Thursday, December 1, 2011

untitled


untitled


Wednesday, November 30, 2011

Américo Amorim, o pobre (2ª via)

O jovem Cidadão referenciado em epígrafe é (?)... uma triste amostra da nossa realidade. Eu tolero-lhe que não saiba distinguir a diferença entre riqueza e pobreza, e não nego que seja um trabalhador empenhado, esforçado e dedicado. Se é bem pago (ou não) em função do que faz e da mais-valia que considera ser naquilo que faz, é um problema dele e de negociar um melhor ordenado com a entidade patronal. Já me custam a engolir os "despedimentos preventivos" que fez há uns meses, em nome da crise - um gajo que precisa de uma desculpa do tamanho da crise para fazer aquilo que quer (e que não pôde antes, ou não o deixaram ou teve receio de fazer) deixa-me profundamente desconfiado em relação a uma série de coisas. O que não aceito e não tolero (e não aceito que o Estado aceite, tolere ou deixe passar) é a tentativa disparatada de fuga ao fisco. Despesas de massagens? Pensos higiénicos? Viagens "de negócios"? Mas isto é o quê? O Cabaré da Coxa?
Aparentemente sim. 


No seguimento do post anterior, deixo aqui outra sugestão: o encerramento das prisões. É fundamentado: Todos os que lá estão dentro dizem-se inocentes, e aparentemente não se conseguem encontrar culpados entre os que andam cá fora.

Uma excelente idéia:

Ontem ouvi (gramei com) mais uma interminável discussão sobre o aumento de meia hora diária ao nosso querido horário de trabalho. Eis porque discordo frontalmente desta (pseudo) solução:
-Não havendo trabalho para fazer, bem que me podem obrigar a permanecer 24 horas por dia no local de trabalho que a única coisa que ganho são feridas nas virilhas de tanto coçar a micose;
-Esta aritmética de pré-primária está inquinada à nascença: efectivamente o custo unitário da hora de trabalho desce (na análise absolutamente restrita ao custo/hora do empregado e não do custo de produção), mas a primeira consequência (que advém do ponto anterior) é a imediata descida da produtividade. Isto é um absurdo e um contra-senso, porque de seguida teremos que baixar os ordenados ao nível da produtividade, e temos que descer ainda mais os custos unitários porque a produtividade portanto... e não tarda nada estamos a trabalhar 80 horas por semana.


Amiguinhos: arrepiar caminho. Quando se faz a mesma coisa da mesma maneira repetidamente, é normal que se obtenham os mesmos resultados. Esta solução é, no mínimo, cretina. Mas como isto de criticar (só criticar) e não apresentar alternativas não resulta em nada, apresento aqui umas quantas sugestões que contribuiriam em muito para melhorar a nossa economia:


-Taxar a níveis absurdamente elevados as chamadas "despesas de representação". Tipo a 100%. Não dedutíveis em sede de IRC e taxadas a 100% do seu valor. Tudo o que fosse em cartãozinho dourado (almoçaradas, jantaradas, a lingerie para a "outra", as despesas com elefantes brancos e afins, tudo taxado a 100%).
Vantagens desta medida: as empresas começariam a largar os pacotes de regalias absurdas que hoje dão a incompetentes. Aumenta a liquidez e o investimento. Diminui o desperdício.


-Taxar a níveis absurdamente elevados as viaturas de gamas médias-altas e altas propriedade das empresas e particulares. Tipo a 100%. Com o respectivo corte em sede de IRC. As empresas não precisam destas coisas, para trabalhar têm os veículos comerciais. Idem para gasóleos e gasolinas. Mas a doer. Em alternativa, as empresas poderiam deduzir na totalidade as comparticipações ao pagamento de passes sociais e transportes públicos aos seus funcionários (incluindo táxis).
Vantagens: idênticas às apresentadas anteriormente. Mais: a importação de carros de luxo cairia a pique. A importação de combustíveis teria uma pequena redução também. Aumentariam os utentes dos transportes públicos.


Outras medidas ridículas a necessitarem de revisão aprofundada:
-Pagamento de portagens à entrada das cidades: absurdo. Completamente absurdo. O que se deveria fazer era LIMITAR severamente o numero de lugares de estacionamento disponíveis dentro das cidades, e cobrar a doer os restantes. E o estado a ganhar 50% desse valor em impostos.

Friday, November 25, 2011

Mas é isto?

