Wednesday, June 22, 2011

Limiar

A partir de onde é que se deixa de ser um "independente" e se passa a ser "dependente"?
Esta é sempre a minha dúvida existencial quando se diz que alguém é "independente"... políticamente falando, claro. Porque seguramente haverá gente muito mais "independente" nas idéias, nas convicções e nos actos dentro das estruturas partidárias do que muitos dos que aparecem nascidos sabe-se lá onde sob a capa da "independencia". E qual a razão para esse súbito aparecimento? Por sugestão de quem? Com que interesse?


E o que me pergunto a seguir: a "independencia" política é um critério de escolha política para o desempenho de cargos políticos?

Outra perspectiva das coisas

Apesar de muitas vezes ter pensado o contrário - e inclusivamente disse-o e defendi-o perante (e contra a opinião de) terceiros, começo a perguntar-me se os Portugueses não terão um bom-senso intrínseco na sua relação com algumas facetas do dia-a-dia. Quando trocam um acto eleitoral por uma ida à praia ou às compras, quando trocam um noticiário pela quinquagésima-cagalhagésima novela da TVI, ou quando decidem apenas ignorar o mundo que lhes é encafuado à força em casa pela boca (e pela imagem) de certos "fazedores de opinião". E digo isto por duas razões: é que na realidade há um mundo "lá fora" à nossa espera, e a materialização da máxima "pensar global, agir local" começa mesmo dentro das nossas casas, com os nossos, com os que nos são próximos, com aqueles que escolhemos, e dilui-se pelos diversos graus de vizinhança, parentesco e pelas afinidades que descobrimos com as pessoas com quem nos vamos cruzando ao longo da vida. Efectivamente, há coisas muito importantes na vida. 


E o resto, não é importante? É claro que sim. Mas é-o apenas de acordo com aquilo que é. Ou seja, o acto de Governar um País é importante. É efectivamente importantíssimo, mas quando quem o faz não lhe dá o devido valor ou não sabe estar à altura da responsabilidade, aplica-se a máxima "quando os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito". E ignorar é apenas uma maneira sensata de o demonstrar, sendo que a partir daí há todo um conjunto de cambiantes de violência e agressividade possíveis. Os Portugueses demitem-se, ignorando. Afinal, olhos não vêem, coração não sente.


E apesar disso, é aceitável? Não, porque na realidade constitui uma demissão generalizada dos deveres de Cidadania - é uma coisa que muito poucas pessoas querem perceber, a Cidadania em si é um direito singular que acarreta todo um conjunto de deveres - e não o contrário. E sim, é necessário proceder a umas quantas mudanças.


E porque se proporciona, acerca do novo governo: não é possível falar do novo governo por uma questão de bom senso. No entanto o que poderia ser dito acerca do que já se disse do novo governo dava para escrever um tratado de arqueologia socio-política contemporânea. Porque apesar de não ser de todo possível tecer quaisquer considerações lógicas e legítimas, há uma legião de tudólogos incasáveis que não se inibem de fazer futurologia sobre o assunto. Mesmo depois de lançarem para o ar a célebre frase-descarto-me-já-se-não-for-assim que reza que "os governos são como os melões, só sabemos se são bons depois de os abrirmos". Maravilha.
Se calhar falávamos do governo cessante. E dos anteriores. E tentávamos perceber porque é que chegámos aqui. Já sabemos? E que tal falarmos de criar mecanismos de evitarmos cair na esparrela uma quarta vez? Pois, dá mais trabalho, exige um raciocínio um pouco mais exacto do que o "Eu acho que o novo ministro blá blá blá é um"... 
Porra pá, já chega. Usem o cérebro. TODO.


E uma outra questão que não me parece dispicienda, prende-se com a nossa periferia e com a nossa periferização. A nossa periferia está escarrapachada nos boletins meteorológicos dos noticiários que se transmitem por essa Europa fora: Dublin, Moscovo, Ankara, Paris, Atenas, Londres, Amsterdão (que nem é capital), Madrid, etc etc etc. Lisboa, nicles. Portugal não existe no mapa mental da Europa. E nós pagamos-lhes na mesma moeda: passamos o dia a repetir as mesmas notícias requentadas cá do burgo, o boletim de transito que começa na A2-Sul e acaba no IC19 - salvo acidente grave numa estrada secundária, que é qualquer uma das que estão a mais de 30 quilómetros do Marquês de Pombal, internacionalizamos no futebol e voltamos ao rectângulo para as curiosidades locais - feiras e piqueniques na Av. da Liberdade. Lá de fora, só os mínimos olímpicos, porque a malta não está interessada. É a chamada globalização informativa selectiva.

