Tuesday, June 26, 2012

"Externalização":

Surgiu-me a questão de uma conversa agorinha mesmo, com o Axle: Eu, empresa, tenho uma necessidade não pontual, para uma função que tem que ser desempenhada em continuidade, que exige conhecimento técnico e conhecimento da realidade da empresa. E tenho duas hipóteses: ou contrato directamente ou subcontrato o serviço a uma outra empresa. Se assumirmos que o faço, esta empresa terá ido ao mercado (ao mesmo a que eu teria ido) fazer a contratação, por um valor semelhante e com um pacote de regalias idêntico. Também faz descontos para a SS e também terá que pagar as férias a essa pessoa - e caso eu assim o exija, terá que pagar a alguém para cobrir também esse período de 22 dias úteis. Como é óbvio, cobrar-me á a mim todos os custos "brutos" mais o risco de cessação de contrato mais o lucro que, óbviamente, é o móbil de qualquer empresa.
A minha questão é, o que é que eu ganho com esta solução? Qual é que é o valor acrescentado da subcontratação?

Externalização é mais um daqueles palavrões (como "sinergias", há uns anos), que andam na boca de toda a gente - principalmente de pessoas que não lavam os dentes...

2 comments:

Axle said...

Então e imaginemos que Tu, pessoa individual ou colectiva, estás cheio de liquidez e, com a sanidade mental que te reconhecemos, não colocas o dinheiro debaixo do colchão como fariam muitos e ilustres avôs deste país europeu. Vais a uma instituição bancária mais ou menos europeia, da tua inteira confiança, plena de solidez financeira e know-how de negócio que constitui uma mais-valia na gestão das tuas economias... fazes uns depósitos, compras uns produtos de poupança/investimento e dormes descansado, seguro da infalível máquina administrativa que, com a experiência de tantos anos, cuida do teu património.
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E para lá do balcão que te atende, todo o teu processo é tratado por empresas meramente administrativas, subcontratadas pelo banco nessa nova corrente teórica do mundo da gestão que acha que se deve externalizar tudo... externalizam-se os arquivos da tua documentação, externaliza-se o tratamento das operações que tu fazes através do banco, externaliza-se a meretriz que os colocou no mundo e, melhor ainda, esse know-how com que tu contavas para cuidar do teu dinheiro, nem isso o raio do banco te garante... externalizou-o.

Pois... um avô é sempre um avô...

Niagara said...

É impressionante. E a única coisa que se consegue, efectivamente, é um diluir de responsabilidades. Ou seja, se correr mal o cliente final está sempre fornicado.