Wednesday, November 30, 2011

Américo Amorim, o pobre (2ª via)

O jovem Cidadão referenciado em epígrafe é (?)... uma triste amostra da nossa realidade. Eu tolero-lhe que não saiba distinguir a diferença entre riqueza e pobreza, e não nego que seja um trabalhador empenhado, esforçado e dedicado. Se é bem pago (ou não) em função do que faz e da mais-valia que considera ser naquilo que faz, é um problema dele e de negociar um melhor ordenado com a entidade patronal. Já me custam a engolir os "despedimentos preventivos" que fez há uns meses, em nome da crise - um gajo que precisa de uma desculpa do tamanho da crise para fazer aquilo que quer (e que não pôde antes, ou não o deixaram ou teve receio de fazer) deixa-me profundamente desconfiado em relação a uma série de coisas. O que não aceito e não tolero (e não aceito que o Estado aceite, tolere ou deixe passar) é a tentativa disparatada de fuga ao fisco. Despesas de massagens? Pensos higiénicos? Viagens "de negócios"? Mas isto é o quê? O Cabaré da Coxa?
Aparentemente sim. 


No seguimento do post anterior, deixo aqui outra sugestão: o encerramento das prisões. É fundamentado: Todos os que lá estão dentro dizem-se inocentes, e aparentemente não se conseguem encontrar culpados entre os que andam cá fora.

Uma excelente idéia:

Ontem ouvi (gramei com) mais uma interminável discussão sobre o aumento de meia hora diária ao nosso querido horário de trabalho. Eis porque discordo frontalmente desta (pseudo) solução:
-Não havendo trabalho para fazer, bem que me podem obrigar a permanecer 24 horas por dia no local de trabalho que a única coisa que ganho são feridas nas virilhas de tanto coçar a micose;
-Esta aritmética de pré-primária está inquinada à nascença: efectivamente o custo unitário da hora de trabalho desce (na análise absolutamente restrita ao custo/hora do empregado e não do custo de produção), mas a primeira consequência (que advém do ponto anterior) é a imediata descida da produtividade. Isto é um absurdo e um contra-senso, porque de seguida teremos que baixar os ordenados ao nível da produtividade, e temos que descer ainda mais os custos unitários porque a produtividade portanto... e não tarda nada estamos a trabalhar 80 horas por semana.


Amiguinhos: arrepiar caminho. Quando se faz a mesma coisa da mesma maneira repetidamente, é normal que se obtenham os mesmos resultados. Esta solução é, no mínimo, cretina. Mas como isto de criticar (só criticar) e não apresentar alternativas não resulta em nada, apresento aqui umas quantas sugestões que contribuiriam em muito para melhorar a nossa economia:


-Taxar a níveis absurdamente elevados as chamadas "despesas de representação". Tipo a 100%. Não dedutíveis em sede de IRC e taxadas a 100% do seu valor. Tudo o que fosse em cartãozinho dourado (almoçaradas, jantaradas, a lingerie para a "outra", as despesas com elefantes brancos e afins, tudo taxado a 100%).
Vantagens desta medida: as empresas começariam a largar os pacotes de regalias absurdas que hoje dão a incompetentes. Aumenta a liquidez e o investimento. Diminui o desperdício.


-Taxar a níveis absurdamente elevados as viaturas de gamas médias-altas e altas propriedade das empresas e particulares. Tipo a 100%. Com o respectivo corte em sede de IRC. As empresas não precisam destas coisas, para trabalhar têm os veículos comerciais. Idem para gasóleos e gasolinas. Mas a doer. Em alternativa, as empresas poderiam deduzir na totalidade as comparticipações ao pagamento de passes sociais e transportes públicos aos seus funcionários (incluindo táxis).
Vantagens: idênticas às apresentadas anteriormente. Mais: a importação de carros de luxo cairia a pique. A importação de combustíveis teria uma pequena redução também. Aumentariam os utentes dos transportes públicos.


Outras medidas ridículas a necessitarem de revisão aprofundada:
-Pagamento de portagens à entrada das cidades: absurdo. Completamente absurdo. O que se deveria fazer era LIMITAR severamente o numero de lugares de estacionamento disponíveis dentro das cidades, e cobrar a doer os restantes. E o estado a ganhar 50% desse valor em impostos.

Friday, November 25, 2011

Mas é isto?

