Wednesday, December 28, 2011

E é por acaso?

É por acaso que aqui estou, fruto de todos os acasos que aqui me conduziram. E por acaso aqui apareceram, e por acaso aqui foram ficando, porque por acaso, de algum modo, nos fomos identificando. E por acaso cresci onde cresci, e o que aprendi aprendi por acaso, pelo acaso de ter nascido onde nasci e não em mais lado nenhum. E será por algum acaso que um dia irei para melhor (ou pior), e apenas por acaso nesse dia e não antes.
Não estava destinado a ser assim, apenas poderia ter sido assim - ou de qualquer outra maneira.
O acaso é o meu mundo e o meu destino.

Tuesday, December 27, 2011

Wednesday, December 14, 2011

O Facebook é tramado

A Zooey Deschanel tem mais subscritores do que o Francisco Louçã, que por sua vez tem mais subscritores no FB do que votantes no BE...  



Monday, December 12, 2011

Citações:


“I learned long ago, never to wrestle with a pig. You get dirty, and besides, the pig likes it”
George Bernard Shaw

Fala do Homem Nascido


Venho da terra assombrada, 
do ventre de minha mãe; 
não pretendo roubar nada 
nem fazer mal a ninguém. 


Só quero o que me é devido 
por me trazerem aqui, 
que eu nem sequer fui ouvido 
no acto de que nasci. 


Trago boca para comer 
e olhos para desejar. 
Com licença, quero passar, 
tenho pressa de viver. 
Com licença! Com licença! 
Que a vida é água a correr. 
Venho do fundo do tempo; 
não tenho tempo a perder. 


Minha barca aparelhada 
solta o pano rumo ao norte; 
meu desejo é passaporte 
para a fronteira fechada. 
Não há ventos que não prestem 
nem marés que não convenham, 
nem forças que me molestem, 
correntes que me detenham. 


Quero eu e a Natureza, 
que a Natureza sou eu, 
e as forças da Natureza 
nunca ninguém as venceu. 


Com licença! Com licença! 
Que a barca se fez ao mar. 
Não há poder que me vença. 
Mesmo morto hei-de passar. 
Com licença! Com licença! 
Com rumo à estrela polar. 

Friday, December 9, 2011

Carta do Carlinhos ao Pai Natal:


"Querido Pai Natal,
O meu nome é Carlinhos e tenho 12 anos.
Podes achar estranho eu estar a escrever esta carta agora, mas queria esclarecer certas coisinhas que me ocorreram desde que te mandei uma carta cheia de ilusões, na qual te pedia que me trouxesses uma bicicleta, um comboio eléctrico, uma Nintendo 64 e um par de patins.
Um pedido simples!
Quero dizer-te que me matei a estudar todo o ano, tanto que não só fui dos primeiros da minha turma, mas também tirei 20 a todas as disciplinas (não te estou a enganar!).
Ninguém se portou melhor do que eu, nem com os meus pais, nem com os irmãos, nem com os amigos, nem com os vizinhos.
Fiz recados sem cobrar nada, ajudei velhinhos a atravessar a rua, mesmo aqueles que não queriam, e não houve nada que não fizesse pelos meus semelhantes e mesmo assim népia!
É que deixar debaixo da merda da arvore de natal, um cabrão dum Pião, uma Corneta e, a merda de um par de Meias, foda-se meu, sinceramente... não se faz.
Mas afinal, quem tu pensas que és, meu gordo de merda?!
Ou seja, porto-me como um imbecil a merda do ano inteiro, para que venhas com umas filhas da putice deste calibre NÃO É?
E não sendo o suficiente, ao chulo do meu vizinho (esse paneleiro de merda sem educação que foi 10 vezes as aulas durante o ano inteiro), trouxestes tudo o que o cabrão pediu. Mas afinal, que merda vem a ser esta ?
Po isso agora quero que venha um terramoto ou qual quer coisa assim para irmos todos à merda, já que com um Pai Natal tão incompetente, desonesto e falso como tu, é melhor que a terra nos engula a todos.
Mas não deixes de regressar no ano que vem, OK? 
Não te acanhes… pois vou arrebentar á pedrada as putas das tuas Renas! Começando logo por essa merda do Rudolph. Que tem um nome de homossexual, maricão e paneleiro!
Vou espancar as putas das Renas para que te fodas e andes a pé, como eu, Cabrão! Já que a puta da bicicleta que te pedi era para ir para a escola, pois a minha casa fica longe comó caralho, para tua informação!
E não me quero despedir sem antes te mandar para a puta que te pariu .
Oxalá que quando estiveres a subir muito alto, se vire a merda do trenó, para que caias e morras com um pinheiro enfiado no cu, sim??
Por isso, aviso-te que no próximo ano vais ficar a saber o que é um miúdo ”Traquinas” , meu cabrão…

