Monday, February 28, 2011

Vale para aqui e para a vida "lá fora":

"Quem não tem cú não se arme em paneleiro".

Well, you can tell by the way I use my walk, 
I'm a woman's man—no time to talk. 
Music loud and women warm, I've been kicked around
Since I was born. 
And now it's all right. It's OK.
And you may look the other way. 
We can try to understand
The New York Times' effect on man.

Whether you're a brother or whether you're a mother, 
You're stayin' alive, stayin' alive. 
Feel the city breakin' and everybody shakin', people, 
Stayin' alive, stayin' alive. 
Ah, ha, ha, ha, stayin' alive, stayin' alive.
Ah, ha, ha, ha, stayin' alive.

Well now, I get low and I get high,
And if I can't get either, I really try.
Got the wings of heaven on my shoes;
I'm a dancin' man and I just can't lose. 
You know it's all right. It's OK.
I'll live to see another day. 
We can try to understand
The New York Times' effect on man. 

Whether you're a brother or whether you're a mother, 
You're stayin' alive, stayin' alive. 
Feel the city breakin' and everybody shakin', people, 
Stayin' alive, stayin' alive. 
Ah, ha, ha, ha, stayin' alive, stayin' alive.
Ah, ha, ha, ha, stayin' alive.

Life’s goin' nowhere. Somebody help me.
Somebody help me, yeah. 
Life’s goin' nowhere. Somebody help me, yeah.
Stayin' alive.

Well, you can tell by the way I use my walk, 
I'm a woman's man—no time to talk. 
Music loud and women warm, I've been kicked around
Since I was born. 
And now it's all right. It's OK.
And you may look the other way. 
We can try to understand
The New York Times' effect on man.

Whether you're a brother or whether you're a mother, 
You're stayin' alive, stayin' alive. 
Feel the city breakin' and everybody shakin', people, 
Stayin' alive, stayin' alive. 
Ah, ha, ha, ha, stayin' alive, stayin' alive.
Ah, ha, ha, ha, stayin' alive.

Life’s goin' nowhere. Somebody help me.
Somebody help me, yeah. 

Sunday, February 27, 2011

Mohenjo-Daro.



Agriões.

Hoje deu-me para este lado. Acordei torto. E andava há uma série de tempo para escrever sobre o assunto.
Vamos à raíz da coisa. Quantas pessoas vivem realmente em Lisboa? Quero dizer, fora dos bairros sociais, vá (a Alta não se qualifica, apesar de ter um ou dois condomínios fechados, tudo aquilo é um bairro social, sejamos realistas). Lisboa, Lx, quantas pessoas? Pouquíssimas, admitamos. Um par de dúzias, vá. Alfacinhas de gema, vestígios. Esses venderam os anéis e os dedos e foram para a periferia. A Cidade é pouco amiga de quem lá vive. Mas dá-se bem com malta de Odivelas, da Amadora, da Buraca, de Sacavém e da Bobadela, de Caxias e alguns quantos de Vale de Milhaços de Belverde e da Quinta da Princesa. A malta rasca, mas aqueles mesmo rascas (como eu) andam de transportes, estou só a falar dos que andam de pópó. E é uma pipa de gente. Voltava eu hoje do trabalhito (lá está, é para o PIB, Engenhêro) e... a ponte 25 de Abril atascadinha de latas, a praça das portagens atascadinha de latas, a A2 atascadinha de latas até ali aos Foros, e a EN378 atascadinha até ao fim de Fernão Ferro. 
E para onde ia toda esta boa gente, disposta a prescindir de um bom par de horas (na melhor das hipóteses) antes de se sentir mínimamente perto de casa, depois de um assalto à mão armada nas portagens para terminar um dia solarengo bem passado na província (na companhia da sogra, leia-se)? Bem, iam para Lisboa. "diz que" voltavam para casa. Mas, bem feitas as contas, em Lisboa há muito pouca gente. Há muito poucos alfacinhas, mesmo contando com as importações - e os modelos importados mais "radicais" ficam-se ali pelo eixo Cais-do-Sodré/Linha Verde aos fins-de-semana. Logo, esta malta vai no sentido de Lisboa mas é só para disfarçar porque não vivem lá - não são alfacinhas, mas sim agriões suburbanos, vindos em magotes lá dos arrabaldes onde vivem e que ficam invariavelmente  para lá de onde judas perdeu as botas para passar um dia de sol e qualidade de vida no trânsito. Autênticos agriões suburbanos sim, malta que gosta de viver apinhada em prédios onde o vizinho do décimo-frente-frente tem todas as razões para se queixar dos traques do vizinho do segundo esquerdo-frente porque os consegue cheirar com um delay de menos de três segundos em relação ao som - e  como tal, decidem todos ir passar os fins de semana e as férias aos mesmos sítios porque estão sempre em cima do acontecimento que é a vida dos outros agriões lá da paróquia. Inclusivamente têm o hábito de ir passar a lua-de-mel aos mesmos sítios (pelas mesmas razões): Cancún, Punta Cana, Salvador e Jericoacoara (para os mais esclarecidos). Depois trocam fotos uns com os outros e falam da malta amiga que conheceram por lá, e que deve estar fartinha dos besuntas que lhes aparecem vindos deste lado do oceano. Um agrião prestigiado tem sempre tantos vizinhos que pode viver no mesmo prédio desde os vinte anos até à idade da reforma sem nunca ter sido administrador do condomínio. Típicamente perde mais tempo de vida à procura de lugar para estacionar a lata à porta de casa do que nas três horas diárias que passa no trânsito, com a excepção do fim-de-semana em que os valores duplicam.
Este agrião suburbano, senhoras e senhores, gasta no seu pópó (que é só dele) o que não quis gastar na casa onde mora toda a família, mas se a qualidade do pópó fosse directamente proporcional à qualidade do agrião que se senta atrás do volante, em vez de um automóvel teríamos apenas um tapete com rodinhas de skate. 

