Friday, April 29, 2011

Paris

Paris revelou-se uma cidade deveras interessante, onde um dos seus símbolos máximos tem um pequeno (grande) espaço de homenagem ao seu criador


Que mantém vivos os sinais e os símbolos de um passado não tão recente quanto isso



E onde se percebe fácilmente que a diferença entre um criminoso sanguinário e um grande Imperador reside acima de tudo no ponto de vista (ou do lado da barricada em que nos encontramos)






A História nem sempre se escreveu na ponta das baionetas. Por vezes foi com um traço mais grosso.










Podia ser outra cidade qualquer?
Podia, mas não era a mesma coisa.

Thursday, April 28, 2011

Miss chuveiro

Fui só eu a achar que o Ferro Rodrigues devia ter continuado na OCDE em vez de se vir cuspir para o nosso espaço hertziano?

Upgrade: OSS.

Após diversas experiências e tentativas frustradas, prescindi de vez do sistema de direcção original, culpa de uma falha grave de projecto. Na realidade o sistema de rolamentos que utilizei não era de todo funcional, e após alguns minutos de utilização começava a apresentar folgas que o tornavam de todo impraticável. Para já, e dada a falta de uma boa idéia para resolver o problema, decidi pelo upgrade menos óbvio: montar um guiador (mais ou menos) tradicional. E ficou assim, como testemunham as fotos. Mais ou menos na mesma, mas com uma "volumetria" algo diferente. Deixou de ser "one of a kind" aqui na paróquia dado que o Frederico tem uma igual parecida. Mantém-se tudo o que disse: a manobrabilidade é a de uma escrivaninha Luís XIV com rodas, tem o peso de um piano de cauda e é linda como o Shrek. Mas é um espectáculo. Quer estrada, quer papar milhas, quer rolar. E mantenho tudo o que disse em relação ao conforto. Absolutamente fantástico.


A escolha do conjunto de rodas 20"/26" não foi casual: o objectivo era ter a pedaleira ao nível (aproximado) do assento. Pareceu-me um bom compromisso entre manter uma área frontal não muito grande sem contudo correr o risco de terminar com uma geometria desconfortável - o que acabaria seguramente por remeter este magnífico exemplar para a prateleira das coisas não utilizaveis. 




O assento foi roubado à irmã mais velha (agora defunta) e recauchutado. Está ligeiramente menor, mais leve e bastante mais robusto - duas placas de contraplacado de 5mm entremeadas com duas camadas de fibra de vidro, com mais duas camadas de fibra de vidro e duas de fibra de carbono em cada uma das faces. O objectivo era não necessitar de apoios adicionais na zona do encosto, estando apenas preso ao quadro por dois parafusos de 6mm. O tubo do guiador foi dobrado à mão e soldado a título mais ou menos definitivo, os acabamentos  nesta zona para já não estão ao nível do resto. Quando comecei este projecto ainda não tinha uma idéia definitiva para o sistema de direcção, pelo que decidi ser um nadinha mais tradicional e aumentar o ângulo do eixo de direcção, não se fosse dar o caso de precisar de um guiador mais tradicional.



Os componentes são todos standard e "roubados" ao BTT: com uma bicicleta tão pesada pareceu-me razoável optar (pelo menos numa fase inicial) por um conjunto que permitisse enfrentar as subidas com alguma confiança. 



Estou a aprender a "pilotar" a bichinha, não é de todo pacífico - a geometria da direcção e o recuo do guiador são autênticos desafios a quem quer contrariar a lei da gravidade naquelas duas rodas... O equilíbrio a baixas velocidades ainda é complicadote, e para não passar demasiadas vergonhas, a auto-aprendizagem tem sido feita após o lusco-fusco, mais ou menos aqui por perto da porta de casa - até porque ainda não tem luzes. 
Extras: tem protecção de corrente (o verde-mangueira não engana: foi mesmo feita a partir de um metro de mangueira de jardim), um guarda-lamas traseiro - falta o dianteiro, fica para um destes dias (a ver), já tem a plataforma e os alforges, que abençoadamente estão providos de reflectores... tudo afinado ao melhor que consegui, tudo a funcionar. Estou a tratar do "motor". E de uns cabos que consigam ir do guiador ao travão traseiro - e pior, ao desviador, para não ficarem como estão actualmente, a fazerem um atalho entre o guiador e o quadro.
Um outro dado importante: tal como aparece nas fotos, pesa 14,5 Kg. Surpreendente, pensei que seria um pouco mais - uns 3 ou 4 Kg a mais.

