Friday, October 15, 2010

Orçamento de estado:

Vou continuar a fazer barcos. É muito mais divertido, há resultados palpáveis, não causa dano a ninguém e é produtivo.

Wednesday, October 13, 2010

Baidarka

Significa "pequena embarcação". É russo. Tem uma grande carga de inexactidão - o correcto seria chamar-lhe apenas iquyak ou kayak. Mas nós (ocidentais?) temos o péssimo hábito de ter que criar designações para tudo, e não nos contentamos com a simplicidade de quem originalmente concebeu, desenvolveu e construiu estas embarcações. Será talvez demasiada pretensão incluir isto, "esta" embarcação no grupo "destas" embarcações; com efeito pouca coisa têm em comum: materiais, forma, flexibilidade e robustez, em tudo há diferenças. Há contudo um princípio básico em comum: consiste - tal como os "originais" - numa estrutura de madeira revestida - não de pele, mas de tecido impermeabilizado.
O "esqueleto" de madeira ficou com este aspecto, depois de uma demão de "bondex":


O detalhe da proa "levantada" é acima de tudo uma escolha de ordem estética, não há nenhuma razão de ordem prática para  ficar assim.


Vista da popa e da abertura de entrada. Tentei deixar algum grau de flexibilidade a toda a estrutura, visível na aparente falta de suporte de alguns elementos da estrutura entre si.


O revestimento. Tecido de algodão, o mais simples possível, o mais robusto possível, o mais barato que encontrei sob a forma de umas cortinas (é verdade, cortinas) amarelas feias como a noite dos trovões que me exigiram um bocado mais de trabalho em costuras. Como é óbvio, teve que ficar bem esticado...


Mais um plano da proa. 


E aqui um plano do interior, com a "plataforma"que suporta a zona de maior esforço mecânico. O aro foi feito com ripas de madeira ensopada (para não partir quando em tensão) que deixei secar no molde. Depois de secas foram coladas com cola de madeira e deixadas no molde durante mais um dia.


Aqui já depois do revestimento completamente cosido e com duas demãos de uma substância fantástica: borracha líquida. Tem todas as características para fazer um revestimento excelente: adere impecávelmente ao algodão, é flexível e mecânicamente resistente. Ainda falta uma camada de tinta - não creio que a borracha se dê bem com a exposição ao sol.


Vista a 2/3. As faixas que aparecem são as tiras com que fica suportado no tecto da garagem.


Mais uma vista da proa, num plano óbviamente exagerado. Cada vez gosto mais desta proa.


Ainda não está terminado, ainda não tem nome e ainda falta tratar de alguns detalhes. E falta - claro está - dar banho ao animal, isto de ficar a "ser giro" pendurado no tecto da garagem é uma treta quando se é feito para navegar. Decidi-me tentar este método de construção por uma série de razões: a fibra de vidro resinada sobre contraplacado (que utilizei na proa que fiz há uns anos) é excessivamente pesada (e muuuuuuito cara) para um kayak. Este neste momento vai em menos de 100 euros em material. O trabalho... algumas horas ao fim de alguns dias ao longo de umas dez semanas. Muito bom, dado que estamos em época de crise. E creio que pesará pouco mais de 10 quilos depois de pronto, o que é bastante razoável para andar em cima do carro.

Tuesday, October 12, 2010

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Saturday, October 9, 2010

Heroísmo:

A Fernanda foi entrevistada (mailos seus ferrinhos) por uma repórter da TVI. Parece que salvou uma esplanada, em Carcavelos. Mesas e cadeiras de plástico.
Uau.
Parabéns, Fernanda. E parabéns à TVI.

Friday, October 8, 2010

pensamento da tarde:

A República meteu mamas de silicone e quem pagou foi o contribuinte. 

Friday, October 1, 2010

Impermeável, intocável, inafundável

Ei-lo.
Apenas porque a água muda de estado. As coisas mudam. Todas as coisas, todos os dias. Não é num ano nem num mês nem numa quinzena - todos os dias.