Somewhere over the rainbow


Somewhere over the rainbow
Way up high
And the dreams that you dream of
Once in a lullaby
Somewhere over the rainbow
Blue birds fly
And the dreams that you dream of
Dreams really do come true
Someday I'll wish upon a star
Wake up where the clouds are far behind me
Where trouble melts like lemon drops
High above the chimney top thats where you'll find me
Oh somewhere over the rainbow blue birds fly
And the dreams that you dare to, oh why, oh why can't I?

Cimeira das Lages

Nesta foto podemos observar Durão Barroso a confraternizar com George W. Bush, passando a idéia de que Portugal se dá com terroristas sanguinários...


Thursday, February 24, 2011

...

"The strongest reason for the people
 to retain the right 
to keep and bear arms is,
 as a last resort,
 to protect themselves
 against tyranny in government." 

Thomas Jefferson

Wednesday, February 16, 2011

"Não acredito"

"Não é possível. Nós somos a força de trabalho deles. Nós somos muito importantes para eles. Eles não nos podem fazer isso, nós somos muito importantes para eles". Respondia assim uma mulher, sentada no beliche, a uma outra, que no beliche ao lado, contava como tinha ouvido "a alguém que ouviu de alguém que lá esteve". Lá, em Awschwitz, onde diziam às pessoas "para não pararem de respirar para ficarem bem desinfectados". O contraponto deste acto de fé vinha pela boca da criada do comandante do campo: não sabia como tinha que se comportar, como tinha que responder, o que tinha que fazer para garantir a sobrevivência. Nada era garantido, nada era um dado adquirido. O destino vagueava ao arbítrio da vontade de um homem, e nada mais.


Voltei a ver anteontem Lista de Schindler, por mero acaso. E voltei a interrogar-me em relação a umas quantas coisas - independentemente da profundidade dramática da personagem principal e do maior ou menor empolamento da realidade, o que me continua a impressionar mais é o realismo com que todo o cenário se desenrola, o contraponto entre a humanidade e... como em determinado ponto um oficial Nazi refere "Já não é uma questão de convicções, agora é política". Talvez ajude a entender o distanciamento da realidade que hoje também nós vivemos. A nossa capacidade de fugir ao óbvio.
Last but not Least: e o Aristides Sousa Mendes?

Tuesday, February 15, 2011

Um vírgula quatro:

Uau.
Estamos a pagar os juros da dívida pública a 7,5%. A dívida pública, que é a diferença entre o que o Estado ganha e aquilo que gasta.
o PIB cresceu 1,4%. O Primeiro Ministro vem dizer (sem se rir muito) que é um bom resultado.
Fodasse.
Vamos privatizar o Governo. Se o Governo fosse privado, uma luminária destas era despedida em três tempos, e com JUSTA CAUSA.