Atentamente 
Carlinhos

PS:
O pião a corneta e o par de meias, podes vir busca-los e mete-os pelo cu acima… "

Thursday, December 8, 2011

A galinha e o ovo:

O Deputado João Galamba escreveu uma crónica no DN com o título "O governador do Banco de Portugal não tem razão". Merece a pena a leitura, e merece a pena assistir ao vídeo para (tentar) contextualizar a questão. Merece também a pena ouvir as declarações do mesmo deputado acerca da independência do governador no desempenho das suas funções, em linha com o último parágrafo da crónica.
Colocam-se aqui algumas questões interessantíssimas: na crónica do DN encontro umas quantas falha graves que derivam directamente do facto de a análise ser feita no abstracto, e não no contexto em que os factos se deram.  Parte de princípios interessantíssimos, mas difícilmente defensáveis: a dívida pública de um país  não tem uma ponderação de risco zero (senão o rating dos bancos não descia com a descida do rating do país, em função da exposição destes à dívida soberana daquele) e não são os rácios de capital que estão aqui em causa, é a percepção dos mercados relativamente à capacidade de endividamento de toda a banca de um país que limita a quantidade de crédito que lhe concedem. Isto indicia uma coisa: o crédito não só não é ilimitado, mas - tal como referiu o governador do banco de portugal - é escasso. Principalmente para países como Portugal, pelo facto de que a economia débil e fortemente terciarizada difícilmente sustenta elevados montantes de dívida. A não ser que não haja preocupações com o montante dos juros a pagar.
Mais: parece-me de todo interessantíssimo o paradoxo de assumir o crédito como ilimitado e em simultâneo reconhecer que, no mundo real, o BCE passou a ser o financiador (quase) exclusivo dos bancos - que contraem com este empréstimos de curto prazo, com taxas de juro comparativamente mais elevadas do que as dos créditos de longo prazo concedidos pelos mesmos bancos e que este financiamento vem suportar. Isto não é o caminho das pedras, é a descapitalização, mas sou eu a falar...
O facto que me faz mais confusão em tudo isto é a acusação de falta de independência que o deputado (do PS) faz ao governador (nomeado pelo PS). Esquecendo-se seguramente daquela grande referência de isenção, independência e competência que foi o antecessor Vítor Constâncio, que se deu ao trabalho de deixar que a instituição a que presidia se substituísse ao INE como fiscal e avalizador do défice do governo anterior a pedido de um primeiro-ministro do PS. Se é esta a bitola, estamos conversados.

Em defesa do José:

Há quem diga que o homem tem razão, que descontextualizaram tudo e ficou a parangona para os tontinhos. "Pagar a dívida é uma brincadeira de crianças". Pois é, eu por acaso dei-me ao trabalho de ir ouvir o que o jovem disse, e foi isso mesmo. Independentemente do modo como contextualizou a idéia, a frase forte era essa, era o cerne da mensagem que queria passar, ao melhor estilo a que nos habituou, estilo esse agora destilado e refinado na vida de estudante recentemente iniciada. 
Dizem os defensores do rapaz que dívida zero é impossível, déficit zero é impossível... Eu não sei se é ou não possível, mas sei que em duas ocasiões históricas o País teve as contas equilibradas: com o Marquês de Pombal e com Salazar. As duas únicas épocas em que não vivemos de empréstimos contraídos ao exterior. Eu preferia que o conseguíssemos sem recorrer ao "braço mágico" da ditadura, mas o jovem que lanço as baboseiras em epígrafe foi primeiro-ministro cá do burgo durante seis longos invernos.  E preocupa-me o facto de ter plantado a semente em algumas das "grandes promessas" a quem damos direito de antena.


Post coiso: se alguém estiver a pensar no volfrâmio vendido aos aliados (e também ao eixo) e na "exploração" que fizemos nas ex-colónias para justificar seja o que for, terá que fazer o exercício de honestidade intelectual de tentar entender como é que o Sebastião José levantou um País depois de um terremoto e de que modo esmifrámos os milhares de milhões de euros que recebemos da UE, conseguindo ainda assim bater recordes históricos de endividamento que nos conduziram directamente à beira do precipício em que estamos.