Fico mesmo na dúvida. Ontem dediquei-me a perder o meu precioso tempo a fazer zapping entre a Sic Notícias, a TVI 24, a RTPN e os generalistas, à cata de informação. Depois de ter passado o dia a cumprir os serviços mínimos a quem me paga o ordenado, claro, porque há coisas que não podem parar. E já lá vou ao resto, mas entretanto fico-me pelo que vi. E o que vi explica muito daquilo que é o nosso País. Talvez até explique o porquê de estarmos a ser governados pela tal de Troika.
Vi uma quantidade respeitável de gente, de pessoas respeitáveis, a discutir quase na exclusividade os números da greve. Faltou dizer os nomes de quem fez greve e de quem não fez. E sinceramente, se o objectivo era fazer uma guerrinha de números, não precisavam de fazer uma greve geral, bastava terem restringido a coisa aos transportes, o resultado teria sido quase o mesmo (adicionavam-se aos grevistas as pessoas que não conseguiriam de qualquer modo chegar ao local de trabalho e a greve era um estrondo). Não me parece que uma greve sirva para isto, é absolutamente redutor tratar o exercício de um direito de cidadania a este nível. E que os governos o façam, é normal, mas os sindicatos têm o dever de ir por outra via. Absolutamente decepcionante.
A manifestação e as perturbações em frente à AR foram absolutamente escusadas. Primeiro porque aos agentes da PSP não é permitido fazer greve, e sabe-se lá quantos dos que ali estavam teriam preferido fazer greve; segundo, porque são pessoas, trabalhadores e empregados (quase) como quaisquer outros (com menos direitos, inclusivé), e por usarem uma farda não têm que perder automáticamente o respeito dos manifestantes, bem pelo contrário; e terceiro, tal como já referi no post anterior, para quem entende mínimamente a dinâmica dos grupos, aquilo que se viu ontem foi obra de uma mão-cheia de arruaceiros, politizados ou não, que pretendiam a adesão popular a uma iniciativa absolutamente idiota - e eram uma mão-cheia apenas, e a não adesão dos restantes manifestantes foi tão evidente que foram rechaçados ainda antes da chegada do corpo de intervenção. Seja como for, a iniciativa foi lamentável, mas perfeitamente compreensível após ouvir o tempo de antena proporcionado a uns quantos dos envolvidos. 
E em relação às greves no geral, quer-me cá parecer que esta gente não percebe mesmo nada do que anda a fazer. Primeiro, porque promovem, aceitam, toleram (escolher o mais correcto) greves parciais quando calha: greves parciais na CP, greves parciais no Metro, plenários na Soflusa e na Transtejo sempre que calha. E depois, quando marcam uma greve geral, é para um dia!!! E claro, já andamos todos fartos da malta da CP e do Metro... Conseguimos estar todos no mesmo barco?
Amiguinhos, greves gerais de UM DIA são como um jogo de futebol: no fim gastam o tempo a fazer a estatística da greve, como se viu. Se quiserem ser sérios e fazer uma coisa a sério, façam o seguinte:
a) almofada financeira (é sempre a economia a falar, no fim de contas): empreguem os euritos que têm amealhados no mais elementar sentido de justiça, que é estarem preparados para suportar (ou ajudar a suportar) FINANCEIRAMENTE os dias de greve a quem a faz;
b) marcar uma greve geral, com garantias de paralisação total, para pelo menos três dias. Eu diria mesmo quatro. Mínimo. É a única maneira de garantir que a greve faz mossa. E uma greve que não faça mossa não passa de uma palhaçada.
c) tenham a certeza das razões pelas quais convocam a greve. Marcar uma greve porque sim, por causa de tudo o que mexa e mais um par de botas (que inclui a problemática das manchas solares) é absolutamente demagógico. De tanta abrangência acaba por não abranger coisa nenhuma. Um dos maiores problemas que temos é a Justiça, que é também um direito de cidadania e um dever exclusivo do Estado - alguém quer convocar uma greve de protesto contra o péssimo funcionamento da Justiça? Alguém quer convocar uma greve geral contra as PPP's e todos os esquemas de captura dos dinheiros dos contribuintes (que somos todos nós) por meia-dúzia de corporações e/ou indivíduos? Alguém quer convocar uma greve geral pelos 5.000.000.000 de Euros (mínimo) que o BPN custa aos nossos bolsos? É que assim de repente, só o BPN custa a cada Português 500 Euros! E a EDP e o Plano Nacional de Barragens, esse fiasco que vai custar uns 1700 a cada Português, e ao qual acresce o preço da Electricidade mais elevado da UE? E a Galp? queremos convocar uma greve geral contra a Galp, que tem a exclusividade da refinação para o mercado nacional? Porque neste momento temos dos combustíveis mais caros da UE, antes e depois de impostos!


Vamos continuar?
Podemos continuar?


E que tal em vez de uma greve geral, meter o Estado em Tribunal por ser tão lesto a taxar os rendimentos do trabalho e a não taxar outros rendimentos? Alguém quer marcar uma greve geral porque queremos ver efectivamente punidos os tipos que nos arrastaram para onde hoje estamos?


Não?
Então temos pena.



Thursday, November 24, 2011

O povo é sereno:

"A mocidade anda a ser enganada com as boîtes abertas vinte e quatro horas por dia" - comentário de um cidadão sénior à boca da escadaria do parlamento.
À jovem bloquista que queria a toda a força chegar ao cimo da escada e plantar a sua bandeira "seja porque for", sugiro que suba ao Bom Jesus: sem o corpo de intervenção, apenas o Corpo de Cristo lá em cima à espera dela. Neste caso concreto tenho que concordar com a PSP: o parlamento é a representação do povo, não quero que qualquer um entre no sítio que TAMBÉM me representa a MIM. E a malta queixa-se que há mais polícias do que manifestantes, mas amanhã garantirão a pés juntos que 100% dos Portugueses estiveram concentrados à porta da AR.
Mais: custa-me ver malta nascida nos idos de 80 a gritar "25 de Abril sempre". Fodasse, o ano tem 365 dias, e se não fosse o 25 de Novembro agora estariam todos a rezar por uma perestroika - mas creio que a maioria não saberá o que isso é...