Sunday, April 24, 2011

Paris Eiffel

Fui recomendado por quem conhecia. A bem dizer, apenas uma alminha me disse que não tinha gostado da cidade. E fui. E à chegada, Paris não é uma cidade assim tão impressionante, principalmente quando aterramos no Charles de Gaulle e percorremos o subúrbio - bastante banal, por sinal - para entrar na dita cidade. Bem, à luz do fim da tarde a Cidade-Luz não é ofuscante por aí além. Ainda para mais porque o tempo estava Londrinamente farrusco. Já estava portanto o je a tirar medidas  ao alguidar para avaliar o tamanho da banhada que ia levar, dado que até ali NÃO era diferente de nenhuma das (muito poucas) Cidades que conheço quando... a noite caiu - ou caiu a noite. E foi mais ou menos assim que a vi pela primeira vez: Distante e sem termo de comparação.


Ao longo do caminho, do Champ de Mars, foi surgindo assim. E a esta distãncia percebe-se a beleza e a elegância, mas ainda nada mais. Dá assim a modos que ares de um farol folclórico plantado no meio da cidade, e vamoláver...


E a caminho do indo lá ver, cada vez mais se percebe algo que não é exactamente evidente no início do percurso: aquele tal farol folclórico - acreditem, se fosse em Amsterdam teriam feito passar um farol folclórico por uma torre Eiffel, uma estátua da Liberdade ou pela grande muralha desde que isso desse dinheiro - e daí a minha observação anterior, mas dizia eu, aquele farol folclórico não é nada disso nem de perto nem de longe, a perspectiva engana, toda a perspectiva engana, a noite e o céu enganam, aquilo é um embuste montado à distância, porque quanto mais nos aproximamos mais esmagadora se torna:


E paradoxalmente sem perder a elegância da forma. Estou perante um monumento que não tem qualquer utilizade prática, não passa de uma pilha de metal erguido ao ego do homem, e contudo... E contudo é inigualável. E quanto mais nos aproximamos mais tudo aquilo se torna impressionante.


Seguramente haverão umas quinhentas mil fotos da torre, tiradas do pilar ponto cardeal X com esta mesma perspectiva. Tenho pena que não consiga apanhar tudo o que vi ali. Mas fica na mesma:



E aqui chegados (apetece dizer "Senhoras e Senhores"), cai a ficha. Não há hipótese alguma: Isto, em si, é absolutamente incomparável, é único, é feito de um molde que foi partido à nascença. Seguramente o expoente máximo da construcção em treliça de ferro, seguramente esmagador, seguramente incomparável. E correndo o risco de parecer um pacóvio encandeado pelo barulho das luzes, só me lembro da imagem de ver pássaros (pombos, muito provavelmente) a passarem por ali, debaixo do arco, por cima de mim. Não tenho nenhuma imagem que transmita melhor o que senti: ali voam pássaros, ali por baixo, mesmo ali em cima de nós. 


E o que se pode dizer quando se está ali? Quase nada, efectivamente. Não interessam os "Qué frô" que tentam vender réplicas da torre de todos os tamanhos e feitios, enfeitadas como árvores de natal ou (sóbriamente?) douradas a imitar o original; não interessam os transeuntes que deambulam, os quinhentos turistas que por ali andam a tirar fotografias, nem sequer incomodam muito os soldados que andam aos três de automática em punho por entre a multidão: o que interessa ali não se passa ao nível do solo - está lá em cima, não interessa que não se passe nada, o que se passa passa-se lá em cima.


Nada está ali ao acaso: Não há nada demais nem nada de menos. A "abóboda" não fecha acima do arco na primeira plataforma, fecha na segunda. A treliça abre para deixar passar a luz e o vento e fecha-se para nos limitar o alcance dos sentidos, mas sempre muito longe, muito lá em cima.


 



Talvez seja só eu, mas há algo de absolutamente fascinante nesta torre. É toda uma Cidade que se encerra aqui (percebi-o mais tarde quando saí a pé para calcorrear o resto), é algo que tenho dificuldade em descrever. Mas para tudo o resto encontro sempre um termo de comparação, a Batalha, os Jerónimos, Mafra, há sempre algo que (salvaguardadas as devidas diferenças) me surgiu como termo de comparação a quase tudo o que vi. Menos para a torre. A Torre. Percebe-se porque não a quiseram destruir. E também se percebe o orgulho que têm em a terem construído.