Cheque careca pré-datado.

É a imagem que me ocorre quando oiço falar na moção de censura a apresentar pelo BE.
Conclusões:


O Camarada Louçã afinal é do PS e acredita que é do Governo, mas não sabe de qual. O Camarada Sócrates há muito que deixou de ser do PS mas ainda não percebeu muito bem o que é isto de "Governo". Há camaradas do Camarada Sócrates que acreditam que ainda são do PS apesar de estarem no Governo, mas não o dizem em voz alta para não importunar o Camarada Sócrates. O Camarada Bernardino sabe que é do PC, mas não sabe muito bem onde é que o PC anda (quando sai da Atalaia sem supervisão, perde-se pelo País profundo e não há quem o encontre). O Camarada Portas (o das feiras, não o outro) acredita que já está no Governo, não sabe ainda onde. O Camarada Passos não quer acreditar que vai ser Primeiro-Ministro porque não sabe onde vai encontrar um Governo.

Assim muito de raspão:

Parece (parece, alegadamente) que um grupo de deputados (alegadamente) do PS, terá alegadamente entregue uma merda qualquer (petição, ou lá o que alegadamente é) não faço muito bem idéia a quem, e cujo objectivo (alegadamente) é vender combustíveis low-cost em zonas fronteiriças.
(Risada prolongada).
O Estado - pela mão do Governo - que alegadamente é do PS, mas também nem sequer temos a certeza disso, carrega os combustíveis com impostos absurdos. Mas cria situações de excepção quando não consegue garantir o monopólio.
Explica muita coisa. É a economia, estúpido!

Thursday, February 10, 2011

Da geração rasca para a geração parva:

Amigos:
Nada disto é uma qualquer amostra de ensinamento; são apenas constatações.
A vida é dura, mas é assim mesmo. A geração rasca - ainda que não saiba muito bem onde começa e onde acaba, mas sei que é a minha geração, a geração que andava nas faculdades lá pelo início da década de 90 - ainda o foi aprendendo. Fui às primeiras manifestações contra as propinas porque não concebia um establecimento de ensino superior onde os alunos tivessem que custear o material das aulas práticas e onde os volumes mais recentes da biblioteca datavam da década de 70. Não fui às últimas, caríssimos, porque se o pessoal tinha dinheiro para ir de pópó para a faculdade/universidade/instituto superior coiso (que era o meu caso), se calhar as coisas não eram exactamente o que pareciam. Porque na tal geração rasca - e à rasca - que eu conheci, íamos em bando a pé desde o apeadeiro do combóio até para trás de onde judas perdeu as botas, em magote, para poupar um módulo da Carris. Não íamos de pópó, íamos de transportes porque éramos uns tesos, apesar de ser longe como tudo e sempre a subir. O dinheiro nem sempre sobrava para o almoço na cantina-maravilha (prato principal: bife à "James Bond" - leia-se "frio, duro e com nervos de aço"), depois das fotocópias e das sebentas. Os manuais técnicos (típicamente da Mcgraw-Hill) vinham em Inglês porque eram bastante mais baratos do que a versão Brasileira. E a malta aproveitava as férias de verão para trabalhar, para ganhar uns cobres para sustentar os vícios e as extravagâncias ao longo dos outros onze meses do ano. E atenção que nada disto pretende ser lírico ao ponto de dizer que nessa altura é que era bom. Era uma merda. Cheguei a ficar duas horas à espera de combóio (obrigado CP pelos horários maravilhosos), cheguei a vir pendurado em quem já vinha pendurado na porta em dias de greve, passei muitos dias a almoçar depois das 16, a aguentar o dia só com o pequeno almoço (e estava a pé desde as 6). Mas vamos lá a deixar de tretas. Não passei fome, foi uma opção minha - porque tive que aprender a optar e a fazer escolhas. Tal como optei por não acabar o curso, porque comecei a trabalhar e não quis estudar só para ter um canudo que não me serviria para nada cá fora - a não ser para levar com o prefixo Eng. a estragar o nome. Foi uma decisão minha, foi um risco que decidi correr. E hoje tenho a minha vida, boa ou má mas é óptima porque é a minha e porque não devo nada a ninguém. O que não signifique que não esteja agradecido a umas quantas pessoas com que me cruzei ao longo dos anos ou com as quais tenho partilhado alguns dos anos.