Fora de brincadeira... as coisas ultrapassaram as marcas. E quem percebe alguma coisa da dinâmica de grupos sabe que foi uma tentativa de coisa nenhuma, tentada por um pequeno grupo que tentava plantar a bandeira "lá em cima". E não vale a pena o Torres Couto (esse gajo cheio de moral, impoluto e isento que andou a fazer uma travessia do deserto depois das merdas que andou a fazer com os dinheiros da Europa e que tem a relevância de uma varejeira, dado que acabou de ser interrompido pelo Carvalho da Silva) vir queixar-se na TVI24 que o que se passou hoje não é culpa dos sindicatos. Sinceramente, isto é culpa TAMBÉM dos sindicatos! A manifestação devia estar a ser feita contra os Juízes e os Advogados, os Jornalistas, os Bancos e os Investidores, os Mercados, os Sindicatos e os Patrões, os Governos e as Oposições - a culpa é de todos eles sem excepção - e nossa, que os deixámos fazer por nós aquilo que deveríamos ter sido nós a fazer.


Aparentemente, e segundo a jornalista da RTP1, a multidão passou o tempo a "arremassar" coisas à polícia. Eu, se fosse polícia e me "arremassassem" uma garrafa de cerveja vazia, passava-me da marmita. Atirar uma garrafa cheia de cerveja bem gelada é de homem, atirar uma garrafa vazia é atitude rasca de paneleiro rude e mal-educado; um gajo capaz disto também é capaz de cuspir no chão.

A minha greve

Isto não é um País, é um lugar (muito) mal frequentado.

Tuesday, November 22, 2011

Damnatio 
Memoriae

Monday, November 21, 2011

Fiquei cliente:

Metro, manhã cedo, hora de ponta. Uns quantos indivíduos a entregarem panfletos DENTRO da estação do Metro, antes das cancelas (aquelas merdas que parecem a porta do curro e por onde passa o gado). Nunca fui de aceitar papelada de ninguém, normalmente têm o remetente no Professor Fofana, Bidé ou outro que tal, grandes Mestres em coisas de que eu não percebo nada. Este devia vir da Comissão de trabalhadores do Metropolitano, da CGTP, UGT ou similar, I presume. Os acólitos do Professor Djambé ficam fora da estação, à intempérie, estes estavam dentro, têm seguramente uma cunha.  Seja como for, não estava para aí virado, farto de papelada ando eu e declinei com um "muito obrigado". O fulano ripostou: "Não quer saber a verdade?" E continuou  com a tirada genial "Já sabe tudo, é?" 
Decidi continuar paulatinamente na fila para passar na porta do curro. Não me vou pegar à discussão com um indigente mental daquele calibre que nem tinha por onde levar um par de estalos sem precisar de ser cosido pelo médico, ainda que essa fosse a minha mais genuína vontade. Até me oferecia para o coser, e a custo zero. É mais um daqueles casos em que as pessoas custam a perceber que não têm nada que ver com a vida dos outros. 
Eu pergunto-me se isto é o melhor que os sindicatos têm para mostrar. Mesmo. Porque eu já tenho à cabeça um problema com as greves em Portugal: os Sindicatos não pagam - nem são obrigados a pagar - os respectivos dias de trabalho aos seus sócios/sindicalizados. O ónus da greve é SEMPRE dos "trabalhadores", as vitórias pícaras são sempre disputadas entre sindicatos, governos e associações patronais (whatever). E o que se passa na realidade é que muitas pessoas acabam por tirar o dia como dia de férias (ou baixa, ou apoio à família, ou um artigo xpto, seja qual for o caso) porque não podem prescindir de um dia do seu ordenado. Na prática fizeram greve; formalmente estiveram de férias.

Thursday, November 17, 2011

Era uma vez, num olho do cú...

Uma hemorróida.


(A sério, de cada vez que me lembro da história dá-me vontade de rir, mas não posso, a sério que não posso... Quem sabe um dia).








(Post dedicado a pessoa amiga em situação de profundo sofrimento)

Para quem ainda não percebeu:

Bancos. Sistema Financeiro.
É isto que a Europa, os EUA, o Banco Mundial e o FMI querem salvar. Do quê? Da merda que esses mesmos bancos e esse mesmo sistema financeiro andaram a fazer durante todos estes anos. Mas com uma salvaguarda: sem perda de lucros, sem perda de autonomia, sem restrições operacionais aos "mercados" onde operam esses bancos e que são no fim de contas o sustento desse sistema financeiro. Esses mesmos mercados que se resguardam e salvaguardam os seus agentes no seguro de vida que são os dinheiros dos contribuintes quando a coisa corre mal, que socializam as perdas e privatizam o lucro como convém a um sistema "aberto". Porque afinal de contas parece que os bancos não podem falir - as empresas agrícolas podem falir, apesar de serem o garante da comida que pomos na mesa; as indústrias pesadas, que fabricam
Sejamos honestos: em 2010, mesmo com uma gestão equilibrada dos orçamentos, muito poucas famílias em Portugal conseguiam taxas de poupança na ordem dos 20%. No global, esse é o agravamento das condições que podem esperar para 2012 (comparativamente com 2010). Isto tem um nome: falência técnica.