Viagens:

Tenho algures umas fotos para largar aqui pelo pasquim. Mais daqui a um bocado...

Thursday, April 21, 2011

Actualidades:

Pedro Silva Pereira, o ex-Ministro daquela pasta de que não me lembro, aquele açude de conhecimentos tácitos, aquela sequóia exemplo de rectidão, o paladino da transparência e do bom relacionamento constitucional, aquele verdadeiro alguidar repositório de boas práticas, arengou novamente às massas. Fala exactamente como o seu mentor, o Engenheiro. Até mete medo. Nem se percebe bem o que diz.
Parece que o PS está à frente nas sondagens. Este PS, que aclamou em quase unanimidade o Engenheiro, que dá valor a personagens telenovelísticas como o ex-Ministro que fala como o Engenheiro arrisca a vir a fazer parte - mais uma vez - do Governo do País.
Alguém está apostado em que eu emigre, só pode...

In-cre-du-li-da-de:

Isto veio da boca do gajo que queria fazer do Campo Pequeno um Circo ao estilo romano, com areia empapada do sangue dos fascistas. E pode querer dizer uma de várias coisas: a) bateu com a cabeça e ainda não foi diagnosticado, b) com a idade veio-lhe alguma utilidade ao conteúdo do crâneo, c) esteve em Marte desde 1974, d) outra coisa qualquer, z) ponham-se a pau porque ainda há por aí muita G3 escondida.

Tuesday, April 12, 2011

Perdoem-me a vulgaridade...

Estava a ver o arquivo morto do blog... e constatei que o tão gabado Clube das Virgens... Fodeu-se.

Independentes:

Estes dois homens são "Independentes". Ambos com uma carreira profissional meritória, um na AMI, o outro como Professor. Ambos com ligações políticas, um a um partido de centro-direita e o outro a um partido de centro-esquerda. Um derrotado nas pretéritas eleições Presidenciais, o outro ex-ministro das Finanças do governo demissionário - pelas razões mais do que óbvias.
Adivinhem lá qual deles está farto de levar na corneta.

NÃO! É o outro pá!



...


"A Terra é Azul"


Ficou para a História o nome do Homem, muito para além do fim do regime que apenas quis dele que fosse um símbolo. Iuri Alekseievitch Gagarin foi um Cosmonauta e o primeiro homem no espaço.
Planeta Terra, 12 de Abril de 1961, a bordo da Vostok I.

And now, Ladies and Gentlemen...

Something completely different. Vamos chamar-lhe... Não sei bem o que lhe possa chamar, mas a designação correcta é (do Inglês)... Long Wheel Base recumbent byke (LWB). Mais: Under Seat Stearing (USS). A primeira designação vem não do comprimento (2,4 mts) mas do facto de ter o eixo da direcção à frente da pedaleira. A segunda designação vem do guiador, localizado exactamente por baixo do assento - não é um selim, é um assento mesmo. No Brasil traduz-se "recumbent" para "reclinada". Não sei se o termo será o mais correcto, assumo que sim... A dificuldade deve-se a um facto simples: esta é muito provável e possívelmente a primeira do género feita em Portugal. Tanto quanto sei, claro. Isto não é um concurso, é apenas para dar uma idéia da singularidade da coisa. Tal como esta aqui - uma SWB (Short Wheel Base), Over Seat Steering (OSS) - porque tem o guiador acima do assento, e também qualificada de High Racer (o High entendo, o racer...)...terá sido eventualmente pioneira em Portugal, ao passo que aqui, uma coisinha conhecida como Tadpole Trike (duas rodas à frente, por oposição aos que têm duas rodas atrás, designados por Delta Trikes não foi de todo a primeira a nascer cá na terrinha. Ainda assim num País em que a bicicleta não tem de todo a relevância que merece, os números destes exemplares (únicos) são tão diminutos que fazem deles seres absolutamente exóticos e dignos de de nota. 

O facto de já ter construído/modificado outros exemplares antes foi uma mais-valia inestimável - quer no processo de fabrico, quer na percepção atempada dos pontos fracos do projecto. Não tem um ar "profissional", mas eu também não sou profissional do ramo... A mim serve-me para já. Os materiais utilizados... uma bicicleta do género das bike tour (canibalizadíssima) e tubo de aço de secção quadrada de 35 mm com paredes de 1 mm. Ainda não sei o peso, mas andará seguramente mais próximo dos 20Kg do que dos 10 Kg. Um dia com mais tempo faço um descritivo mais detalhado.

