Saturday, September 10, 2011

Alentejo profundo.

Na mesa ao lado um casal que seguramente tinha deixado a nave espacial estacionada em segunda fila, ambos para lá de qualquer descritivo simpático. Algures a meio da refeição (mas podia ser ao início porque a comida deixou de ter sabor, ou mesmo ao fim porque fiquei sem apetite) sai-se o hominídeo com um novo teorema de geometria afectiva: "eles vão ter que reavaliar um relacionamento, tem que ser um mais um igual a ambos em vez de ser igual a dois". O vinho devia estar a escorregar bem, porque ela concordou. 
Na mesa do outro lado quatro retornados do Festival da Atalaia, ainda em estado gasoso. Um deles tinha lido "O Capital", mas não contou aos outros. Então ficou para ali a brilhar sozinho ante a admiração dos camaradas, seguramente menos dados a intelectualismos e a leituras complexas. Só lhe faltava a bola de cristal e uma data qualquer anterior a 2008 para conseguir o estrelato absoluto na categoria "Artes Divinatórias" barra "teorias da conspiração" do "eu bem te disse que ia ser assim, camarada, mas tu não me deste ouvidos". Dava para uma daquelas cantigas de intervenção.
Noutra ala, um grupo de professores. Em sessão comemorativa de sessão conspiratória, estiveram que tempos de volta da matemática afectiva da divisão da dolorosa. Um mais um igual a ambos, tal como tinha dito o Jetson na outra mesa (que entretanto já tinha saído).
Não me digam que fora de Lisboa não se passa nada. É preciso é estar no sítio certo.

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