Tuesday, December 6, 2011

Farróbadó

O que se diz:
O Ministério da Solidariedade e da Segurança Social tem um pópó novo. Ao que consta, um Audi A7 que custaria ao comum dos mortais qualquer coisa como 86.000 euros. O contrato terá sido fechado ainda pelo anterior executivo em regime de Aluguer Operacional de Viaturas, e o procedimento foi única e exclusivamente realizado pela Agência Nacional de Compras Públicas e não pelo Ministério agora tutelado por Pedro Mota Soares. Mais coisa menos coisa é isto.


Agora vamos ao que interessa reter:
a) O Ministério da Solidariedade e da Segurança Social (poderia ser um qualquer outro, mas calha a ser logo o Ministério responsável pelo quinhão do Orçamento que tem a seu cargo a Solidariedade e a Segurança Social) faz deslocar o seu responsável máximo numa viatura que custa tanto como muitas casas por esse País fora. Numa situação de crise profunda, recessão económica e com a taxa de desemprego OFICIAL acima dos 13%. Inqualificável.
b) Independentemente dito e não dito, o Estado que subtrai metade do subsídio de Natal a todos os Portugueses e os subsídios de Natal e de Férias à maioria dos funcionários públicos NÃO se pode desculpar com contratos blindados. Nunca. O único contrato blindado que o Estado tem é a Constituição e o contrato de boa-fé que deveria ser a norma na relação com os seus Cidadãos e Contribuintes, e se pode quebrar esse com a desculpa da crise, como já fez pode quebrar qualquer outro pela mesma razão. Inaceitável que não o tenha feito.
c) Ao que consta, a dita viatura teria sido adquirida não para um qualquer Ministro do anterior executivo, mas para um Secretário de Estado, de seu nome Carlos Zorrinho, que por acaso calha a ser actualmente o líder da bancada Parlamentar do Partido Socialista. Uma viatura de 86.000 euros para um Secretário de Estado é qualquer coisa muito para lá de abusivo, e retira qualquer moral à pessoa em questão para ser o líder da bancada do maior partido da oposição. Mas isto é só a minha opinião, e eu apenas valho um voto.
d) O que eu não vejo escrito em lado nenhum e oiço muito poucas pessoas dizer é isto: que o Estado, um qualquer Estado mas neste caso concreto o nosso Estado NÃO PODE adquirir viaturas de luxo para ninguém porque estamos em recessão, porque estamos em crise, porque esse mesmo Estado está a esmifrar os Contribuintes até às batatas e porque o exemplo tem que vir de cima, que um Estado que, pela palavra do seu Primeiro-Ministro diz que não podemos olhar para o passado e andar à caça das bruxas NÃO PODE trazer essas mesmas bruxas para o presente (e muito menos as contas que deixaram por pagar), e o governo, seja ele qual for, tem que perceber que o Estado somos NÓS, todos, Cidadãos e Contribuintes, e que o governo, seja ele qual for, é apenas o fiel depositário da nossa confiança na capacidade que deveria ter de gerir bem a "cousa pública". E sim, tem que caçar bruxas, porque andamos a pagar as contas que elas deixaram. 
Comecem a acender as fogueiras. Se não as acenderem agora por quem devem, alguém as acenderá para vocês.

Monday, December 5, 2011

Pelé x Maradona


"Esta velha polémica foi, enfim, solucionada por uma pesquisa altamente qualificada, baseada em critérios estritamente técnicos (principalmente o último item) e divulgada num boteco do Espírito Santo lá no Brasil. E não se fala mais nisso!!!"



(recebido pela via do costume).

Mondego


Thursday, December 1, 2011

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Wednesday, November 30, 2011

Américo Amorim, o pobre (2ª via)

O jovem Cidadão referenciado em epígrafe é (?)... uma triste amostra da nossa realidade. Eu tolero-lhe que não saiba distinguir a diferença entre riqueza e pobreza, e não nego que seja um trabalhador empenhado, esforçado e dedicado. Se é bem pago (ou não) em função do que faz e da mais-valia que considera ser naquilo que faz, é um problema dele e de negociar um melhor ordenado com a entidade patronal. Já me custam a engolir os "despedimentos preventivos" que fez há uns meses, em nome da crise - um gajo que precisa de uma desculpa do tamanho da crise para fazer aquilo que quer (e que não pôde antes, ou não o deixaram ou teve receio de fazer) deixa-me profundamente desconfiado em relação a uma série de coisas. O que não aceito e não tolero (e não aceito que o Estado aceite, tolere ou deixe passar) é a tentativa disparatada de fuga ao fisco. Despesas de massagens? Pensos higiénicos? Viagens "de negócios"? Mas isto é o quê? O Cabaré da Coxa?
Aparentemente sim. 