A razão pela qual quis construir esta menina: a) o resultado das experiencias anteriores não me convenceu, e b) esta foi exactamente a primeira bicicleta que quis construir - mas depois acabei por me decidir por algo mais complexo... em relação ao ponto a) senti-me algo insatisfeito quanto aos resultados práticos: o trike era demasiado baixo para andar com segurança nas estradas, a outra bicicleta que tinha canibalizado era demasiado alta para ser confortável nos arranques (principalmente em subida). Ou seja, necessitava de algo intermédio, e surgiu isto.

Após algumas voltinhas pela vizinhança, ficam-me as segintes sensações:
-Pode vir a ser uma coisinha muuuuito rápida. Apesar do peso sim, afinal tem a vantagem da aerodinâmica - mas como dizem os americanos, nestas coisas "miles come before speed".;
-Não é por aí além de manobrável. Muito comprida, assemelha-se mais a um camião articulado com reboque... creio que se desenrascará bastante bem em estradões de terra batida e trilhos largos, mas o elemento natural desta bixinha continua a ser o asfalto;
-Apesar de ainda necessitar de algumas afinações - nomeadamente corrente e travões, a sensação que transmite é a de uma travagem bastante firme, muito controlada e eficaz. Em grande parte - diria eu - por causa do relativamente baixo centro de gravidade. 
-Top gun: é brutalmente confortável. Quando digo confortável não estou a falar em termos comparativos com uma bicicleta de cidade com um selim monstruoso artilhado com gel, estou a falar de uma poltrona com rodas. Esse é o termo da comparação. É uma poltrona com rodas.

Em relação ao sistema de direcção, revelou-se muito eficaz, muito directo e muitíssimo confortável. É para isso que serve, aliás... o guiador debaixo do assento: para ser muitíssimo confortável.
Ficam duas singelas fotos. Dá para ter uma idéia do que estou a falar.





Em estado bruto:

Tem dias, mas por vezes a natureza fica assim por aqui... a máquina não é grande coisa, mas as imagens estão em bruto: foi assim que vi, foi assim que ficou porque foi assim que foi. Mas mesmo com muito boa vontade, as fotos não conseguem de todo fazer jus à realidade.




Monday, April 11, 2011

combate à acefalia galopante:

O número a reter: quatro.
Quatro.
Quaaaatro.
Meus amigos, pensemos no quatro. 
O PEC chumbado foi o quarto. Não foi o primeiro, nem o segundo, nem o terceiro - foi o quarto. Porque todos os anteriores falharam, apesar de várias alminhas jurarem sobre as campas das respectivas mamãs defuntas que não seriam necessárias mais medidas. Porque o orçamento de 2011 foi uma fraude, porque assumia um cenário irrealista. E ao fim de 3 PECs ranhosos e um orçamento merdoso vêm dizer que o chumbo do PEC IV foi o responsável por deixar o País à "mercê" do FMI???? Mais ou menos como o gajo que bebeu 5 litros de vinho e comeu uma azeitona, e vomitou porque a azeitona estava estragada?
Meus amigos congressistas: ide-vos todos foder - quem tem que pagar esta merda somos nós, e já é mau o suficiente sem estarmos a ser gozados.

A minha pergunta por responder:

Financiamento, financiamento, financiamento, financiamento. Financiamento para despesas correntes, financiamento para despesas supérfluas, financiamento para gastos sumptuários, financiamento para obras faraónicas, financiamento e mais financiamento. Eu pergunto: este País é viável? Sobrevive sem financiamento? 
Senão, mais vale fechar a porta. 

Portugal Feat. I.M.F.

Thursday, April 7, 2011

O meu sincero e sentido "muito obrigado"

a este Senhor, pela verve, pela lucidez, pela imparcialidade e pelas capacidades divinatórias que lhe permitiram discernir o que mais ninguém conseguiu ver: a vida para além do défice. Chama-se FMI.

Pensamento da tarde:

"Temos das elites políticas e económicas mais estúpidas e incapazes da Europa. Sempre foi esse o nosso drama. Não mudou nada."


Pensamento do dia:

Em Democracia - e isto é o que faz da Democracia o menos mau dos sistemas de governo - até um perfeito idiota tem direito a ter e a expressar a sua opinião, por cretina que seja. O maior problema da Democracia é quando os idiotas estão em maioria.

Tuesday, April 5, 2011

E isto não fará algum sentido?