Fico mesmo na dúvida. Ontem dediquei-me a perder o meu precioso tempo a fazer zapping entre a Sic Notícias, a TVI 24, a RTPN e os generalistas, à cata de informação. Depois de ter passado o dia a cumprir os serviços mínimos a quem me paga o ordenado, claro, porque há coisas que não podem parar. E já lá vou ao resto, mas entretanto fico-me pelo que vi. E o que vi explica muito daquilo que é o nosso País. Talvez até explique o porquê de estarmos a ser governados pela tal de Troika.
Vi uma quantidade respeitável de gente, de pessoas respeitáveis, a discutir quase na exclusividade os números da greve. Faltou dizer os nomes de quem fez greve e de quem não fez. E sinceramente, se o objectivo era fazer uma guerrinha de números, não precisavam de fazer uma greve geral, bastava terem restringido a coisa aos transportes, o resultado teria sido quase o mesmo (adicionavam-se aos grevistas as pessoas que não conseguiriam de qualquer modo chegar ao local de trabalho e a greve era um estrondo). Não me parece que uma greve sirva para isto, é absolutamente redutor tratar o exercício de um direito de cidadania a este nível. E que os governos o façam, é normal, mas os sindicatos têm o dever de ir por outra via. Absolutamente decepcionante.
A manifestação e as perturbações em frente à AR foram absolutamente escusadas. Primeiro porque aos agentes da PSP não é permitido fazer greve, e sabe-se lá quantos dos que ali estavam teriam preferido fazer greve; segundo, porque são pessoas, trabalhadores e empregados (quase) como quaisquer outros (com menos direitos, inclusivé), e por usarem uma farda não têm que perder automáticamente o respeito dos manifestantes, bem pelo contrário; e terceiro, tal como já referi no post anterior, para quem entende mínimamente a dinâmica dos grupos, aquilo que se viu ontem foi obra de uma mão-cheia de arruaceiros, politizados ou não, que pretendiam a adesão popular a uma iniciativa absolutamente idiota - e eram uma mão-cheia apenas, e a não adesão dos restantes manifestantes foi tão evidente que foram rechaçados ainda antes da chegada do corpo de intervenção. Seja como for, a iniciativa foi lamentável, mas perfeitamente compreensível após ouvir o tempo de antena proporcionado a uns quantos dos envolvidos. 
E em relação às greves no geral, quer-me cá parecer que esta gente não percebe mesmo nada do que anda a fazer. Primeiro, porque promovem, aceitam, toleram (escolher o mais correcto) greves parciais quando calha: greves parciais na CP, greves parciais no Metro, plenários na Soflusa e na Transtejo sempre que calha. E depois, quando marcam uma greve geral, é para um dia!!! E claro, já andamos todos fartos da malta da CP e do Metro... Conseguimos estar todos no mesmo barco?
Amiguinhos, greves gerais de UM DIA são como um jogo de futebol: no fim gastam o tempo a fazer a estatística da greve, como se viu. Se quiserem ser sérios e fazer uma coisa a sério, façam o seguinte:
a) almofada financeira (é sempre a economia a falar, no fim de contas): empreguem os euritos que têm amealhados no mais elementar sentido de justiça, que é estarem preparados para suportar (ou ajudar a suportar) FINANCEIRAMENTE os dias de greve a quem a faz;
b) marcar uma greve geral, com garantias de paralisação total, para pelo menos três dias. Eu diria mesmo quatro. Mínimo. É a única maneira de garantir que a greve faz mossa. E uma greve que não faça mossa não passa de uma palhaçada.
c) tenham a certeza das razões pelas quais convocam a greve. Marcar uma greve porque sim, por causa de tudo o que mexa e mais um par de botas (que inclui a problemática das manchas solares) é absolutamente demagógico. De tanta abrangência acaba por não abranger coisa nenhuma. Um dos maiores problemas que temos é a Justiça, que é também um direito de cidadania e um dever exclusivo do Estado - alguém quer convocar uma greve de protesto contra o péssimo funcionamento da Justiça? Alguém quer convocar uma greve geral contra as PPP's e todos os esquemas de captura dos dinheiros dos contribuintes (que somos todos nós) por meia-dúzia de corporações e/ou indivíduos? Alguém quer convocar uma greve geral pelos 5.000.000.000 de Euros (mínimo) que o BPN custa aos nossos bolsos? É que assim de repente, só o BPN custa a cada Português 500 Euros! E a EDP e o Plano Nacional de Barragens, esse fiasco que vai custar uns 1700 a cada Português, e ao qual acresce o preço da Electricidade mais elevado da UE? E a Galp? queremos convocar uma greve geral contra a Galp, que tem a exclusividade da refinação para o mercado nacional? Porque neste momento temos dos combustíveis mais caros da UE, antes e depois de impostos!