No seguimento do post anterior, deixo aqui outra sugestão: o encerramento das prisões. É fundamentado: Todos os que lá estão dentro dizem-se inocentes, e aparentemente não se conseguem encontrar culpados entre os que andam cá fora.

Uma excelente idéia:

Ontem ouvi (gramei com) mais uma interminável discussão sobre o aumento de meia hora diária ao nosso querido horário de trabalho. Eis porque discordo frontalmente desta (pseudo) solução:
-Não havendo trabalho para fazer, bem que me podem obrigar a permanecer 24 horas por dia no local de trabalho que a única coisa que ganho são feridas nas virilhas de tanto coçar a micose;
-Esta aritmética de pré-primária está inquinada à nascença: efectivamente o custo unitário da hora de trabalho desce (na análise absolutamente restrita ao custo/hora do empregado e não do custo de produção), mas a primeira consequência (que advém do ponto anterior) é a imediata descida da produtividade. Isto é um absurdo e um contra-senso, porque de seguida teremos que baixar os ordenados ao nível da produtividade, e temos que descer ainda mais os custos unitários porque a produtividade portanto... e não tarda nada estamos a trabalhar 80 horas por semana.


Amiguinhos: arrepiar caminho. Quando se faz a mesma coisa da mesma maneira repetidamente, é normal que se obtenham os mesmos resultados. Esta solução é, no mínimo, cretina. Mas como isto de criticar (só criticar) e não apresentar alternativas não resulta em nada, apresento aqui umas quantas sugestões que contribuiriam em muito para melhorar a nossa economia:


-Taxar a níveis absurdamente elevados as chamadas "despesas de representação". Tipo a 100%. Não dedutíveis em sede de IRC e taxadas a 100% do seu valor. Tudo o que fosse em cartãozinho dourado (almoçaradas, jantaradas, a lingerie para a "outra", as despesas com elefantes brancos e afins, tudo taxado a 100%).
Vantagens desta medida: as empresas começariam a largar os pacotes de regalias absurdas que hoje dão a incompetentes. Aumenta a liquidez e o investimento. Diminui o desperdício.


-Taxar a níveis absurdamente elevados as viaturas de gamas médias-altas e altas propriedade das empresas e particulares. Tipo a 100%. Com o respectivo corte em sede de IRC. As empresas não precisam destas coisas, para trabalhar têm os veículos comerciais. Idem para gasóleos e gasolinas. Mas a doer. Em alternativa, as empresas poderiam deduzir na totalidade as comparticipações ao pagamento de passes sociais e transportes públicos aos seus funcionários (incluindo táxis).
Vantagens: idênticas às apresentadas anteriormente. Mais: a importação de carros de luxo cairia a pique. A importação de combustíveis teria uma pequena redução também. Aumentariam os utentes dos transportes públicos.


Outras medidas ridículas a necessitarem de revisão aprofundada:
-Pagamento de portagens à entrada das cidades: absurdo. Completamente absurdo. O que se deveria fazer era LIMITAR severamente o numero de lugares de estacionamento disponíveis dentro das cidades, e cobrar a doer os restantes. E o estado a ganhar 50% desse valor em impostos.

Friday, November 25, 2011

Mas é isto?

