Wednesday, November 14, 2012

E em dia de greve, coisas importantíssimas

Que contudo nada têm a ver com a actualidade.
Por alguma razão que me escapa, comecei a fazer contas de cabeça à nossa História, nomeadamente à época dos descobrimentos, e relembrei-me de uma coisa que me tem deixado bastante intrigado: a "descoberta" dos Açores (1427).
O Arquipélago dos Açores estende-se ao longo de uns generosos seiscentos quilómetros quase quase quase ali para os meios do Atlântico Norte. Fica a cerca de mil e setecentos quilómetros da costa Portuguesa e a quase 2300 das costas do Labrador.  Largando uma embarcação de Lisboa com rumo ao desconhecido, digamos, algo como uma Barcha ou um Caravelão (no mesmo link) a probabilidade de "aterrar" em qualquer uma das ilhas seria ínfima (à luz do que desconhecemos acerca da tecnologia e dos conhecimentos da época); com efeito estas embarcações não dispunham sequer de um cesto de gávea, o que me leva à seguinte conclusão: com uma boca de 3,5 mts o convés estaria talvez a uns dois metros da linha de água, o que fazendo as contas muito por cima, daria um raio de visão (distância para o horizonte) de cerca de quinze quilómetros. Ou seja, um corredor de visão com cerca de 30 Kmts de largura total. Seguindo a mesma fórmula, a ilha do Pico, com os seus 2.352 m de altura,  poderia em condições ideais ser avistada a uma distância de cerca de 180 Kmts...
Cingindo-me ao tal corredor de 30 quilómetros, parece-se muito com conseguir encontrar uma agulha num palheiro. Mas a descoberta das ilhas do Atlântico Sul - Ascensão em 1502, Santa Helena (onde viria a falecer Napoleão Bonaparte uns séculos depois) em 1503 e a Ilha de Tristão da Cunha, em 1506, não ficam nada aquém desta pontaria fabulosa - esta última dista 2430 Kmts da ilha de Santa Helena, 2816 de África e 3360 Kmts da América do Sul.
Sem GPS, sem radar, com instrumentos ópticos rudimentares, munidos de sextantes, bússolas e mapas razoavelmente imprecisos, não deixou de ser um feito digno de nota.
A não ser que, tal como imagino, soubessem algo que desconhecemos.

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