A minha pergunta é, temos mesmo que ir por este caminho? 

Tuesday, November 15, 2011

It's the economy, stupid!


Vou falar de uma coisa da qual não percebo nada

O que me deixa bastante bem colocado, dado que a grande maioria dos tipos que têm vindo a terreiro botar faladura acabam por ser desmentidos pelo tempo (e pelo clima também). Talvez o parlapié de um fulano que não percebe nada do tema e que o assume frontalmente não seja pior do que as bacoradas dos pseudo-experts de pacotilha e horário nobre.
Assim de repente, um palavrão: CDS (credit default swaps). Básicamente são seguros contra incumprimento de operações de crédito. Ou seja, eu empresto dinheiro ao Jacinto Leite Capelo Rego e contrato um CDS contra esse empréstimo, não vá o Jacinto não me poder pagar. O que é interessante nos CDSs é que eu posso contratar um CDS contra uma operação de crédito na qual não estou envolvido. Pior, em abstracto o Jacinto pode pedir dinheiro emprestado e contratar um CDS contra esse empréstimo (se conhecer bem os meandros da coisa, claro)! Ou seja, de repente há uma série de gente com CDS contra operações nas quais não investiram um cêntimo, mas com todo o interesse em que corra mal. Isto é apenas uma das coisas muito mal explicadas no sistema financeiro actual, e que explica porque é que tanta gente está interessada em que tantas coisas corram mal - é que efectivamente alguém tem algo a ganhar com isso. Muito, diga-se. Não sei quem irá pagar esses CDSs (presumo que ninguém), mas como os balanços destas coisas são fictícios, é perfeitamente justo que a coisa corra mal.
Outra coisa menos de repente: porque raio é que o BCE não controla directamente e em exclusividade o mercado da dívida soberana (e das empresas públicas) dos Países da zona Euro? Ou seja, Portugal, a Grécia, a Itália, em vez de irem ao "mercado" vender dívida pública, ficariam obrigados a vendê-la exclusivamente ao BCE. A Europa teria assim um instrumento simples e eficaz de controlar o défice e a dívida soberana de todos os Países da Eurozona, que ficariam assim imunizados às flutuações de humor dos mercados.


Alguém que perceba do assunto me explique porque raio é que isto não pode funcionar assim.

Acerca das pessoas indispensáveis:

Os cemitérios estão cheios delas. Dessas pessoas indispensáveis, claro.

Tuesday, November 8, 2011

Pois claro que está moribundo

Mas ainda não morreu!

Tuesday, October 4, 2011

Já era para ter deixado há mais tempo

O link para um daqueles blogs de que não se perde um post. Para quem gosta de Moebius, o "quenched consciousness"

Friday, September 30, 2011

Da série "Ai"

Todos os posts que se seguem.

Perspectivas


(Foto enviada do meu Ai-ai-ai)

Há dias que nascem assim aqui














(Fotos enviadas do meu Ai-Coiso)

Pintelho

Renovação do mobiliário urbano na Av. da Liberdade


(Foto enviada do meu Ai Com um Caralho)

Cabo Espichel




Cenas de gajo


(Foto enviada do meu Ai-Fodasse)

Morfes, bubida e malta amiga


(Foto enviada do meu Ai Póde)


(Foto enviada do meu Ai Ai)


Monday, September 26, 2011

Friday, September 23, 2011

Contra

A pena de morte. Não consigo conceber a pena de morte num país civilizado - mais facilmente aceito que se entrege à fúria da turba um criminoso.

Thursday, September 22, 2011

A invenção da roda

O tempo não me tem sobrado para vir aqui, mas não posso deixar passar em branco mais uma pretensa alteração ao código laboral que é de tal monta que é desta que o País vai descolar.
Face ao que se anuncia, e no sentido de evitar a contestação à coisa, não queria deixar de partilhar aqui o meu modesto contributo. Em vez de andarmos a inventar, a minha sugestão é que apliquemos modelos de reconhecido sucesso. E já que é sempre para esse referencial que apontamos, eu sugiro que adoptemos o modelo Alemão, e por esta ordem:
Ano 0 - legislação laboral e toda a que for aplicável aos sindicatos, movimentos sindicais e afins (ah pois, que isto de marcar greves a custo zero é uma bela cagada que sai sempre do cabedal dos mesmos);
Ano 1 - legislação aplicável às empresas, confederações patronais e afins (exactamente isto);
Ano2 - (já com a produtividade em alta), aplicação do modelo fiscal Alemão (tributação sobre os rendimentos do trabalho, rendimentos das empresas, etc etc etc). 