Fico mesmo na dúvida. Ontem dediquei-me a perder o meu precioso tempo a fazer zapping entre a Sic Notícias, a TVI 24, a RTPN e os generalistas, à cata de informação. Depois de ter passado o dia a cumprir os serviços mínimos a quem me paga o ordenado, claro, porque há coisas que não podem parar. E já lá vou ao resto, mas entretanto fico-me pelo que vi. E o que vi explica muito daquilo que é o nosso País. Talvez até explique o porquê de estarmos a ser governados pela tal de Troika.
Vi uma quantidade respeitável de gente, de pessoas respeitáveis, a discutir quase na exclusividade os números da greve. Faltou dizer os nomes de quem fez greve e de quem não fez. E sinceramente, se o objectivo era fazer uma guerrinha de números, não precisavam de fazer uma greve geral, bastava terem restringido a coisa aos transportes, o resultado teria sido quase o mesmo (adicionavam-se aos grevistas as pessoas que não conseguiriam de qualquer modo chegar ao local de trabalho e a greve era um estrondo). Não me parece que uma greve sirva para isto, é absolutamente redutor tratar o exercício de um direito de cidadania a este nível. E que os governos o façam, é normal, mas os sindicatos têm o dever de ir por outra via. Absolutamente decepcionante.
A manifestação e as perturbações em frente à AR foram absolutamente escusadas. Primeiro porque aos agentes da PSP não é permitido fazer greve, e sabe-se lá quantos dos que ali estavam teriam preferido fazer greve; segundo, porque são pessoas, trabalhadores e empregados (quase) como quaisquer outros (com menos direitos, inclusivé), e por usarem uma farda não têm que perder automáticamente o respeito dos manifestantes, bem pelo contrário; e terceiro, tal como já referi no post anterior, para quem entende mínimamente a dinâmica dos grupos, aquilo que se viu ontem foi obra de uma mão-cheia de arruaceiros, politizados ou não, que pretendiam a adesão popular a uma iniciativa absolutamente idiota - e eram uma mão-cheia apenas, e a não adesão dos restantes manifestantes foi tão evidente que foram rechaçados ainda antes da chegada do corpo de intervenção. Seja como for, a iniciativa foi lamentável, mas perfeitamente compreensível após ouvir o tempo de antena proporcionado a uns quantos dos envolvidos. 
E em relação às greves no geral, quer-me cá parecer que esta gente não percebe mesmo nada do que anda a fazer. Primeiro, porque promovem, aceitam, toleram (escolher o mais correcto) greves parciais quando calha: greves parciais na CP, greves parciais no Metro, plenários na Soflusa e na Transtejo sempre que calha. E depois, quando marcam uma greve geral, é para um dia!!! E claro, já andamos todos fartos da malta da CP e do Metro... Conseguimos estar todos no mesmo barco?
Amiguinhos, greves gerais de UM DIA são como um jogo de futebol: no fim gastam o tempo a fazer a estatística da greve, como se viu. Se quiserem ser sérios e fazer uma coisa a sério, façam o seguinte:
a) almofada financeira (é sempre a economia a falar, no fim de contas): empreguem os euritos que têm amealhados no mais elementar sentido de justiça, que é estarem preparados para suportar (ou ajudar a suportar) FINANCEIRAMENTE os dias de greve a quem a faz;
b) marcar uma greve geral, com garantias de paralisação total, para pelo menos três dias. Eu diria mesmo quatro. Mínimo. É a única maneira de garantir que a greve faz mossa. E uma greve que não faça mossa não passa de uma palhaçada.
c) tenham a certeza das razões pelas quais convocam a greve. Marcar uma greve porque sim, por causa de tudo o que mexa e mais um par de botas (que inclui a problemática das manchas solares) é absolutamente demagógico. De tanta abrangência acaba por não abranger coisa nenhuma. Um dos maiores problemas que temos é a Justiça, que é também um direito de cidadania e um dever exclusivo do Estado - alguém quer convocar uma greve de protesto contra o péssimo funcionamento da Justiça? Alguém quer convocar uma greve geral contra as PPP's e todos os esquemas de captura dos dinheiros dos contribuintes (que somos todos nós) por meia-dúzia de corporações e/ou indivíduos? Alguém quer convocar uma greve geral pelos 5.000.000.000 de Euros (mínimo) que o BPN custa aos nossos bolsos? É que assim de repente, só o BPN custa a cada Português 500 Euros! E a EDP e o Plano Nacional de Barragens, esse fiasco que vai custar uns 1700 a cada Português, e ao qual acresce o preço da Electricidade mais elevado da UE? E a Galp? queremos convocar uma greve geral contra a Galp, que tem a exclusividade da refinação para o mercado nacional? Porque neste momento temos dos combustíveis mais caros da UE, antes e depois de impostos!


Vamos continuar?
Podemos continuar?


E que tal em vez de uma greve geral, meter o Estado em Tribunal por ser tão lesto a taxar os rendimentos do trabalho e a não taxar outros rendimentos? Alguém quer marcar uma greve geral porque queremos ver efectivamente punidos os tipos que nos arrastaram para onde hoje estamos?


Não?
Então temos pena.