Solstício

Foi o dia mais comprido do ano, ou o maior dia do ano, ou o dia com mais horas de luz do ano. Apenas no hemisfério norte, claro. Acima do círculo polar Ártico, o dia teve 24 horas de luz com o Sol no seu zénite máximo. Por aqui, foi assim: 


















Monday, June 20, 2011

Thursday, June 16, 2011

Estados de espírito:

Fátima Campos Ferreira para Campos e Cunha: "Mas o senhor foi ministro das finanças do primeiro governo de José Sócrates"
Campos e Cunha: "Mas isso não faz parte do currículo, faz parte do cadastro."



Roubado aqui.

Luz


Monday, June 13, 2011

Um avanço no sentido da realidade:

O Alfredo Barroso invoca contra o Aguiar Branco os pobrezinhos e coitadinhos que estão a passar fome (até que enfim que alguém no PS se lembra de olhar para o mundo real), fome essa que seguramente só começou no pretérito acto eleitoral, junto com a miséria e a ignorância que nunca, nunca, mas nunca houve em Portugal durante os governos do engº. Aliás, o País está tão bem que o dito-cujo vai passar um ano ao "estrangêro" para estudar filosofia.

Friday, June 10, 2011

Fiat Lux.



Esta é a ditosa Pátria minha amada...






Thursday, June 9, 2011

Já há um tempo que não vinha aqui de bicicleta, ao Seixal. Hoje decidi-me, e regressei. O problema não é tanto a ida como a volta, que é (quase) sempre a subir, mas que se dane, aquilo não foi feito para andar sempre em plano. O Seixal (a baía) é sempre aquele sítio indescritível, seja qual for a luz, a baía e o rio vestem-se a condizer. E a paragem de sempre para o café do costume, no sítio do costume...




E uma voltinha pela Lagoa de Albufeira, assim a modos que um desvio ao caminho. A "burra" fica  bem ali, mal caída na areia (mal porque caiu mesmo para o lado errado - o lado da corrente, claro). A Lagoa, essa, continua espectacular, como sempre. 



E depois o Meco. A Aldeia e a Praia das Bicas, ali umas dezenas de metros abaixo do parque de campismo. Parque esse onde vou de vez em quando beber um café... hoje a acompanhar um chausson de maçã. Meio chausson, a outra metade foi fora quando descobri que tinha meia-dose de maçã e meia-dose de bolor. Penincilina em estado puro, portanto.



Já depois (e um bocado acima) da Praia da Foz - que tal como a anterior, é apenas um bocadinho de areal... Mas vale a pena andar por aqui, a paisagem é sempre espectacular.



E no Cabo Espichel, at last. O dia esteve sempre abafado, entrecortado de vez em quando por uma brisa fresca, mas que nunca passou de uma brisa. Tenho pena de não ter uma máquina fotográfica comigo, o telelé não apanha o que realmente se via.






E um bocadinho fora da estrada principal... Via-se bem para lá de Tróia, quase até Sines (para Norte, no Cabo, via-se claramente a Serra de Sintra)... Em dias limpos é assim: vê-se até lá ao longe.



E o "bebedouro" do costume. Há aqui rebanhos de ovelhas (na Azóia faz-se queijo), daí o bebedouro. Paragem da praxe.




No total foram oitenta e poucos quilómetros. Há muito tempo que não pedalava tanto, e nunca pedalei tanto com tantas subidas (e descidas). Como é lógico, tenho dois blocos de cimento nas coxas e a perna direita está a ferver como uma salamandra. O que causa mais incómodo em distâncias tão grandes acaba por ser o selim, o pescoço leva a sua dose e os braços iam à vez. Se calhar deixava-me de coisas e começava a usar mais a outra burra...
Anyway, valeu a pena, como sempre. A repetir um destes dias mais próximos... E com passagem pela Ponta dos Corvos.

Lagoa e arredores

O tempo esteve um bocado "fechado"... Mais fechado lá mais para norte.