Wednesday, October 13, 2010

Baidarka

Significa "pequena embarcação". É russo. Tem uma grande carga de inexactidão - o correcto seria chamar-lhe apenas iquyak ou kayak. Mas nós (ocidentais?) temos o péssimo hábito de ter que criar designações para tudo, e não nos contentamos com a simplicidade de quem originalmente concebeu, desenvolveu e construiu estas embarcações. Será talvez demasiada pretensão incluir isto, "esta" embarcação no grupo "destas" embarcações; com efeito pouca coisa têm em comum: materiais, forma, flexibilidade e robustez, em tudo há diferenças. Há contudo um princípio básico em comum: consiste - tal como os "originais" - numa estrutura de madeira revestida - não de pele, mas de tecido impermeabilizado.
O "esqueleto" de madeira ficou com este aspecto, depois de uma demão de "bondex":


O detalhe da proa "levantada" é acima de tudo uma escolha de ordem estética, não há nenhuma razão de ordem prática para  ficar assim.


Vista da popa e da abertura de entrada. Tentei deixar algum grau de flexibilidade a toda a estrutura, visível na aparente falta de suporte de alguns elementos da estrutura entre si.


O revestimento. Tecido de algodão, o mais simples possível, o mais robusto possível, o mais barato que encontrei sob a forma de umas cortinas (é verdade, cortinas) amarelas feias como a noite dos trovões que me exigiram um bocado mais de trabalho em costuras. Como é óbvio, teve que ficar bem esticado...


Mais um plano da proa. 


E aqui um plano do interior, com a "plataforma"que suporta a zona de maior esforço mecânico. O aro foi feito com ripas de madeira ensopada (para não partir quando em tensão) que deixei secar no molde. Depois de secas foram coladas com cola de madeira e deixadas no molde durante mais um dia.


Aqui já depois do revestimento completamente cosido e com duas demãos de uma substância fantástica: borracha líquida. Tem todas as características para fazer um revestimento excelente: adere impecávelmente ao algodão, é flexível e mecânicamente resistente. Ainda falta uma camada de tinta - não creio que a borracha se dê bem com a exposição ao sol.


Vista a 2/3. As faixas que aparecem são as tiras com que fica suportado no tecto da garagem.


Mais uma vista da proa, num plano óbviamente exagerado. Cada vez gosto mais desta proa.


Ainda não está terminado, ainda não tem nome e ainda falta tratar de alguns detalhes. E falta - claro está - dar banho ao animal, isto de ficar a "ser giro" pendurado no tecto da garagem é uma treta quando se é feito para navegar. Decidi-me tentar este método de construção por uma série de razões: a fibra de vidro resinada sobre contraplacado (que utilizei na proa que fiz há uns anos) é excessivamente pesada (e muuuuuuito cara) para um kayak. Este neste momento vai em menos de 100 euros em material. O trabalho... algumas horas ao fim de alguns dias ao longo de umas dez semanas. Muito bom, dado que estamos em época de crise. E creio que pesará pouco mais de 10 quilos depois de pronto, o que é bastante razoável para andar em cima do carro.

3 comments:

Carlos said...

Jaime,

De certeza uma mais valia à tua vida.

Muito bom.

Um abraço.

Axle said...

Chama-lhe Midas

Ka said...

Agora só falta mesmo um post com uma foto tua dentro do "bicho" e no meio do Tejo :D

aí sim acreditaremos que a coisa "funcemina"

Bjs