Há uma diferença grande entre o que era a norma e o que é a norma. Hoje é mais fácil usufruir de recursos que não conseguimos sustentar. Vive-se a vida a crédito, nem que seja dos pais. Não me vão dizer que o gajo que tem um A3 ou um Golf aos 18 anos ganha para sustentar o pópó. Também não me vão dizer que um adolescente ganha para comprar telemóveis de 500 érios todos os anos. Se calhar a questão começa por saber quanto custa andar na moda hoje em dia, entre marcas de carros, de roupas, de calçado, de gadgets e outros acessórios e sem esquecer os restaurantes, bares e discotecas da moda. Pois. É tudo, não é? A merda toda é aprender a sustentar isto depois de nos termos habituado a não viver sem isto. E já não é só o Carlos que faz isso porque os pais são cheios "da nota" e ele está no Instituto "Estância de Férias" Superior de qualquer coisa a tirar um canudo de Dr.  em coisa nenhuma porque está garantido no negócio do pai; agora todos querem ter o carro do Carlos, a casa do Carlos, o telemóvel do Carlos, andar vestidos como o Carlos e fazer a vida que o Carlos faz, mas... Não são o Carlos. Temos pena mas é assim.
E já agora uma outra questão assim daquelas que não interessa a ninguém. Quando eu andava a estudar, o tasco tinha cinco cursos de Engenharia (Civil, Máquinas, Química, Electrotécnica e Electrónica). E era um Politécnico. Agora parece que tem uns trinta e muitos cursos. Não faço idéia da mais-valia que constituam, mas... E isto para chegar ao cerne da questão: "Olá, eu sou o Alberto, tirei uma licenciatura em ornitologia e um Mestrado no vôo do abelharuco de dente-de-sabre. Não consigo arranjar emprego e não percebo porque é que ninguém me quer empregar".
Alberto: o teu problema é que há quinhentos gajos com o mesmo curso que tu e com o mesmo mestrado que tu fizeste. Desses quinhentos há dois que estão empregados: um na Câmara Municipal de Alguidares de Baixo - porque o pai é o Presidente lá do burgo e meteu uma cunha para o rebento ir para lá - e um outro que foi para Espanha e está a trabalhar num Parque Natural. Mas esse gajo queria mesmo aquele curso e aquele mestrado por vocação. Os outros 499 foram para o que era mais fácil. Um safou-se porque tinha uma cunha, os outros não. E o problema dos "Albertos" que acham que estão a ser prejudicados por quem é "efectivo" é que um dia, se puderem fazem bem pior.

Pá... Lamentamos mas a vida não é fácil. Alguns de nós aprendem essa parte antes. O que me impressiona é a quantidade dos que chegam à idade de se fazerem gente e ainda não descobriram isso. E eu pergunto-me: que capacidade tem uma alminha que acha que o mundo lhe deve tudo para chefiar/coordenar/liderar uma equipa? Seja em que tarefa for? No entanto foi para isso que tiraram o "canudo", certo?

Algo está muito errado aqui.

Salazar Vs. Sócrates:


Do “Deus, Pátria e Família!” do Estado Novo  ao  “Adeus, Pátria e Família!” do Socialismo.

Wednesday, February 9, 2011

Um País fora de série governado por um bando de #$%&"# dá nisto:


Duas a três vezes por mês, repete a rotina, tal como as suas colegas da Câmara de Almeida: ir a Fuentes de Onoro encher o depósito do carro, comprar gás e artigos de mercearia. "Se eu pudesse, até a luz comprava em Espanha", afirma Vanda Albuquerque. Somados todos os cêntimos, garante que estas viagens representam uma poupança anual na economia doméstica próxima dos €1000.
Do lado português, no caminho para Vilar Formoso, o dono do posto de combustível IDA fica a vê-las passar. "Aqui só vendo algum gasóleo agrícola e abasteço os carros do grémio e dos bombeiros. Se tiver sorte, para alguém para meter €5 de gasolina, só para chegar à fronteira", lamenta Domingos Amaral, que já desistiu de vender gás e teve de fechar o café.
No posto da Galp em Fuentes de Onoro, o movimento de carros de matrícula portuguesa é constante. Ligada ao supermercado e ao restaurante Gildo, a marca petrolífera lusa apresenta empregados portugueses e preços "à espanhola", como comentam os condutores, incapazes de compreender como é que se paga aqui €1,209 por litro de gasolina, quando no posto seguinte da Galp junto à Guarda custa €1,509.
Ir ao talho a 'Valencita'
Mais a sul, em Villanueva del Fresno, as alentejanas Maria Bugalho e a filha Olga carregam o carro com sacos de compras. "O que a gente leva é tudo marca nossa, portuguesa, e aqui é mais barato, como é que pode ser?", interroga-se Maria, que leva paletes de leite gordo Vigor a 49 cêntimos o litro "que lá custa 80", ou meio quilo de café Camelo a €2,99 "que lá compro a €4,75". Em Reguengos de Monsaraz, onde vivem, são muitos os que vêm aqui fazer compras. "Valha-me Deus, tem de ser. Frango, champôs, detergentes, é tudo mais barato. O IVA lá está tão alto, e os ordenados uma miséria".
O dono do supermercado Curro constata que o afluxo de portugueses se acentuou com os últimos aumentos de IVA. "Está a vir muita gente de Portugal, asseguram 60% das nossas vendas", adianta Francisco Ríos Farias. "Antigamente, vinham cá comprar produtos de elite, caramelos ou chocolate Cola Cao. Agora fazem as compras gerais, levam açúcar, leite e papel higiénico".
Aos sábados, Villanueva del Fresno enche-se de portugueses e a bomba Repsol é paragem obrigatória. "Vêm também muito mudar pneus e baterias", assegura o dono, Javier Montero.
O talho de Florencio Linares, na pequena aldeia Valencia del Mombuey - "Valencita", como dizem os habitantes de Amareleja ou Barrancos, que lá vão regularmente -, é famoso em quase Portugal inteiro. "Trabalho muito com a indústria, só hoje recebi 50 chamadas de Portugal", garante Florencio. Os portugueses compram ali "agora de tudo, do caro ao barato", desde entrecosto a €1 o quilo a presuntos belota, tudo de porco preto.
O afluxo de portugueses é a justificação económica da bomba de 'Valencita', cujo negócio vai de vento em popa. "Procuramos ter um produto português, da Galp, para os portugueses o aceitarem. Aqui o gás custa €13, lá é quase €26, mas é o mesmo", salienta o dono, José Nunez.
Senhor Serafim vai de Viana a Tui
Na fronteira Valença-Tui, as autoridades galegas admitem que passam ali perto de 150 mil viaturas por mês, para compras, lazer ou trabalho. A maioria vai ao gás e aos combustíveis.
A jovem que atende no pequeno posto de gasolina do outlet Center Fashion, em Tui, não tem mãos a medir. As matrículas portuguesas dominam, mas os galegos também gostam de fazer o desvio por causa do preço, quatro cêntimos mais barato (€1,225 a gasolina, €1,176 o gasóleo). "Sim, é frequente os portugueses encherem bidões. Às vezes, são três ou quatro", refere.
Na mala do seu Opel Corsa, o senhor Serafim acomoda duas botijas de gás e dois bidões de gasolina, depois de atestar o depósito com 42 litros. Acompanhado da esposa, todos os meses cumpre este ritual. O reforço da dose em 20 litros nos bidões tem uma explicação prosaica: "Somos de Viana do Castelo, não podemos andar a correr para cá muitas vezes". No raio até Caminha, é compensador encher o depósito na Galiza, mas Viana já fica a 100 km. O senhor Serafim não sabe ao certo quanto poupou, mas as contas são fáceis: €36, somando a economia obtida nas botijas (€19) e na gasolina (€17).