Vamos continuar?
Podemos continuar?


E que tal em vez de uma greve geral, meter o Estado em Tribunal por ser tão lesto a taxar os rendimentos do trabalho e a não taxar outros rendimentos? Alguém quer marcar uma greve geral porque queremos ver efectivamente punidos os tipos que nos arrastaram para onde hoje estamos?


Não?
Então temos pena.



Thursday, November 24, 2011

O povo é sereno:

"A mocidade anda a ser enganada com as boîtes abertas vinte e quatro horas por dia" - comentário de um cidadão sénior à boca da escadaria do parlamento.
À jovem bloquista que queria a toda a força chegar ao cimo da escada e plantar a sua bandeira "seja porque for", sugiro que suba ao Bom Jesus: sem o corpo de intervenção, apenas o Corpo de Cristo lá em cima à espera dela. Neste caso concreto tenho que concordar com a PSP: o parlamento é a representação do povo, não quero que qualquer um entre no sítio que TAMBÉM me representa a MIM. E a malta queixa-se que há mais polícias do que manifestantes, mas amanhã garantirão a pés juntos que 100% dos Portugueses estiveram concentrados à porta da AR.
Mais: custa-me ver malta nascida nos idos de 80 a gritar "25 de Abril sempre". Fodasse, o ano tem 365 dias, e se não fosse o 25 de Novembro agora estariam todos a rezar por uma perestroika - mas creio que a maioria não saberá o que isso é...


Fora de brincadeira... as coisas ultrapassaram as marcas. E quem percebe alguma coisa da dinâmica de grupos sabe que foi uma tentativa de coisa nenhuma, tentada por um pequeno grupo que tentava plantar a bandeira "lá em cima". E não vale a pena o Torres Couto (esse gajo cheio de moral, impoluto e isento que andou a fazer uma travessia do deserto depois das merdas que andou a fazer com os dinheiros da Europa e que tem a relevância de uma varejeira, dado que acabou de ser interrompido pelo Carvalho da Silva) vir queixar-se na TVI24 que o que se passou hoje não é culpa dos sindicatos. Sinceramente, isto é culpa TAMBÉM dos sindicatos! A manifestação devia estar a ser feita contra os Juízes e os Advogados, os Jornalistas, os Bancos e os Investidores, os Mercados, os Sindicatos e os Patrões, os Governos e as Oposições - a culpa é de todos eles sem excepção - e nossa, que os deixámos fazer por nós aquilo que deveríamos ter sido nós a fazer.


Aparentemente, e segundo a jornalista da RTP1, a multidão passou o tempo a "arremassar" coisas à polícia. Eu, se fosse polícia e me "arremassassem" uma garrafa de cerveja vazia, passava-me da marmita. Atirar uma garrafa cheia de cerveja bem gelada é de homem, atirar uma garrafa vazia é atitude rasca de paneleiro rude e mal-educado; um gajo capaz disto também é capaz de cuspir no chão.

A minha greve

Isto não é um País, é um lugar (muito) mal frequentado.

Tuesday, November 22, 2011

Damnatio 
Memoriae

Monday, November 21, 2011

Fiquei cliente:

Metro, manhã cedo, hora de ponta. Uns quantos indivíduos a entregarem panfletos DENTRO da estação do Metro, antes das cancelas (aquelas merdas que parecem a porta do curro e por onde passa o gado). Nunca fui de aceitar papelada de ninguém, normalmente têm o remetente no Professor Fofana, Bidé ou outro que tal, grandes Mestres em coisas de que eu não percebo nada. Este devia vir da Comissão de trabalhadores do Metropolitano, da CGTP, UGT ou similar, I presume. Os acólitos do Professor Djambé ficam fora da estação, à intempérie, estes estavam dentro, têm seguramente uma cunha.  Seja como for, não estava para aí virado, farto de papelada ando eu e declinei com um "muito obrigado". O fulano ripostou: "Não quer saber a verdade?" E continuou  com a tirada genial "Já sabe tudo, é?" 
Decidi continuar paulatinamente na fila para passar na porta do curro. Não me vou pegar à discussão com um indigente mental daquele calibre que nem tinha por onde levar um par de estalos sem precisar de ser cosido pelo médico, ainda que essa fosse a minha mais genuína vontade. Até me oferecia para o coser, e a custo zero. É mais um daqueles casos em que as pessoas custam a perceber que não têm nada que ver com a vida dos outros. 
Eu pergunto-me se isto é o melhor que os sindicatos têm para mostrar. Mesmo. Porque eu já tenho à cabeça um problema com as greves em Portugal: os Sindicatos não pagam - nem são obrigados a pagar - os respectivos dias de trabalho aos seus sócios/sindicalizados. O ónus da greve é SEMPRE dos "trabalhadores", as vitórias pícaras são sempre disputadas entre sindicatos, governos e associações patronais (whatever). E o que se passa na realidade é que muitas pessoas acabam por tirar o dia como dia de férias (ou baixa, ou apoio à família, ou um artigo xpto, seja qual for o caso) porque não podem prescindir de um dia do seu ordenado. Na prática fizeram greve; formalmente estiveram de férias.