A todos os que estiverem a pensar "este gajo é maluco, são realidades diferentes, isto é impossível", bem... Então não mexam no que querem mexer.
Porque: eu só faço horas extraordinárias quando tem que ser, a grande maioria delas já "graciosamente", e como tal não tenho que trabalhar mais meia-hora por dia gratuitamente porque já o faço (tal como a grande maioria das pessoas que conheço); os sábados, domingos e feriados em que tenho que malhar com o cabedal no trabalho é porque tem mesmo que ser - e para tal prescindo do meu descanso e do tempo de qualidade que passo (poderia) passar com os meus; isso é muito importante, não tem preço, e não se troca por coisa nenhuma. Se a idéia é baixarem o preço das horas extra, tenho uma sugestão melhor: proíbam o trabalho extrardinário. Isso obriga as empresas a contratar mais pessoas, logo diminui o desemprego e as contribuições sociais - parece-me uma medida válida no actual contexto, não? E dado que estas empresas ficariam isentas da TSU durante um ano, não seria um ónus muito grande para elas.

A medida da minha produtividade é uma coisa assim a modos complicada. Imagine-se (por absurdo) que tenho uma cadeia hierárquica a modos que... incomum: algumas pessoas razoavelmente competentes entremeadas com outras que estão muito preocupadas com a troca do carro e o iPad novo que levam para as reuniões (para impressionar). Decisões contraditórias, puxa daqui, empurra dali, empastela... coisas atípicas em Portugal, certo? Bem, de que modo se vai quantificar a minha produtividade? Gostaria de um pouco de transparência.

Relativamente ao despedimento com critérios dúbios, só tenho uma solução para isso: um taco de baseball. Se algum dia for o caso, tenciono aplicá-la. Como alguém disse, a morte nivela os homens. 

Por outro lado... pergunto-me se não estaremos próximos do 25 de Abril que não chegou a acontecer. Aquele em que a malta responsável é pendurada nos postes...

Tuesday, September 13, 2011

Para que é que serve a Liberdade?

Seixal. Terra tradicionalmente comunista, para o bem e para o mal, mais uma das que se assumem como parte integrante dos municípios de Abril, seja lá o que for que isso quer dizer. Plantado algures lá para o meio, um restaurantezinho catita de um homem sem papas na língua, que em dia de pouca freguesia decidiu dar-nos conversa ali mesmo à mesa. De onde vinha, o que tinha feito na vida, o que tinha vivido e o que tinha perdido, falou de tudo um pouco. Falou de política, do antes do Abril de que o Seixal  vive e do depois do Abril em que o Seixal sobrevive. "Antes não se podia falar, não se podia criticar, não nos podíamos queixar e dizemos que é mau? Hoje falamos, criticamos e fazemos queixas, mas ninguém nos ouve! Para que é que serve a liberdade?"
...

Monday, September 12, 2011













Sunday, September 11, 2011

Dez anos depois.


Saturday, September 10, 2011

Alentejo profundo.

Na mesa ao lado um casal que seguramente tinha deixado a nave espacial estacionada em segunda fila, ambos para lá de qualquer descritivo simpático. Algures a meio da refeição (mas podia ser ao início porque a comida deixou de ter sabor, ou mesmo ao fim porque fiquei sem apetite) sai-se o hominídeo com um novo teorema de geometria afectiva: "eles vão ter que reavaliar um relacionamento, tem que ser um mais um igual a ambos em vez de ser igual a dois". O vinho devia estar a escorregar bem, porque ela concordou. 
Na mesa do outro lado quatro retornados do Festival da Atalaia, ainda em estado gasoso. Um deles tinha lido "O Capital", mas não contou aos outros. Então ficou para ali a brilhar sozinho ante a admiração dos camaradas, seguramente menos dados a intelectualismos e a leituras complexas. Só lhe faltava a bola de cristal e uma data qualquer anterior a 2008 para conseguir o estrelato absoluto na categoria "Artes Divinatórias" barra "teorias da conspiração" do "eu bem te disse que ia ser assim, camarada, mas tu não me deste ouvidos". Dava para uma daquelas cantigas de intervenção.
Noutra ala, um grupo de professores. Em sessão comemorativa de sessão conspiratória, estiveram que tempos de volta da matemática afectiva da divisão da dolorosa. Um mais um igual a ambos, tal como tinha dito o Jetson na outra mesa (que entretanto já tinha saído).
Não me digam que fora de Lisboa não se passa nada. É preciso é estar no sítio certo.

Thursday, September 1, 2011

Friday, August 26, 2011

Américo Amorim, "o pobre".

Podemos colocar a questão de duas maneiras: a), efectivamente o homem trabalhou e trabalha para chegar onde está, e b) a história da filha de um ricaço a quem pediram para escrever um texto sobre uma família pobre, que começou assim: -"era uma vez uma família pobre. O pai era pobre, a mãe era pobre, os filhos eram pobres, o jardineiro era pobre, o motorista era pobre, a governanta era pobre, eram todos pobres".


O problema é que ambas estão certas. É uma questão de pontos de vista e de ligação à realidade.

Friday, August 19, 2011

Rigor Mortis



Para quem não gosta do género... a partir dos 7:30. Seguramente o melhor que os Rigor Mortis fizeram, e do melhor do género.

Friday, July 22, 2011

Há, contudo, um problema.

Apontar o dedo à Moody's ou a qualquer outra agência de rating é, sem que mais seja feito, tapar o sol com a peneira. O problema de fundo é a regulamentação do sector financeiro; substituir três avaliadores por quaisquer outros não vai à causa das coisas. Porque uma grande falha no actual modelo é exactamente o universo desregulamentado em que estas entidades se movem.

