O que me deixa bastante bem colocado, dado que a grande maioria dos tipos que têm vindo a terreiro botar faladura acabam por ser desmentidos pelo tempo (e pelo clima também). Talvez o parlapié de um fulano que não percebe nada do tema e que o assume frontalmente não seja pior do que as bacoradas dos pseudo-experts de pacotilha e horário nobre.
Assim de repente, um palavrão: CDS (credit default swaps). Básicamente são seguros contra incumprimento de operações de crédito. Ou seja, eu empresto dinheiro ao Jacinto Leite Capelo Rego e contrato um CDS contra esse empréstimo, não vá o Jacinto não me poder pagar. O que é interessante nos CDSs é que eu posso contratar um CDS contra uma operação de crédito na qual não estou envolvido. Pior, em abstracto o Jacinto pode pedir dinheiro emprestado e contratar um CDS contra esse empréstimo (se conhecer bem os meandros da coisa, claro)! Ou seja, de repente há uma série de gente com CDS contra operações nas quais não investiram um cêntimo, mas com todo o interesse em que corra mal. Isto é apenas uma das coisas muito mal explicadas no sistema financeiro actual, e que explica porque é que tanta gente está interessada em que tantas coisas corram mal - é que efectivamente alguém tem algo a ganhar com isso. Muito, diga-se. Não sei quem irá pagar esses CDSs (presumo que ninguém), mas como os balanços destas coisas são fictícios, é perfeitamente justo que a coisa corra mal.
Outra coisa menos de repente: porque raio é que o BCE não controla directamente e em exclusividade o mercado da dívida soberana (e das empresas públicas) dos Países da zona Euro? Ou seja, Portugal, a Grécia, a Itália, em vez de irem ao "mercado" vender dívida pública, ficariam obrigados a vendê-la exclusivamente ao BCE. A Europa teria assim um instrumento simples e eficaz de controlar o défice e a dívida soberana de todos os Países da Eurozona, que ficariam assim imunizados às flutuações de humor dos mercados.
Alguém que perceba do assunto me explique porque raio é que isto não pode funcionar assim.
Quando eu morrer, a terra não me há-de cobrir. Sou Arauto da Verdade e Vento de Liberdade.
Tuesday, November 15, 2011
Acerca das pessoas indispensáveis:
Os cemitérios estão cheios delas. Dessas pessoas indispensáveis, claro.
Tuesday, November 8, 2011
Tuesday, October 4, 2011
Já era para ter deixado há mais tempo
O link para um daqueles blogs de que não se perde um post. Para quem gosta de Moebius, o "quenched consciousness"
'Tiquetas:
Coisas que valem a pena
Monday, October 3, 2011
Friday, September 30, 2011
Monday, September 26, 2011
Friday, September 23, 2011
Contra
A pena de morte. Não consigo conceber a pena de morte num país civilizado - mais facilmente aceito que se entrege à fúria da turba um criminoso.
Thursday, September 22, 2011
A invenção da roda
O tempo não me tem sobrado para vir aqui, mas não posso deixar passar em branco mais uma pretensa alteração ao código laboral que é de tal monta que é desta que o País vai descolar.
Face ao que se anuncia, e no sentido de evitar a contestação à coisa, não queria deixar de partilhar aqui o meu modesto contributo. Em vez de andarmos a inventar, a minha sugestão é que apliquemos modelos de reconhecido sucesso. E já que é sempre para esse referencial que apontamos, eu sugiro que adoptemos o modelo Alemão, e por esta ordem:
Ano 0 - legislação laboral e toda a que for aplicável aos sindicatos, movimentos sindicais e afins (ah pois, que isto de marcar greves a custo zero é uma bela cagada que sai sempre do cabedal dos mesmos);
Ano 1 - legislação aplicável às empresas, confederações patronais e afins (exactamente isto);
Ano2 - (já com a produtividade em alta), aplicação do modelo fiscal Alemão (tributação sobre os rendimentos do trabalho, rendimentos das empresas, etc etc etc).
A todos os que estiverem a pensar "este gajo é maluco, são realidades diferentes, isto é impossível", bem... Então não mexam no que querem mexer.
