Wednesday, February 16, 2011

"Não acredito"

"Não é possível. Nós somos a força de trabalho deles. Nós somos muito importantes para eles. Eles não nos podem fazer isso, nós somos muito importantes para eles". Respondia assim uma mulher, sentada no beliche, a uma outra, que no beliche ao lado, contava como tinha ouvido "a alguém que ouviu de alguém que lá esteve". Lá, em Awschwitz, onde diziam às pessoas "para não pararem de respirar para ficarem bem desinfectados". O contraponto deste acto de fé vinha pela boca da criada do comandante do campo: não sabia como tinha que se comportar, como tinha que responder, o que tinha que fazer para garantir a sobrevivência. Nada era garantido, nada era um dado adquirido. O destino vagueava ao arbítrio da vontade de um homem, e nada mais.


Voltei a ver anteontem Lista de Schindler, por mero acaso. E voltei a interrogar-me em relação a umas quantas coisas - independentemente da profundidade dramática da personagem principal e do maior ou menor empolamento da realidade, o que me continua a impressionar mais é o realismo com que todo o cenário se desenrola, o contraponto entre a humanidade e... como em determinado ponto um oficial Nazi refere "Já não é uma questão de convicções, agora é política". Talvez ajude a entender o distanciamento da realidade que hoje também nós vivemos. A nossa capacidade de fugir ao óbvio.
Last but not Least: e o Aristides Sousa Mendes?

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