "nós" e são sempre os "outros". Mas o que isto revela é simples: para o Português (médio) a teoria dos grupóides é definida com base em critérios elásticos. Baseados no porreirismo. E quanto a isso do Português típico ser pançudo, benfiquista e bom chefe de família (adepto da violência doméstica em domingo de derrota encarnada) é chão que já deu uvas. Há uma geração. Continua a ser um gajo brutalmente imperfeito, mas esse autocolante brutalmente redutor já não pega. E continua a ser um gajo racista sim, apenas na mesma medida (ou menos) em que qualquer outro "tipo" de qualquer outro País o é. Mas com os ciganos é diferente. Porque os ciganos não são "nossos" - temos os "nossos" pretos, os "nossos" chineses, os "nossos" ucranianos, os "nossos" sejam o que forem, mas são "nossos". Não me levem a mal por colocar as coisas assim, mas é assim que as coisas funcionam. São "nossos", estão cá, gostam do "nosso" sol, da "nossa" comida, do "nosso" País, são lixados pelos mesmos filhos da puta que nos lixam a nós, por isso são "nossos". Mas os ciganos não. Vivem num mundo àparte, não querem saber nem do "nosso" sol, nem da "nossa" comida nem do "nosso" futebol, vivem do tráfico, andam armados e, pior do que tudo, os filhos da puta que nos lixam a nós, ajudam essa corja com habitações sociais (que eles não pagam) e com rendimentos mínimos (que nós pagamos). E vivem melhor do que nós.

O problema dos ciganos é tão-só que não se dignam a estar do "nosso" lado. Não o querem de todo, a não ser que lhes convenha. Não pagam impostos, têm fama de ladrões e de intrujões, mas passam à frente de toda a gente nas urgências hospitalares - se for necessário de arma na mão. O tuga não papa isto com bons olhos. Por isso é que quando um qualquer gajo é reles (seja qual for a "raça", a cor da pele ou o país de origem) passa a ser um "cigano do pior". Ou simplesmente um "cigano". E apesar da simplificação de um tema obtuso e complicado, eu pergunto-me sinceramente se isto é racismo. Porque raio, andámos (e andamos) pelo mundo sem grandes complicações e continuamos a ser um País aberto a gentes de todos os cantos do mundo. Só com os ciganos é que a coisa não funciona. Porque será?

(Eu começaria pela discriminação positiva aliada a uma política de laxismo - mas isso sou só eu).

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