Nem sempre concordo com o que o Daniel Oliveira escreve. Mas chegámos a um ponto em que não há "mas"; vamos pagar o quê e porquê? Isto é o que não nos é dito. A falência de um banco é impensável? O Barings não fechou a porta? O mundo acabou? Nem por isso. 
Passo a transcrever o artigo na íntegra:


"Depois das aventuras na bolha imobiliária e da crise do subprime, as empresas financeiras ficaram à beira do colapso. Para pagar as suas irresponsabilidades os Estados foram chamados a intervir. A primeira ajuda fez-se através da nacionalização do prejuízo. A Irlanda foi mesmo obrigada a aceitar ajuda externa e a consequente destruição da sua economia para impedir que a falência dos bancos nacionais espalhasse o pânico na city londrina. Em Portugal, a nacionalização do BPN fez-se de forma cirurgica. O Estado ficou com os buraco e, generoso, deixou o que valia alguma coisa - a SLN - nas mãos dos acionistas.


Quem esperava que, depois disto, os responsáveis fossem punidos rapidamente percebeu que não estavamos a reformar um sistema que põe as vidas de milhões de pessoas à mercê da ganância de jogadores. Estavamos a salvar esse sistema.


Salvo o que estava prestes a falir com os dinheiros dos contribuintes, ainda faltava ir buscar o resto ao pote público. Começou então o ataque às dívidas soberanas. Aproveitando os absurdos institucionais europeus e a certeza de que na Europa cada um trataria apenas de si, as economias mais frágeis do euro foram a vítima preferencial. O que não foi sacado através das ajudas públicas foi-se buscar através de juros usurários. Basicamente, as economias mais frágeis passaram a trabalhar para pagar uma mesada à banca, pedindo emprestado para pagar os juros. E quanto mais pedem mais os juros aumentam, numa espiral que só acabará quando todo o sangue for sugado.


Tal como aconteceu com subprime, as agência de notação têm um papel central no assalto. Se antes sobrevalorizavam lixo, agora sobrevalorizam o risco. A pressão política para o pedido de "ajuda" externa não é mais do que o apelo para que campangas venham buscar o dinheiro à força. E a extorsão faz-se à custa do Estado Social. O dinheiro que os Estados gastam em saúde, educação, pensões e serviços públicos tem de ser transferido para pagar juros impossíveis. Trata-se de uma transferência de recursos públicos que ainda não acabou. Ela chegará ao fim com a destruição do Estado Social. A esse processo dá-se o pomposo nome de "reformas estruturais".


Portugal, Grécia, Irlanda e Espanha estão a ser abusados por um novo tipo de máfia que, na ausência de poderes públicos e de políticos corajosos, deixam um rasto de destruição por onde passam. Resta às vítimas três possibilidades: ou entregam tudo o que têm, ou pedem proteção aos mafiosos para que o roubo se faça de forma mais ou menos ordenada ou dão, em conjunto, um murro na mesa.


A solução começa com duas palavras: "não pagamos". Quando elas forem ditas, em conjunto, por estes quatro países, a Alemanha e a União Europeia mudam, em apenas um minuto, de atitude. É provável que os contribuintes alemães não estejam dispostos a pagar as dividas dos outros. O que eles não sabem é que, quando participam na "ajuda" aos países periféricos, estão a pagar o bailout da banca alemã. Ou seja, estão a pagar a salvação da sua própria economia.


Só no dia em que estes países disserem que, nestas condições, não dão nem mais um tostão para este peditório se começará a discutir a reestruturação da dívida. Não se trata de um favor. Trata-se de pagar o que se deve em condições aceitáveis. Trata-se de um ato de justiça. Pagar com juros decentes e num tempo praticável.


Quando quiseram obrigar a Irlanda a subir o seu IRC - bem abaixo da média europeia - ela fez esta ameaça. O recuo europeu foi imediato. Tivessem os governantes irlandeses tanta coragem para defender os direitos sociais como tiveram para defender o seu dumping fiscal e os seus concidadãos estariam hoje bem melhor.


A escolha que estes Estados têm de fazer é simples mas arriscada. Simples porque resulta de uma revolta legitima: não temos de pagar, com o nosso trabalho, através de juros impensáveis, as irresponsabilidades de quem andou a brincar com o fogo. Arriscada porque vão continuar, como qualquer Estado, a precisar de financiamento. Mas é a única opção: obrigar a Europa a defender os Estados que aceitaram entrar no euro. Nem que seja pela ameaça. Ou isto, ou a destuição por décadas de várias economias."




Daqui.