No parque de estacionamento do hipermercado Haley, um em cada dez carros é português. "Os portugueses atacam mais ao fim de semana", diz a operadora de caixa. O casal Benjamim e Natércia Fernandes são clientes regulares e acabaram de gastar perto de €40, estimando em €10 a poupança induzida.
"Óleo, detergentes, produtos de limpeza e higiene são muito mais baratos", sustenta Natércia. "Além do IVA inferior, aqui têm sempre muitas promoções. Mas noto que os preços deste lado também levaram uma puxada", diz Benjamim. O casal prefere comprar parte dos produtos no Lidl em Valença pois as cadeias de distribuição dos dois lados da fronteira praticam preços muito aproximados.
Os bombeiros de Valença fizeram as contas aos combustíveis e concluíram que podem poupar €30 mil por ano com o contrato que celebraram com um posto galego da Shell. Mas nem sempre o combustível é mais barato em Espanha, e um caso emblemático é o posto do Intermarché em Valença, onde o gasóleo está a €1,199, valor inferior ao da generalidade dos postos espanhóis (€1,216).
Também no Algarve, rumar a Espanha é habitual. Ao chegar a Ayamonte, não é preciso esperar muito para ver chegar portugueses, a abrir a bagageira e carregar botijas de gás - algo que a lei não permite mas a que a necessidade obriga.
Anabela Cunha, que trabalha em Portugal mas escolheu viver em Ayamonte por causa do preço das casas, afirma que serão milhares de pessoas a fazê-lo, apesar de arriscarem a multa. "Toda a gente carrega gás de Espanha, até os GNR fazem isso para consumo próprio", afiança.
Lúcia Silva, que costuma ir de Quarteira a Espanha fazer compras numa base quinzenal, não compreende como o Governo português pode ser tão rígido na política fiscal. "Eu faço-o como forma de protesto, porque o Estado pensa nisto de forma muito vertical e não no impacto indireto que tem na economia", defende. "As pessoas pensam que lá é tudo mais barato por causa do IVA, e por arrastamento acabam por comprar coisas que até nem são, enquanto por cá há gente a ir para o desemprego e milhares de litros de combustível que não se vendem".
O IVA a 18%, contra 23% em Portugal, contribui para a ideia de que os preços são sempre melhores em Espanha. "Nas marcas tradicionais sim, mas hoje em dia com as marcas brancas em Portugal, acho que já não compensa", considera Anabela Cunha.
Assiste-se agora ao fluxo inverso: os espanhóis a invadirem lentamente os supermercados portugueses junto à fronteira. "Sim, nós aqui encontramos produtos mais baratos", confirma Josefa Mora, que veio com as filhas de Lepe, a 20 km, ao Pingo Doce de Vila Real de Santo António. "Dizem que a fruta é muy buena e as berduras muy bonitas", graceja Maurício, o empregado de frescos. "Eu era pequeno e já eles vinham cá, lembro-me das espanholas cheias de sacos, que vinham comprar lençóis, e ouvir nas ruas: Sábanas, sábanas!". Esses tempos acabaram, mas o comércio transfronteiriço em busca de melhores preços de ambos os lados do Guadiana, esse está para durar.
Portugal perde €1000 milhões
Entre "postos de trabalho diretos e indiretos, Portugal perdeu 20 mil empregos e deixou de arrecadar €1000 milhões". Este é o balanço feito pelo vice-presidente da Associação Nacional de Revendedores de Combustível (ANAREC), António Amaral, relativo ao efeito da deslocalização dos abastecimentos de combustível para Espanha. "Fecharam 400 postos de abastecimento localizados perto da fronteira em Portugal, porque os consumidores nacionais passaram a abastecer-se de combustíveis em Espanha - onde compram gasóleo, gasolina e gás engarrafado -, poupando assim muito dinheiro por mês", refere António Amaral.