Porque: eu só faço horas extraordinárias quando tem que ser, a grande maioria delas já "graciosamente", e como tal não tenho que trabalhar mais meia-hora por dia gratuitamente porque já o faço (tal como a grande maioria das pessoas que conheço); os sábados, domingos e feriados em que tenho que malhar com o cabedal no trabalho é porque tem mesmo que ser - e para tal prescindo do meu descanso e do tempo de qualidade que passo (poderia) passar com os meus; isso é muito importante, não tem preço, e não se troca por coisa nenhuma. Se a idéia é baixarem o preço das horas extra, tenho uma sugestão melhor: proíbam o trabalho extrardinário. Isso obriga as empresas a contratar mais pessoas, logo diminui o desemprego e as contribuições sociais - parece-me uma medida válida no actual contexto, não? E dado que estas empresas ficariam isentas da TSU durante um ano, não seria um ónus muito grande para elas.
A medida da minha produtividade é uma coisa assim a modos complicada. Imagine-se (por absurdo) que tenho uma cadeia hierárquica a modos que... incomum: algumas pessoas razoavelmente competentes entremeadas com outras que estão muito preocupadas com a troca do carro e o iPad novo que levam para as reuniões (para impressionar). Decisões contraditórias, puxa daqui, empurra dali, empastela... coisas atípicas em Portugal, certo? Bem, de que modo se vai quantificar a minha produtividade? Gostaria de um pouco de transparência.
Relativamente ao despedimento com critérios dúbios, só tenho uma solução para isso: um taco de baseball. Se algum dia for o caso, tenciono aplicá-la. Como alguém disse, a morte nivela os homens.
Por outro lado... pergunto-me se não estaremos próximos do 25 de Abril que não chegou a acontecer. Aquele em que a malta responsável é pendurada nos postes...
Tuesday, September 13, 2011
Para que é que serve a Liberdade?
Seixal. Terra tradicionalmente comunista, para o bem e para o mal, mais uma das que se assumem como parte integrante dos municípios de Abril, seja lá o que for que isso quer dizer. Plantado algures lá para o meio, um restaurantezinho catita de um homem sem papas na língua, que em dia de pouca freguesia decidiu dar-nos conversa ali mesmo à mesa. De onde vinha, o que tinha feito na vida, o que tinha vivido e o que tinha perdido, falou de tudo um pouco. Falou de política, do antes do Abril de que o Seixal vive e do depois do Abril em que o Seixal sobrevive. "Antes não se podia falar, não se podia criticar, não nos podíamos queixar e dizemos que é mau? Hoje falamos, criticamos e fazemos queixas, mas ninguém nos ouve! Para que é que serve a liberdade?"
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Monday, September 12, 2011
Sunday, September 11, 2011
Saturday, September 10, 2011
Alentejo profundo.
Na mesa ao lado um casal que seguramente tinha deixado a nave espacial estacionada em segunda fila, ambos para lá de qualquer descritivo simpático. Algures a meio da refeição (mas podia ser ao início porque a comida deixou de ter sabor, ou mesmo ao fim porque fiquei sem apetite) sai-se o hominídeo com um novo teorema de geometria afectiva: "eles vão ter que reavaliar um relacionamento, tem que ser um mais um igual a ambos em vez de ser igual a dois". O vinho devia estar a escorregar bem, porque ela concordou.
Na mesa do outro lado quatro retornados do Festival da Atalaia, ainda em estado gasoso. Um deles tinha lido "O Capital", mas não contou aos outros. Então ficou para ali a brilhar sozinho ante a admiração dos camaradas, seguramente menos dados a intelectualismos e a leituras complexas. Só lhe faltava a bola de cristal e uma data qualquer anterior a 2008 para conseguir o estrelato absoluto na categoria "Artes Divinatórias" barra "teorias da conspiração" do "eu bem te disse que ia ser assim, camarada, mas tu não me deste ouvidos". Dava para uma daquelas cantigas de intervenção.
Noutra ala, um grupo de professores. Em sessão comemorativa de sessão conspiratória, estiveram que tempos de volta da matemática afectiva da divisão da dolorosa. Um mais um igual a ambos, tal como tinha dito o Jetson na outra mesa (que entretanto já tinha saído).
Não me digam que fora de Lisboa não se passa nada. É preciso é estar no sítio certo.
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Coisas que valem a pena
Thursday, September 1, 2011
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