Thursday, November 24, 2011

O povo é sereno:

"A mocidade anda a ser enganada com as boîtes abertas vinte e quatro horas por dia" - comentário de um cidadão sénior à boca da escadaria do parlamento.
À jovem bloquista que queria a toda a força chegar ao cimo da escada e plantar a sua bandeira "seja porque for", sugiro que suba ao Bom Jesus: sem o corpo de intervenção, apenas o Corpo de Cristo lá em cima à espera dela. Neste caso concreto tenho que concordar com a PSP: o parlamento é a representação do povo, não quero que qualquer um entre no sítio que TAMBÉM me representa a MIM. E a malta queixa-se que há mais polícias do que manifestantes, mas amanhã garantirão a pés juntos que 100% dos Portugueses estiveram concentrados à porta da AR.
Mais: custa-me ver malta nascida nos idos de 80 a gritar "25 de Abril sempre". Fodasse, o ano tem 365 dias, e se não fosse o 25 de Novembro agora estariam todos a rezar por uma perestroika - mas creio que a maioria não saberá o que isso é...


Fora de brincadeira... as coisas ultrapassaram as marcas. E quem percebe alguma coisa da dinâmica de grupos sabe que foi uma tentativa de coisa nenhuma, tentada por um pequeno grupo que tentava plantar a bandeira "lá em cima". E não vale a pena o Torres Couto (esse gajo cheio de moral, impoluto e isento que andou a fazer uma travessia do deserto depois das merdas que andou a fazer com os dinheiros da Europa e que tem a relevância de uma varejeira, dado que acabou de ser interrompido pelo Carvalho da Silva) vir queixar-se na TVI24 que o que se passou hoje não é culpa dos sindicatos. Sinceramente, isto é culpa TAMBÉM dos sindicatos! A manifestação devia estar a ser feita contra os Juízes e os Advogados, os Jornalistas, os Bancos e os Investidores, os Mercados, os Sindicatos e os Patrões, os Governos e as Oposições - a culpa é de todos eles sem excepção - e nossa, que os deixámos fazer por nós aquilo que deveríamos ter sido nós a fazer.


Aparentemente, e segundo a jornalista da RTP1, a multidão passou o tempo a "arremassar" coisas à polícia. Eu, se fosse polícia e me "arremassassem" uma garrafa de cerveja vazia, passava-me da marmita. Atirar uma garrafa cheia de cerveja bem gelada é de homem, atirar uma garrafa vazia é atitude rasca de paneleiro rude e mal-educado; um gajo capaz disto também é capaz de cuspir no chão.

A minha greve

Isto não é um País, é um lugar (muito) mal frequentado.

Tuesday, November 22, 2011

Damnatio 
Memoriae

Monday, November 21, 2011

Fiquei cliente:

Metro, manhã cedo, hora de ponta. Uns quantos indivíduos a entregarem panfletos DENTRO da estação do Metro, antes das cancelas (aquelas merdas que parecem a porta do curro e por onde passa o gado). Nunca fui de aceitar papelada de ninguém, normalmente têm o remetente no Professor Fofana, Bidé ou outro que tal, grandes Mestres em coisas de que eu não percebo nada. Este devia vir da Comissão de trabalhadores do Metropolitano, da CGTP, UGT ou similar, I presume. Os acólitos do Professor Djambé ficam fora da estação, à intempérie, estes estavam dentro, têm seguramente uma cunha.  Seja como for, não estava para aí virado, farto de papelada ando eu e declinei com um "muito obrigado". O fulano ripostou: "Não quer saber a verdade?" E continuou  com a tirada genial "Já sabe tudo, é?" 
Decidi continuar paulatinamente na fila para passar na porta do curro. Não me vou pegar à discussão com um indigente mental daquele calibre que nem tinha por onde levar um par de estalos sem precisar de ser cosido pelo médico, ainda que essa fosse a minha mais genuína vontade. Até me oferecia para o coser, e a custo zero. É mais um daqueles casos em que as pessoas custam a perceber que não têm nada que ver com a vida dos outros. 
Eu pergunto-me se isto é o melhor que os sindicatos têm para mostrar. Mesmo. Porque eu já tenho à cabeça um problema com as greves em Portugal: os Sindicatos não pagam - nem são obrigados a pagar - os respectivos dias de trabalho aos seus sócios/sindicalizados. O ónus da greve é SEMPRE dos "trabalhadores", as vitórias pícaras são sempre disputadas entre sindicatos, governos e associações patronais (whatever). E o que se passa na realidade é que muitas pessoas acabam por tirar o dia como dia de férias (ou baixa, ou apoio à família, ou um artigo xpto, seja qual for o caso) porque não podem prescindir de um dia do seu ordenado. Na prática fizeram greve; formalmente estiveram de férias.