Friday, July 15, 2011

Grandes verdades intemporais


 




Recebido pela via do costume.

Thursday, July 14, 2011

É (também) isto:

Em Portugal existe cerca de um milhão de casas devolutas. Se cada uma das casas for valorizada a um preço médio de 100 mil euros, isso quer dizer que o país tem empatado em casas vazias a astronómica soma de 100 mil milhões de euros. "Comparado com o novo aeroporto, que custa três mil milhões, vemos os excessos que foram cometidos em matéria de construção nos anos 90".


daqui.

El archipiélago macaronésico

Para nuestros hermanos, Ilhas Selvagens para nosostros.


Vale a pena seguir o blog (http://ilhasselvagens.blogspot.com/).

Wednesday, July 13, 2011

...

«No dia em que é empossado, o novo secretário geral do PCUS tem um conversa com o anterior. Este diz-lhe que lhe deixou duas cartas na secretária, numeradas 1 e 2, para serem abertas apenas e só em situações de profunda crise. Chega a primeira crise e o novo SG abre a primeira carta, que diz "Atire todas as culpas para cima de mim". Assim o faz e tudo funciona às mil maravilhas. Chega a segunda crise e abre a segunda carta. Esta diz apenas "Sente-se e escreva duas cartas".»


daqui.

Tuesday, July 12, 2011

Reitingues.

Seguramente há uns quinhentos mil caramelos que percebem muito mais do assunto do que eu e que já se encarregaram de deixar as respectivas opiniões para a posteridade algures somewhere. Mandaria o bom-senso que mantivesse um silêncio prudente acerca do assunto... 
O que é que mudou desta vez? Porque raio é que há uns meses atrás, quando as avaliações da República caiam a grande maioria dos fazedores-de-opinião diziam que tínhamos que fazer pela nossa credibilidade e agora, esses mesmos fazedores-de-opinião dizem que foi um acto terrorista? 
Parece-me mais ou menos evidente. Há uns meses atrás tínhamos um governo (goste-se ou não) que tinha um capital de credibilidade escasso... Ok, nulo, pronto. Quatro PEC's sucessivos intervalados por poucos meses não deram exactamente o contributo correcto para a coisa, fora tudo o resto. Mas, no entretanto, mudámos de governo, e o novo governo deu indicações claras e precisas de um rumo que pretende seguir, rumo esse divergente do do anterior governo. Se é melhor ou não, não sabemos porque a economia e a futurologia têm uma coisa em comum: a exactidão na previsão de coisas que ainda não aconteceram.
Onde é que se inverte o ónus da prova? Aqui mesmo. No ponto de viragem política - que, diga-se o que se disser, é o catalisador das grandes mudanças sociais e económicas. E estando nós ainda na charneira, fazer futurologia com algo que ainda agora começámos a fazer - e a penar - só pode ser gozação. E ainda se torna mais gozação quando percebemos a "insuspeita" coincidência cronológica desta descida brutal da avaliação com a necessidade imperiosa que o País tem de vender alguns dos "anéis" já, para ontem, antes que nos levem os dedos. E reagimos por uma razão: porque quem não se sente não é filho de boa gente. 

Friday, July 8, 2011

Touch me



Come on, come on,
Come on, come on
Now, touch me, babe.
Can't you see that I am not afraid?
What was that promise that you made?
Why won't you tell me what she said?
What was that promise that you made?
Now, I'm gonna love you
'Til the heaven stops the rain.
I'm gonna love you
'Til the stars fall from the sky
For you and I.
Come on, come on,
Come on, come on
Now, touch me, babe.
Can't you see that I am not afraid?
What was that promise that you made?
Why won't you tell me what she said?
What was that promise that you made?
I'm gonna love you
'Til the heaven stops the rain.
I'm gonna love you
'Til the stars fall from the sky
For you and I.
I'm gonna love you
'Til the heaven stops the rain.
I'm gonna love you
'Til the stars fall from the sky
For you and I.

Quem não se sente...




Pois é. Estes meninos parecem aqueles taxistas que quando estão no segundo lugar a seguir ao semáforo, nem a Cristo perdoam: ainda o verde não caiu e já a buzina se faz ouvir. O problema é que não estamos num semáforo e a Moody's não é um simples taxista: somos um País que já por cá anda há uns séculos, e já passou por algumas que nem passam pela cabeça dos analistas da Moody's. E a Moody's ainda é apenas uma empresa de rating, apesar da miserável prestação que teve nos idos de 2007 e de 2008. Não esquecer, a Moody's mailas outras manas siamesas, as três bezerras que nasceram presas pelos cornos.
Eu, quando necessito de saber algo sobre alguma coisa ou alguém, investigo. Não deixo de levar em conta a opinião alheia - principalmente se fundamentada em factos comprováveis, mas investigo e tento ter uma opinião própria. Pode ser errada, mas é a minha. 

Thursday, July 7, 2011

MOODY's

TUDOLOGIA 
em estado puro.

Monday, July 4, 2011

Merda.

No meu calendário mental, hoje era pra ser Domingo.
Fui burlado.

Friday, July 1, 2011

Dúvida Cruel:

A contribuição especial a pagar em sede de IRS para o ajustamento orçamental também afecta os Portugueses residentes em Paris que estejam a cursar "estudos filosóficos"?
É que se não afecta, é injusta.

