Tuesday, December 6, 2011

Farróbadó

O que se diz:
O Ministério da Solidariedade e da Segurança Social tem um pópó novo. Ao que consta, um Audi A7 que custaria ao comum dos mortais qualquer coisa como 86.000 euros. O contrato terá sido fechado ainda pelo anterior executivo em regime de Aluguer Operacional de Viaturas, e o procedimento foi única e exclusivamente realizado pela Agência Nacional de Compras Públicas e não pelo Ministério agora tutelado por Pedro Mota Soares. Mais coisa menos coisa é isto.


Agora vamos ao que interessa reter:
a) O Ministério da Solidariedade e da Segurança Social (poderia ser um qualquer outro, mas calha a ser logo o Ministério responsável pelo quinhão do Orçamento que tem a seu cargo a Solidariedade e a Segurança Social) faz deslocar o seu responsável máximo numa viatura que custa tanto como muitas casas por esse País fora. Numa situação de crise profunda, recessão económica e com a taxa de desemprego OFICIAL acima dos 13%. Inqualificável.
b) Independentemente dito e não dito, o Estado que subtrai metade do subsídio de Natal a todos os Portugueses e os subsídios de Natal e de Férias à maioria dos funcionários públicos NÃO se pode desculpar com contratos blindados. Nunca. O único contrato blindado que o Estado tem é a Constituição e o contrato de boa-fé que deveria ser a norma na relação com os seus Cidadãos e Contribuintes, e se pode quebrar esse com a desculpa da crise, como já fez pode quebrar qualquer outro pela mesma razão. Inaceitável que não o tenha feito.
c) Ao que consta, a dita viatura teria sido adquirida não para um qualquer Ministro do anterior executivo, mas para um Secretário de Estado, de seu nome Carlos Zorrinho, que por acaso calha a ser actualmente o líder da bancada Parlamentar do Partido Socialista. Uma viatura de 86.000 euros para um Secretário de Estado é qualquer coisa muito para lá de abusivo, e retira qualquer moral à pessoa em questão para ser o líder da bancada do maior partido da oposição. Mas isto é só a minha opinião, e eu apenas valho um voto.
d) O que eu não vejo escrito em lado nenhum e oiço muito poucas pessoas dizer é isto: que o Estado, um qualquer Estado mas neste caso concreto o nosso Estado NÃO PODE adquirir viaturas de luxo para ninguém porque estamos em recessão, porque estamos em crise, porque esse mesmo Estado está a esmifrar os Contribuintes até às batatas e porque o exemplo tem que vir de cima, que um Estado que, pela palavra do seu Primeiro-Ministro diz que não podemos olhar para o passado e andar à caça das bruxas NÃO PODE trazer essas mesmas bruxas para o presente (e muito menos as contas que deixaram por pagar), e o governo, seja ele qual for, tem que perceber que o Estado somos NÓS, todos, Cidadãos e Contribuintes, e que o governo, seja ele qual for, é apenas o fiel depositário da nossa confiança na capacidade que deveria ter de gerir bem a "cousa pública". E sim, tem que caçar bruxas, porque andamos a pagar as contas que elas deixaram. 
Comecem a acender as fogueiras. Se não as acenderem agora por quem devem, alguém as acenderá para vocês.

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