Thursday, November 17, 2011

Era uma vez, num olho do cú...

Uma hemorróida.


(A sério, de cada vez que me lembro da história dá-me vontade de rir, mas não posso, a sério que não posso... Quem sabe um dia).








(Post dedicado a pessoa amiga em situação de profundo sofrimento)

Para quem ainda não percebeu:

Bancos. Sistema Financeiro.
É isto que a Europa, os EUA, o Banco Mundial e o FMI querem salvar. Do quê? Da merda que esses mesmos bancos e esse mesmo sistema financeiro andaram a fazer durante todos estes anos. Mas com uma salvaguarda: sem perda de lucros, sem perda de autonomia, sem restrições operacionais aos "mercados" onde operam esses bancos e que são no fim de contas o sustento desse sistema financeiro. Esses mesmos mercados que se resguardam e salvaguardam os seus agentes no seguro de vida que são os dinheiros dos contribuintes quando a coisa corre mal, que socializam as perdas e privatizam o lucro como convém a um sistema "aberto". Porque afinal de contas parece que os bancos não podem falir - as empresas agrícolas podem falir, apesar de serem o garante da comida que pomos na mesa; as indústrias pesadas, que fabricam
Sejamos honestos: em 2010, mesmo com uma gestão equilibrada dos orçamentos, muito poucas famílias em Portugal conseguiam taxas de poupança na ordem dos 20%. No global, esse é o agravamento das condições que podem esperar para 2012 (comparativamente com 2010). Isto tem um nome: falência técnica.


A minha pergunta é, temos mesmo que ir por este caminho? 

Tuesday, November 15, 2011

It's the economy, stupid!


Vou falar de uma coisa da qual não percebo nada

O que me deixa bastante bem colocado, dado que a grande maioria dos tipos que têm vindo a terreiro botar faladura acabam por ser desmentidos pelo tempo (e pelo clima também). Talvez o parlapié de um fulano que não percebe nada do tema e que o assume frontalmente não seja pior do que as bacoradas dos pseudo-experts de pacotilha e horário nobre.
Assim de repente, um palavrão: CDS (credit default swaps). Básicamente são seguros contra incumprimento de operações de crédito. Ou seja, eu empresto dinheiro ao Jacinto Leite Capelo Rego e contrato um CDS contra esse empréstimo, não vá o Jacinto não me poder pagar. O que é interessante nos CDSs é que eu posso contratar um CDS contra uma operação de crédito na qual não estou envolvido. Pior, em abstracto o Jacinto pode pedir dinheiro emprestado e contratar um CDS contra esse empréstimo (se conhecer bem os meandros da coisa, claro)! Ou seja, de repente há uma série de gente com CDS contra operações nas quais não investiram um cêntimo, mas com todo o interesse em que corra mal. Isto é apenas uma das coisas muito mal explicadas no sistema financeiro actual, e que explica porque é que tanta gente está interessada em que tantas coisas corram mal - é que efectivamente alguém tem algo a ganhar com isso. Muito, diga-se. Não sei quem irá pagar esses CDSs (presumo que ninguém), mas como os balanços destas coisas são fictícios, é perfeitamente justo que a coisa corra mal.
Outra coisa menos de repente: porque raio é que o BCE não controla directamente e em exclusividade o mercado da dívida soberana (e das empresas públicas) dos Países da zona Euro? Ou seja, Portugal, a Grécia, a Itália, em vez de irem ao "mercado" vender dívida pública, ficariam obrigados a vendê-la exclusivamente ao BCE. A Europa teria assim um instrumento simples e eficaz de controlar o défice e a dívida soberana de todos os Países da Eurozona, que ficariam assim imunizados às flutuações de humor dos mercados.


Alguém que perceba do assunto me explique porque raio é que isto não pode funcionar assim.

Acerca das pessoas indispensáveis:

Os cemitérios estão cheios delas. Dessas pessoas indispensáveis, claro.

Tuesday, November 8, 2011

Pois claro que está moribundo

Mas ainda não morreu!

Tuesday, October 4, 2011

Já era para ter deixado há mais tempo

O link para um daqueles blogs de que não se perde um post. Para quem gosta de Moebius, o "quenched consciousness"

Friday, September 30, 2011

Da série "Ai"

Todos os posts que se seguem.