"Um agregado familiar de cinco pessoas que gaste quatro botijas de gás por mês poupa mais de €50 mensais se comprar as botijas em Espanha", acrescenta. É que uma 'bilha' de gás custa cerca de €26 em Portugal quando em Espanha ronda os €13. As diferenças de preços no litro de gasóleo rondam os 17 cêntimos a menos em Espanha e a gasolina custa menos 26 cêntimos por litro. "Perdemos receitas fiscais em IVA e em imposto sobre produtos petrolíferos, além de perdermos negócios de consumo paralelos e postos de trabalho indiretos nas áreas de manutenção, limpeza, segurança, informática, e todas as áreas que deixam de operar quando é encerrado um posto de abastecimento", diz o vice-presidente da ANAREC.

"Isto é caricato, porque Portugal quer instalar portagens nas SCUT para arrecadar uma receita de €300 milhões, mas depois, devido a uma estratégia fiscal desastrosa nos combustíveis, acaba por perder os €1000 milhões que são deslocalizados para Espanha, o que é três vezes mais que a receita pretendida com as portagens nas SCUT", comenta o vice-presidente da ANAREC. O poder de compra espanhol é cerca de 25% superior ao português. Segundo os últimos dados do Eurostat, enquanto o produto interno bruto (PIB) per capita em Portugal representava 80% da média da União Europeia em 2009, Espanha estava acima da média com 103%. Embora com um IVA inferior e preços de vários bens abaixo dos portugueses, a economia espanhola tem um nível de preços ligeiramente superior.

Os preços de bens como alimentos, bebidas ou tabaco em Portugal representam 92% da média europeia, num ranking liderado pela Dinamarca, e em Espanha estão em 97%. Uma diferença menor que a distância que separa o nível de remunerações nos dois países vizinhos. O salário bruto médio em Portugal ronda os €1200 (números de 2006, últimos disponíveis do Eurostat), ao passo que em Espanha está nos €1600.

Tuesday, February 8, 2011

Pensamentos pós-grevistas e anarco-coisos:


O Metropolitano é de todos.
Destrói a tua parte.

Lebensraum


O meu metro quadrado é sagrado.
Não lhe toques.

Monday, February 7, 2011

Death In Vegas


I Spy

Greve do Metro

Eu devo ser um bocado asno, porque não entendo de que forma é que uma greve matutina consegue angriar simpatias dos utentes para a causa dos funcionários do Metro de Lisboa. Não prejudica quase nada a empresa, prejudica brutalmente os utentes, e faz dos funcionários uma cambada de madraços que não fazem ponta del corno aos olhos de quem paga o passe e tem ainda tem que pagar a alternativa ou deixar que lhe saia do pêlo. Ora... resolvi incluir-me no segundo grupo por razões de preferência pessoal. É que apesar do nevoeiro cerrado na banda de lá do Tejo, nesta margem o dia nasceu (quase) limpo. E a caminhada ainda deu para tirar algumas fotos.




A minha "burra":

Pois é. Nunca tinha deixado aqui nenhuma foto da bixinha, ficam aqui duas tiradas um destes dias no Cabo Espichel. Ok, diz "decathlon" no quadro e não tem nem travões de disco nem suspensões todas XPTOses, não tem um avanço de guiador com um daqueles nomes de realeza nem sequer tem um bocadinho que seja em fibra de carbono. O espigão do selim não é "de marca", os travões são os de origem e nada ali tem pedigree. Lamentamos profunda e sentidamente. Não tem nada daquelas coisas caríssimas e que enchem o olho de quem percebe do assunto. Mas anda. Se anda bem? Depende dos dias, o "motor" nem sempre está na melhor das formas. De vez em quando faz umas médias interessantes... Não mais do que interessantes. Mas o mais importante - e o que faz com que valha mesmo a pena - é que já me levou a conhecer sítios espectaculares, que de outra forma nunca teria conhecido. 



A culpa não morrerá solteira!

Não desta vez!
Identifiquei a massa anónima de eleitorado flutuante que não vota nem bem à esquerda nem bem à direita e que é responsável pelos descalabros eleitorais dos últimos trinta anos! E vivem todos juntos, aqui:



Friday, February 4, 2011

Lusíadas, Sec. XXI


                         I


As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo aquilo que lhes dá na gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se de quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!


                          II


E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas.
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!


                        III


Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano.
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.


                        IV


E vós, ninfas do Douro onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!



Recebido pela via do costume... Não faço idéia de quem será o autor, mas fica a singela homenagem...

Na terra dos Faraós



O mundo está a mudar. Na terra dos Faraós, que é mesmo ali ao lado. Já existia antes de a Europa saber que tinha um nome. Tunísia, Egipto, Argélia, Jordânia, Iémen... O mundo está a mudar, por causa de pessoas como nós. Não sei se está a mudar para melhor, mas está a mudar. E na Europa, teremos que aprender a olhar para este mundo que agora se começa a desenhar sem idéias pré-concebidas.
Lamentavelmente não temos líderes à altura disso. Preferimos continuar a olhar para os nossos umbigos.

Wednesday, February 2, 2011

Parabéns, puto!