Saturday, May 28, 2011

Das biclas:

A minha burra mais nova - esta aqui - já saiu aqui das redondezas um par de vezes. Deu para dar umas voltas ainda curtinhas... trintas e picos quilómetros, não mais do que isso. O suficiente para ficar com uma idéia mais ou menos aproximada do que poderá vir a ser... Mas antes, uma queda na realidade:
Peso: tipo "lastro". Não foi feita para ser a "Miss Levezinha" nem lá perto, e a seu jeito nota-se o resultado: entre os dois ficamos com uns bons 105 quilitos, e as subidas não deixam de mo relembrar.
Manobrabilidade: Após o treino desde que a terminei até agora, passou a ser bastante melhor. Um pouco melhor do que um John Deere a rebocar uma enfardadeira, dá uma volta de 180º na largura de uma rua. Novamente, em baixas velocidades a coisa torna-se um tudo-nada complicada, e a grande maioria das subidas implicam baixas velocidades...
"Motor": A posição reclinada é suficientemente diferente da posição vertical para obrigar à utilização de grupos musculares diferentes durante a pedalada - pelo menos assim dizem os espertos na matéria. Assim me parece a mim também, principalmente porque acabo por ter dores em músculos que nem sabia que tinha - aquela dor quente e ácida do cansaço precoce - e de que nunca precisei para pedalar... Isto apesar de confirmar que, de algum modo, esta posição parece favorecer o torque, o que indicia que ou melhorarei certamente a performance a breve trecho ou fico com o joelho direito "nas couves". À cautela vou utilizando abundantemente mudanças mais "levezinhas" e aproveito para trabalhar um pouco mais o músculo cardíaco, até porque com mudanças mais pesadas a coisa ainda não vai lá - para já falta-me o kit de pernas para aquilo, vamos ver com o tempo.
P'formance: um espectáculo. E tenho que fazer uma ressalva para o fora de estrada (não confundir com aqueles trilhos onde só se vai com uma btt toda xpto e um kit de unhas topo-de-gama: estou a falar de estradões de terra batida e gravilha, um ou outro atalho mais pedregoso e nada de lama nem de areia solta): porta-se lindamente. Em terra batida é muito boa, em gravilha é muito boa, creio que devido à geometria do quadro e à consequente distribuição do peso, e também ao conforto proporcionado pela grande distância entre eixos. Em caminhos mais irregulares, a partir do momento em que consiga manter uma velocidade mínima decente, porta-se muito bem. Em estrada asfaltada temos dois cenários: a) subidas, em que remeto para os comentários acerca do motor, e b) descidas e plano. Aqui... upa upa. Revela-se. Mesmo com um motor fraquinho, consegue prestações muitíssimo interessantes. Talvez daqui a uns meses consiga enfrentar as subidas ao nível do que consigo na btt, nessa altura escreverei acerca do assunto.
Estilo e classe: óbviamente que não é por aí além de estiloso andar pela rua montado num monte de ferro "home made" com uma forma esquisita e com um sofá em vez do selim quando ainda não se domina lá muito bem o bicho, mas um sorriso simpático disfarça bem a falta de jeito, e a curiosidade natural dos transeuntes ajuda ao resto. Como seria de esperar, dá nas vistas que se farta, e as reacções tendem a ser globalmente muito positivas. E é na atitude dos condutores que se nota mais isso: parecem-me mais pacientes e civilizados.
E agora, a eterna questão que não é de todo uma questão relevante: porque é que tão poucas pessoas aderem à utilização deste tipo de bicicletas? Eu diria, porque os modelos comerciais (ainda) são muito caros e porque é necessária muita paciência (e alguns neurónios) para construir uma, porque são menos práticas, porque são mais pesadas, porque exigem um período de adaptação, porque têm prestações inferiores durante o período de adaptação, etc etc etc e tal, o que restringe o utilizador típico de uma coisa destas a nichos muito específicos.

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