Perspectivas


(Foto enviada do meu Ai-ai-ai)

Há dias que nascem assim aqui














(Fotos enviadas do meu Ai-Coiso)

Pintelho

Renovação do mobiliário urbano na Av. da Liberdade


(Foto enviada do meu Ai Com um Caralho)

Cabo Espichel




Cenas de gajo


(Foto enviada do meu Ai-Fodasse)

Morfes, bubida e malta amiga


(Foto enviada do meu Ai Póde)


(Foto enviada do meu Ai Ai)


Monday, September 26, 2011

Friday, September 23, 2011

Contra

A pena de morte. Não consigo conceber a pena de morte num país civilizado - mais facilmente aceito que se entrege à fúria da turba um criminoso.

Thursday, September 22, 2011

A invenção da roda

O tempo não me tem sobrado para vir aqui, mas não posso deixar passar em branco mais uma pretensa alteração ao código laboral que é de tal monta que é desta que o País vai descolar.
Face ao que se anuncia, e no sentido de evitar a contestação à coisa, não queria deixar de partilhar aqui o meu modesto contributo. Em vez de andarmos a inventar, a minha sugestão é que apliquemos modelos de reconhecido sucesso. E já que é sempre para esse referencial que apontamos, eu sugiro que adoptemos o modelo Alemão, e por esta ordem:
Ano 0 - legislação laboral e toda a que for aplicável aos sindicatos, movimentos sindicais e afins (ah pois, que isto de marcar greves a custo zero é uma bela cagada que sai sempre do cabedal dos mesmos);
Ano 1 - legislação aplicável às empresas, confederações patronais e afins (exactamente isto);
Ano2 - (já com a produtividade em alta), aplicação do modelo fiscal Alemão (tributação sobre os rendimentos do trabalho, rendimentos das empresas, etc etc etc). 

A todos os que estiverem a pensar "este gajo é maluco, são realidades diferentes, isto é impossível", bem... Então não mexam no que querem mexer.
Porque: eu só faço horas extraordinárias quando tem que ser, a grande maioria delas já "graciosamente", e como tal não tenho que trabalhar mais meia-hora por dia gratuitamente porque já o faço (tal como a grande maioria das pessoas que conheço); os sábados, domingos e feriados em que tenho que malhar com o cabedal no trabalho é porque tem mesmo que ser - e para tal prescindo do meu descanso e do tempo de qualidade que passo (poderia) passar com os meus; isso é muito importante, não tem preço, e não se troca por coisa nenhuma. Se a idéia é baixarem o preço das horas extra, tenho uma sugestão melhor: proíbam o trabalho extrardinário. Isso obriga as empresas a contratar mais pessoas, logo diminui o desemprego e as contribuições sociais - parece-me uma medida válida no actual contexto, não? E dado que estas empresas ficariam isentas da TSU durante um ano, não seria um ónus muito grande para elas.

A medida da minha produtividade é uma coisa assim a modos complicada. Imagine-se (por absurdo) que tenho uma cadeia hierárquica a modos que... incomum: algumas pessoas razoavelmente competentes entremeadas com outras que estão muito preocupadas com a troca do carro e o iPad novo que levam para as reuniões (para impressionar). Decisões contraditórias, puxa daqui, empurra dali, empastela... coisas atípicas em Portugal, certo? Bem, de que modo se vai quantificar a minha produtividade? Gostaria de um pouco de transparência.

Relativamente ao despedimento com critérios dúbios, só tenho uma solução para isso: um taco de baseball. Se algum dia for o caso, tenciono aplicá-la. Como alguém disse, a morte nivela os homens. 

Por outro lado... pergunto-me se não estaremos próximos do 25 de Abril que não chegou a acontecer. Aquele em que a malta responsável é pendurada nos postes...

Tuesday, September 13, 2011

Para que é que serve a Liberdade?

Seixal. Terra tradicionalmente comunista, para o bem e para o mal, mais uma das que se assumem como parte integrante dos municípios de Abril, seja lá o que for que isso quer dizer. Plantado algures lá para o meio, um restaurantezinho catita de um homem sem papas na língua, que em dia de pouca freguesia decidiu dar-nos conversa ali mesmo à mesa. De onde vinha, o que tinha feito na vida, o que tinha vivido e o que tinha perdido, falou de tudo um pouco. Falou de política, do antes do Abril de que o Seixal  vive e do depois do Abril em que o Seixal sobrevive. "Antes não se podia falar, não se podia criticar, não nos podíamos queixar e dizemos que é mau? Hoje falamos, criticamos e fazemos queixas, mas ninguém nos ouve! Para que é que serve a liberdade?"
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Monday, September 12, 2011