E porque não o teria dito melhor, transcrevo:


"Estou até convencido, após reflexão de alguns (breves) minutos sobre o assunto, que alguns cadáveres seriam mais úteis em funções desempenhadas por altos cargos de empresas do sector público do que alguns por ali andam a sacudir o pó da incompetência. Por variadíssimas razões sendo a mais óbvia a de que ambos, morto e boy, possuírem intrinsecamente a mesma capacidade de produção. O morto porque não pode, o boy porque não sabe. O boy é um inútil. Um parasita. O morto é um morto. Só e apenas.


A segunda passa pelo facto de um morto não delapidar estupidamente os cofres do Estado. O morto não necessita de um carro de alta cilindrada com chauffeur, não tem a necessidade de ter um telemóvel com plafond ilimitado, não viaja com um cartão de crédito dourado no bolso. A única viagem do morto num Mercedes será numa carrinha funerária, envolto em ramos e coroas de flores direto para o outro mundo. Ao contrário do boy, o morto não causa qualquer tipo de danos ao erário publico. O morto pode ser pesado mas não é um peso morto para a Economia. Enquanto o morto é enterrado o boy enterra o país.


Conclusão (com um ligeira adenda da minha parte) e pegando na mítica frase do Marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Melo, após o terramoto de 1755: enterrem-se os mortos, despeçam-se os boys e cuidem-se dos vivos. "




Daqui.

Imagens inéditas da festa do FCP no estádio da Luz:










de volta ao rectângulo...

Passei sobre Lisboa estava o jogo prestes a começar. Passei por acaso, porque sim, porque teve que ser. Para todos os efeitos eu e o futebol não temos uma relação por aí além de cordial. A Selecção sim, mais ou menos, dependendo de quem manda na chafarica, os clubes nem por isso. Por uma série de razões, porque vivemos num País que gosta tanto de futebol que nem se importa por aí além de lixar completamente todas as outras modalidades - mesmo aquelas em que somos (ou fomos) muito bons, em que tivemos boas equipas e bons atletas e ainda poderíamos ter, não fosse o facto de gostarmos taaaaaanto de futebol que não resta dinheiro nenhum para mais nada - e apesar disso, continuamos a ter um futebol que, dentro e fora das quatro linhas, pouco mais consegue ser do que vergonhoso. Vou repetir devagarinho: Vergonhoso. A malta dentro do campo (os chamados "jogadores") comportam-se como autênticos imbecís, 99% deles não sabe construir mentalmente uma jogada nem sequer compreende o conceito de equipa. O chamado "jogo" é uma coisa tática e morna que às vezes aquece lá para o fim quando já não há nada a fazer. Absolutamente banal, absolutamente boçal, com rasgos pontuais de qualquer coisa assemelhada a genialidade e quase sempre ausente de entrega e dedicação. E aqueles gajos são os "ídolos". Bela cagada. E claro, regra geral a cerimónia é devidamente acolitada por equipas de arbitragem que se esforçam por estar à altura dos restantes. Nem sempre, mas regra geral. E assim mais cá para fora o panorama agrava-se, num manto denso de suspeições, trocas de acusações entremeadas com favores devidos e a haver, corrupção, fuga ao fisco e tudo aquilo que possa ter um mínimo de ilegalidade à mistura. E claro, a única espécie de fauna avícola autóctone que aparentemente é protegida e acarinhada ao ponto de nem sequer ser engaiolada anda sempre metida ao barulho: o pato-bravo mailas suas negociatas no ramo imobiliário. Ou seja, assim composto o ramalhete nem sequer vale a pena virem-me com a história do convívio, porque tal como referi, eu e o futebol...
O que me remete direitinho ao que ainda não disse. Um pequenino comentário acerca do desportivismo e da falta dele. E, caríssimos, perdoai-me a ousadia, eu que sou frontal e fanáticamente contra o Jorge Nuno e aquilo que ele representa ou pretende representar, tenho que fazer aqui um parêntesis numa longa história de simpatia afectiva para com o clube da águia a bem dos meus princípios. É que isto de desligar a luz e ligar os aspersores a meio da comemoração da vitória do adversário nem sequer se pode chamar de falta de desportivismo: é cretinice, no mínimo. E falta de memória. Só pode ser, esqueceram-se que passaram o campeonato de outono a coçar a micose e só começaram a dar às perninhas já o campeonato de inverno ia avançado. E queriam resolver tudo à última? E não conseguiram? E amuaram, foi?


Temos pena pá. O campeonato acabou ontém, mas já tinha começado há muito tempo.