Sunday, April 24, 2011

Paris Eiffel

Fui recomendado por quem conhecia. A bem dizer, apenas uma alminha me disse que não tinha gostado da cidade. E fui. E à chegada, Paris não é uma cidade assim tão impressionante, principalmente quando aterramos no Charles de Gaulle e percorremos o subúrbio - bastante banal, por sinal - para entrar na dita cidade. Bem, à luz do fim da tarde a Cidade-Luz não é ofuscante por aí além. Ainda para mais porque o tempo estava Londrinamente farrusco. Já estava portanto o je a tirar medidas  ao alguidar para avaliar o tamanho da banhada que ia levar, dado que até ali NÃO era diferente de nenhuma das (muito poucas) Cidades que conheço quando... a noite caiu - ou caiu a noite. E foi mais ou menos assim que a vi pela primeira vez: Distante e sem termo de comparação.


Ao longo do caminho, do Champ de Mars, foi surgindo assim. E a esta distãncia percebe-se a beleza e a elegância, mas ainda nada mais. Dá assim a modos que ares de um farol folclórico plantado no meio da cidade, e vamoláver...


E a caminho do indo lá ver, cada vez mais se percebe algo que não é exactamente evidente no início do percurso: aquele tal farol folclórico - acreditem, se fosse em Amsterdam teriam feito passar um farol folclórico por uma torre Eiffel, uma estátua da Liberdade ou pela grande muralha desde que isso desse dinheiro - e daí a minha observação anterior, mas dizia eu, aquele farol folclórico não é nada disso nem de perto nem de longe, a perspectiva engana, toda a perspectiva engana, a noite e o céu enganam, aquilo é um embuste montado à distância, porque quanto mais nos aproximamos mais esmagadora se torna:


E paradoxalmente sem perder a elegância da forma. Estou perante um monumento que não tem qualquer utilizade prática, não passa de uma pilha de metal erguido ao ego do homem, e contudo... E contudo é inigualável. E quanto mais nos aproximamos mais tudo aquilo se torna impressionante.


Seguramente haverão umas quinhentas mil fotos da torre, tiradas do pilar ponto cardeal X com esta mesma perspectiva. Tenho pena que não consiga apanhar tudo o que vi ali. Mas fica na mesma:



E aqui chegados (apetece dizer "Senhoras e Senhores"), cai a ficha. Não há hipótese alguma: Isto, em si, é absolutamente incomparável, é único, é feito de um molde que foi partido à nascença. Seguramente o expoente máximo da construcção em treliça de ferro, seguramente esmagador, seguramente incomparável. E correndo o risco de parecer um pacóvio encandeado pelo barulho das luzes, só me lembro da imagem de ver pássaros (pombos, muito provavelmente) a passarem por ali, debaixo do arco, por cima de mim. Não tenho nenhuma imagem que transmita melhor o que senti: ali voam pássaros, ali por baixo, mesmo ali em cima de nós. 


E o que se pode dizer quando se está ali? Quase nada, efectivamente. Não interessam os "Qué frô" que tentam vender réplicas da torre de todos os tamanhos e feitios, enfeitadas como árvores de natal ou (sóbriamente?) douradas a imitar o original; não interessam os transeuntes que deambulam, os quinhentos turistas que por ali andam a tirar fotografias, nem sequer incomodam muito os soldados que andam aos três de automática em punho por entre a multidão: o que interessa ali não se passa ao nível do solo - está lá em cima, não interessa que não se passe nada, o que se passa passa-se lá em cima.


Nada está ali ao acaso: Não há nada demais nem nada de menos. A "abóboda" não fecha acima do arco na primeira plataforma, fecha na segunda. A treliça abre para deixar passar a luz e o vento e fecha-se para nos limitar o alcance dos sentidos, mas sempre muito longe, muito lá em cima.


 



Talvez seja só eu, mas há algo de absolutamente fascinante nesta torre. É toda uma Cidade que se encerra aqui (percebi-o mais tarde quando saí a pé para calcorrear o resto), é algo que tenho dificuldade em descrever. Mas para tudo o resto encontro sempre um termo de comparação, a Batalha, os Jerónimos, Mafra, há sempre algo que (salvaguardadas as devidas diferenças) me surgiu como termo de comparação a quase tudo o que vi. Menos para a torre. A Torre. Percebe-se porque não a quiseram destruir. E também se percebe o orgulho que têm em a terem construído.





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