Thursday, November 17, 2011

Era uma vez, num olho do cú...

Uma hemorróida.


(A sério, de cada vez que me lembro da história dá-me vontade de rir, mas não posso, a sério que não posso... Quem sabe um dia).








(Post dedicado a pessoa amiga em situação de profundo sofrimento)

Para quem ainda não percebeu:

Bancos. Sistema Financeiro.
É isto que a Europa, os EUA, o Banco Mundial e o FMI querem salvar. Do quê? Da merda que esses mesmos bancos e esse mesmo sistema financeiro andaram a fazer durante todos estes anos. Mas com uma salvaguarda: sem perda de lucros, sem perda de autonomia, sem restrições operacionais aos "mercados" onde operam esses bancos e que são no fim de contas o sustento desse sistema financeiro. Esses mesmos mercados que se resguardam e salvaguardam os seus agentes no seguro de vida que são os dinheiros dos contribuintes quando a coisa corre mal, que socializam as perdas e privatizam o lucro como convém a um sistema "aberto". Porque afinal de contas parece que os bancos não podem falir - as empresas agrícolas podem falir, apesar de serem o garante da comida que pomos na mesa; as indústrias pesadas, que fabricam
Sejamos honestos: em 2010, mesmo com uma gestão equilibrada dos orçamentos, muito poucas famílias em Portugal conseguiam taxas de poupança na ordem dos 20%. No global, esse é o agravamento das condições que podem esperar para 2012 (comparativamente com 2010). Isto tem um nome: falência técnica.


A minha pergunta é, temos mesmo que ir por este caminho? 

Tuesday, November 15, 2011

It's the economy, stupid!


Vou falar de uma coisa da qual não percebo nada

O que me deixa bastante bem colocado, dado que a grande maioria dos tipos que têm vindo a terreiro botar faladura acabam por ser desmentidos pelo tempo (e pelo clima também). Talvez o parlapié de um fulano que não percebe nada do tema e que o assume frontalmente não seja pior do que as bacoradas dos pseudo-experts de pacotilha e horário nobre.
Assim de repente, um palavrão: CDS (credit default swaps). Básicamente são seguros contra incumprimento de operações de crédito. Ou seja, eu empresto dinheiro ao Jacinto Leite Capelo Rego e contrato um CDS contra esse empréstimo, não vá o Jacinto não me poder pagar. O que é interessante nos CDSs é que eu posso contratar um CDS contra uma operação de crédito na qual não estou envolvido. Pior, em abstracto o Jacinto pode pedir dinheiro emprestado e contratar um CDS contra esse empréstimo (se conhecer bem os meandros da coisa, claro)! Ou seja, de repente há uma série de gente com CDS contra operações nas quais não investiram um cêntimo, mas com todo o interesse em que corra mal. Isto é apenas uma das coisas muito mal explicadas no sistema financeiro actual, e que explica porque é que tanta gente está interessada em que tantas coisas corram mal - é que efectivamente alguém tem algo a ganhar com isso. Muito, diga-se. Não sei quem irá pagar esses CDSs (presumo que ninguém), mas como os balanços destas coisas são fictícios, é perfeitamente justo que a coisa corra mal.
Outra coisa menos de repente: porque raio é que o BCE não controla directamente e em exclusividade o mercado da dívida soberana (e das empresas públicas) dos Países da zona Euro? Ou seja, Portugal, a Grécia, a Itália, em vez de irem ao "mercado" vender dívida pública, ficariam obrigados a vendê-la exclusivamente ao BCE. A Europa teria assim um instrumento simples e eficaz de controlar o défice e a dívida soberana de todos os Países da Eurozona, que ficariam assim imunizados às flutuações de humor dos mercados.


Alguém que perceba do assunto me explique porque raio é que isto não pode funcionar assim.

Acerca das pessoas indispensáveis:

Os cemitérios estão cheios delas. Dessas pessoas indispensáveis, claro.

Tuesday, November 8, 2011

Pois claro que está moribundo

Mas ainda não morreu!