Se calhar é um bocadinho avançado para a época:

Mas eu acredito no conceito do livre-arbítrio, da decisão consciente e independente, acredito que somos capazes de ser donos do nosso destino. Sou contra as técnicas de bovinização e não concebo como boa prática o fazer seja o que for porque somos obrigados a isso. Por isso mesmo não o aceito nem como desculpa nem como justificação. Muito menos quando vem embrulhado numa dose enorme de arrogância. E por isso mesmo acredito que, independentemente das consequências, o próximo orçamento, a ser fundamentado nos princípios apresentados pelos dois maiores responsáveis pela actual crise, NÃO deveria ser aprovado.
O princípio é simples: ISTO é o necessário para "salvar a face" AGORA. Para garantir 7,picos por cento de déficit. Temos que chegar aos 3% - é O objectivo e O compromisso. O governo está-se a marimbar para mexer efectivamente no que tem que mexer, o que implica que iremos continuar a alimentar o monstro. Daqui a um ano nada disto será suficiente, porque com a economia a retrair, os valores absolutos da dívida e do déficit terão um valor percentual muito superior no total do PIB. Iremos fazer o quê? Aumentar os impostos de novo? Durante quanto tempo e até quando?
Vamos lá com muita calminha. O Estado somos TODOS NÓS, não é um partido nem uma classe política. Somos dez milhões. Se tenho uma factura com o meu nome para pagar, quero saber qual o bem tangível pelo qual estou a pagar. Só isso. E somos dez milhões a querer saber isso.

default.pt for dummies:

"A quem não presta p'ra nada
Não se empresta nada"

Primeiro ministro disse que as medidas de austeridade foram decididas com "um aperto no coração"

Ó meu amigo! 
Se isso for mesmo verdade, aumenta mas é a merda do IVA para os 50% e tem já um AVC fulminante!!!


Há coisas que temos que saber fazer. Uma delas é reconhecer a genialidade quando esta se nos apresenta. Encontrei-a aqui, na 4ª República. Subscrevo na íntegra e passo a transcrever:





  • Renuncio a boa parte dos institutos públicos criados com o propósito de me servir;
  • Renuncio à maior parte das fundações públicas, privadas e áquelas que não se sabe se são públicas se privadas, mas generosamente alimentadas para meu proveito, com dinheiros públicos;
  • Renuncio a ter um sector empresarial público com a dimensão própria de uma grande potência, dispensando-me dos benefícios sociais e económicos correspondentes;
  • Renuncio ao bem que me faz ver o meu semelhante deslocar-se no máximo conforto de um automóvel de topo de gama pago com as minhas contribuições para o Orçamento do Estado, e nessa medida estou disposto a que se decrete que administradores das empresas públicas, directores e dirigentes dos mais variados níveis de administração, passem a utilizar os meios de transporte que o seu vencimento lhes permite adquirir;
  • Renuncio à defesa dos direitos adquiridos e à satisfação que me dá constatar a felicidade daqueles que, trabalhando metade do tempo que eu trabalhei, garantiram há anos uma pensão correspondente a 5 vezes mais do que aquela que eu auferirei quando estiver a cair da tripeça;
  • Renuncio ao PRACE e contento-me com uma Administração mais singela, compacta e por isso mais económica, começando por me resignar a que o governo seja composto por metade dos ministros e secretários de estado;
  • Renuncio ao direito de saber o que propõem os partidos políticos nas campanhas pagas com milhões e milhões de euros que o Estado transfere para os partidos políticos, conformando-me com a falta de propaganda e satisfazendo-me com a frugalidade da mensagem política honesta, clara e simples;
  • Renuncio ao financiamento público dos partidos políticos nos actuais níveis, ainda que isso tenha o custo do empobrecimento desta  democracia, na mesma mesmísisma medida do corte nas transferências;
  • Renuncio ao serviço público de televisão e aceito, contrariado, assistir às mesmas sessões de publicidade na RTP, agora nas mãos de um qualquer grupo privado;
  • Renuncio a mais submarinos, a mais carros blindados, a mais missões no estrangeiro dos nossos militares, bem sabendo que assim se põe em perigo a solidez granítica da nossa independência nacional e o prestígio de Portugal no mundo;
  • Renuncio ao sossego que me inspira a produtividade assegurada por mais de 230 deputados na Assembleia da República, estando disposto a sacrificar-me apoiando - com tristeza - a redução para metade dos nossos representantes.
  • Renuncio, com enorme relutância, a fazer o percurso Lisboa-Madrid em 3h e 30m, dispondo-me - mesmo que contrariado mas ciente do que sacrificio que faço pela Pátria - a fazer pelo ar por metade do custo o mesmo percurso em 1 h e picos, ainda que não em Alta Velocidade.
  • Renuncio ao conforto de uma deslocação de 50 km desde minha casa até ao futuro aeroporto de Lisboa para apanhar o avião para Madrid em vez do TGV, apesar da contrariedade que significa ter de levantar voo e aterrar pertinho da minha casa.
  • Renuncio a mais auto-estradas, conformando-me, com muito pena, com a reabilitação da rede nacional de estradas ao abandono e lastimando perder a hipótese de mudar de paisagem escolhendo ir para o mesmo destino entre três vias rápidas todas pagas com o meu dinheiro, para além de correr o triste risco de assistir à liquidação da empresa Estradas de Portugal.