Wednesday, June 29, 2011

Amigo é assim:


Soma e segue:


Visto do combóio é assim como aparece na foto. É um (dos) poste (s) de muito alta tensão (150, 220 ou 400 mil volts) que se pode ver por ali. Aliás... todo o município do Seixal deve ter mais postes por m2 do que qualquer outro no País. Mas não é por isso que deixei aqui a foto. Na realidade, este poste - todos estes postes são autênticos mamarrachos, seguramente proezas da engenharia mas com o valor estético de uma bota da tropa que tenha pisado um cagalhoto. E como já havia poucos nesta zona, o que está a dar é "plantar" mais uns quantos. Mas o que é assombroso é quando um responsável da autarquia vem dizer que é uma obra necessária para o reforço da catenária da Fertagus. Pela Santa, a catenária é da Refer, não é da Fertagus, e fazer o reforço de uma catenária cujo comprimento total é inferior a 50 Kmts com uma linha de muito alta tensão seria no mínimo um brutal desperdício de recursos. Como é lógico, uma linha de muito alta tensão serve para a condução da electricidade em distâncias muito longas, não para reforçar uma catenária com 50 Kmts.
Viva a cretinice. Faz-me confusão é a iliteracia funcional que continua a papar estas merdas. O gajo que disse isto devia ser preso na hora...

Natureza



E pronto. Assim?

O Angélico Vieira morreu. Até hoje só lhe conhecia o nome próprio, antes do acidente nem isso, sabia que fez parte de uma banda com um nome castiço. Nada mais. Hoje sei que a TVI vai esmifrar a morte do jovem até ao último cêntimo que puder ganhar (dor alheia em directo e a côres, receita garantida em tempo de crise). Tal como aconteceu com um outro há alguns meses atrás. Um bocadinho de recato e de respeito pela dor da família não ia mal não senhor...
Mas não é preciso chegar ao ponto de dizer que o rapaz foi vítima de um acidente. Aparentemente era ele que ia ao volante... e como tal, tem responsabilidades no assunto. Não minimizem, não desvalorizem, não branqueiem: quem vai ao volante É responsável, ponto. Não façam disto um bom exemplo vítima do azar. Foi um mau exemplo, estava no sítio errado à hora errada e da forma errada. Não lhe cobrem mais do que isso.

Friday, June 24, 2011

O que a Direita não diz e a Esquerda tem medo de dizer:

Alterações à legislação laboral. Facilitar os despedimentos individuais. Eu pergunto-me, para quê? É possível despedir um trabalhador por incompetência? Sim. É possível despedir um trabalhador por não cumprir com as suas funções e obrigações? Sim. Então para quê as alterações??? Porque é difícli fazê-lo???


Cenário: um trabalhador/funcionário/colaborador numa empresa Portuguesa. Produtividade, baixa ou relativamente baixa. O mesmo trabalhador muda-se para uma outra empresa - por exemplo, uma Auto Europa, para desempenhar exactamente as mesmas funções. Produtividade? Das mais elevadas do mundo. 
Questão: o que é que mudou? 
Resposta: tudo na hierarquia acima desse trabalhador/funcionário/colaborador.
Ou seja, a baixa produtividade do cenário inicial é, acima de tudo, resultado da incompetência das estruturas hierárquicas e da organização das empresas Portuguesas, empresas essas que estão a abarrotar de incompetentes em cargos de chefia/gestão (de topo ou intermédias).
A minha pergunta é: consegue-se "demitir" uma pessoa de uma determinada função? Sim. Consegue-se retirar-lhe as regalias inerentes ao desempenho dessa função? Não. Porque de um modo ou de outro o sistema permite que sejam englobadas numa espécie de retribuição-base que não pode (aparentemente) ser "mexida".
Resultado: quando o "Sr. Director X não consegue "carburar" na área 1, muda-se o dito-cujo para a área 2, sendo substituído nas funções por uma outra alminha vinda da área 3 (onde também não "desenvolveu" como devia...
Ou seja, parece-me a mim que o fardo de inoperância da nossa estrutura produtiva passa acima de tudo por termos que manter os monos onde estão, porque pelo menos estão a desempenhar funções ao nível do custo que têm (funciona mais ou menos assim).


Eu diria que é muitíssimo mais realista facilitar a perda de regalias para os incompetentes do que a perda de emprego para todos os outros. Este é o grande problema dos "direitos adquiridos" - que afinal de contas não são direito nenhum, são um confisco do direito alheio.

Thursday, June 23, 2011

Untitled.

Eduardo Galeano. É muito difícil alguém conseguir dizer coisas tão importantes em tão pouco tempo. Vale a pena escutar com atenção.

O que é... é isto:

Um facto que muitos Portugueses desconhecem é que o Presidente da Assembleia da República é a segunda figura do Estado, sendo a primeira o Presidente da República. Deveríamos aferir por aqui a importância do Parlamento relativamente às outras instituições - importância essa que nem sempre tem, ou que quase nunca lhe damos - nós, todos, Cidadãos, independentemente do nosso "estado político". 
Relativamente à pretérita eleição para o cargo, à descontinuidade nas práticas tradicionais e às personalidades envolvidas, só há duas coisas a dizer: A primeira, não sei se Fernando Nobre era ou não indicado para o cargo (ninguem sabe, lá voltamos à história dos melões); A segunda, mais simples, linear e directa, é que Pedro Passos Coelho manteve a palavra dada. A valorização da palavra e da honorabilidade de quem a empenha é efectivamente uma novidade a salientar. E não vale a pena dissecar o acto com acusações seja de que tipo for: o que é relevante, e é a isso que nos devemos cingir, é que temos à frente do Governo uma pessoa que dá valor à palavra. 

Wednesday, June 22, 2011

Limiar

A partir de onde é que se deixa de ser um "independente" e se passa a ser "dependente"?
Esta é sempre a minha dúvida existencial quando se diz que alguém é "independente"... políticamente falando, claro. Porque seguramente haverá gente muito mais "independente" nas idéias, nas convicções e nos actos dentro das estruturas partidárias do que muitos dos que aparecem nascidos sabe-se lá onde sob a capa da "independencia". E qual a razão para esse súbito aparecimento? Por sugestão de quem? Com que interesse?


E o que me pergunto a seguir: a "independencia" política é um critério de escolha política para o desempenho de cargos políticos?

Outra perspectiva das coisas

Apesar de muitas vezes ter pensado o contrário - e inclusivamente disse-o e defendi-o perante (e contra a opinião de) terceiros, começo a perguntar-me se os Portugueses não terão um bom-senso intrínseco na sua relação com algumas facetas do dia-a-dia. Quando trocam um acto eleitoral por uma ida à praia ou às compras, quando trocam um noticiário pela quinquagésima-cagalhagésima novela da TVI, ou quando decidem apenas ignorar o mundo que lhes é encafuado à força em casa pela boca (e pela imagem) de certos "fazedores de opinião". E digo isto por duas razões: é que na realidade há um mundo "lá fora" à nossa espera, e a materialização da máxima "pensar global, agir local" começa mesmo dentro das nossas casas, com os nossos, com os que nos são próximos, com aqueles que escolhemos, e dilui-se pelos diversos graus de vizinhança, parentesco e pelas afinidades que descobrimos com as pessoas com quem nos vamos cruzando ao longo da vida. Efectivamente, há coisas muito importantes na vida. 


E o resto, não é importante? É claro que sim. Mas é-o apenas de acordo com aquilo que é. Ou seja, o acto de Governar um País é importante. É efectivamente importantíssimo, mas quando quem o faz não lhe dá o devido valor ou não sabe estar à altura da responsabilidade, aplica-se a máxima "quando os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito". E ignorar é apenas uma maneira sensata de o demonstrar, sendo que a partir daí há todo um conjunto de cambiantes de violência e agressividade possíveis. Os Portugueses demitem-se, ignorando. Afinal, olhos não vêem, coração não sente.


E apesar disso, é aceitável? Não, porque na realidade constitui uma demissão generalizada dos deveres de Cidadania - é uma coisa que muito poucas pessoas querem perceber, a Cidadania em si é um direito singular que acarreta todo um conjunto de deveres - e não o contrário. E sim, é necessário proceder a umas quantas mudanças.


E porque se proporciona, acerca do novo governo: não é possível falar do novo governo por uma questão de bom senso. No entanto o que poderia ser dito acerca do que já se disse do novo governo dava para escrever um tratado de arqueologia socio-política contemporânea. Porque apesar de não ser de todo possível tecer quaisquer considerações lógicas e legítimas, há uma legião de tudólogos incasáveis que não se inibem de fazer futurologia sobre o assunto. Mesmo depois de lançarem para o ar a célebre frase-descarto-me-já-se-não-for-assim que reza que "os governos são como os melões, só sabemos se são bons depois de os abrirmos". Maravilha.
Se calhar falávamos do governo cessante. E dos anteriores. E tentávamos perceber porque é que chegámos aqui. Já sabemos? E que tal falarmos de criar mecanismos de evitarmos cair na esparrela uma quarta vez? Pois, dá mais trabalho, exige um raciocínio um pouco mais exacto do que o "Eu acho que o novo ministro blá blá blá é um"... 
Porra pá, já chega. Usem o cérebro. TODO.


E uma outra questão que não me parece dispicienda, prende-se com a nossa periferia e com a nossa periferização. A nossa periferia está escarrapachada nos boletins meteorológicos dos noticiários que se transmitem por essa Europa fora: Dublin, Moscovo, Ankara, Paris, Atenas, Londres, Amsterdão (que nem é capital), Madrid, etc etc etc. Lisboa, nicles. Portugal não existe no mapa mental da Europa. E nós pagamos-lhes na mesma moeda: passamos o dia a repetir as mesmas notícias requentadas cá do burgo, o boletim de transito que começa na A2-Sul e acaba no IC19 - salvo acidente grave numa estrada secundária, que é qualquer uma das que estão a mais de 30 quilómetros do Marquês de Pombal, internacionalizamos no futebol e voltamos ao rectângulo para as curiosidades locais - feiras e piqueniques na Av. da Liberdade. Lá de fora, só os mínimos olímpicos, porque a malta não está interessada. É a chamada globalização informativa selectiva.