Tuesday, September 18, 2012

Da série "Quase todos os lugares são interessantes": Gijón.

Para ser sincero, com uma única excepção, Gijón não me surpreendeu. Pelo menos não tanto como Oviedo, e com a agravante de ter mar ali ao lado. Estava à espera de mais, se calhar esperava demasiado. Mas há uma excepção, e de monta. Para variar, começo com os tais candeeiros:



Parte da linha de defesa costeira do porto de Gijón.


Isto estava algures numa chaminé:







E agora é que interessa.
(A cidade é engraçada, tem partes engraçadas, mas houve ali qualquer coisa muito má, mais ou menos como a década de setenta em algumas das cidades Portuguesas... Não fiquei deslumbrado, mas isto deslumbrou-me, e isto valeu a pena a viagem): O cerro de Santa Catalina, um promontório com vista para o mar, algures ali a dar para o porto. E esta localização privilegiada foi escolhida em tempos idos para albergar uma linha de defesa costeira, e ainda se encontram aí os restos muitíssimo bem conservados de uma bateria de artilharia de costa...





E isto, sendo que isto é uma obra neo-coisa (não sei nem gosto de classificar arte, ainda que seja sob a forma de betão armado) que à primeira vista pode parecer estranha e como que caída ali vinda algures do espaço... mas não. Integra-se. Ou integrou-se, mas é como se sempre ali tivesse estado, mesmo antes do resto que ali fizeram.


Podia deixar aqui uma dezena de fotografias sem sequer conseguir transmitir de perto a sensação de estar ali, a sensação do que aquilo é na realidade. Aquilo é o elogio do horizonte, sempre ali esteve e sempre ali estará, e todos os que tiverem a sorte de ali estar, de ir ali, de ir ao centro, de estar lá dentro, conseguirão ouvir o horizonte. Porque é esse o elogio do horizonte: lá dentro ouve-se o horizonte. 







Da série "Quase todos os lugares são interessantes": Oviedo

Aqui se inicia a série "Quase todos os lugares são interessantes", com a magnífica cidade de Oviedo, algures na Península Ibérica. Mais um lugar onde seguramente o Malato já terá sido muito feliz... E nada melhor do que começar uma série de fotografias com algo que dá luz: Candeeiros.


Os hermanos são muito bons no que concerne a jardins:


Coretos... 




Os candeeiros estão mesmo por todo o lado. Fazem parte do cenário.





"O viajante", se não estou em erro.



E, a avaliar pela legenda, um "Culis Monumentalibus".
"As gordas fazem muitos estragos. Eu sei disso porque tenho uma prima que tem um cú enorme e estava sempre a partir cadeiras. O meu tio não ganhava para a mobília, até lhe ergueram um busto em Paços de Ferreira, ele largou lá umas centenas de contos" - Ricardo Araújo Pereira, hoje algures no meu rádio. A arte não tem que ser sempre séria...


E porque Santiago de Compostela fica seguramente num dos caminhos que estamos a pisar, não conseguimos evitá-las. Estão por todo o lado:


O senhor Calatrava também por aqui andou. Não fazia a menor idéia, mas assim que dei de caras com o bicharoco desconfiei que era dele, e não me enganei.




Estas curvas são tão similares às que encontramos na Gare do Oriente que não restam dúvidas: é um Calatrava.








Sou capaz de ter falhado uns quantos pontos de interesse, mas isso não interessa agora... Podemos-nos perder. Podemos andar, podemos conhecer a andar. Passeios largos, que convidam a andar, a zona velha quase toda pedonal e bastante bem conservada, uma boa surpresa. E curiosamente, algumas pessoas de bicicleta.




Tuesday, July 24, 2012

Coisas que não têm nada a ver umas com as outras, como o farmacêutico de Ampurdan em busca de absolutamente nada.






Tall Ships

Um pequeno apontamento visual que não faz justiça à imponência destas máquinas movidas a vento. Foi o que pôde ser com a lente de um telemóvel... E não quero deixar de realçar uns quantos detalhes: Estas máquinas são imponentes. Não são esmagadoras porque são graciosas; são imponentes. Têm uma espécie de vida própria, como se tivessem alma, como se esperassem pelo momento de zarpar. Todos os elementos se fundem numa única entidade, todos com uma função própria e solidária. Não há acasos. São identidades alegres, engalanadas, que convivem com os elementos e gostam de ser observadas. Sem falsas modéstias, como se soubessem perfeitamente quem são, de onde vêem e para onde querem ir a seguir.
Os anglo-saxónicos prestam-lhes um tributo muito especial: quando se lhes referem, o artigo vem sempre no feminino.

















Relvas:

Já que é um tema da actualidade...










Tuesday, June 26, 2012

"Externalização":

Surgiu-me a questão de uma conversa agorinha mesmo, com o Axle: Eu, empresa, tenho uma necessidade não pontual, para uma função que tem que ser desempenhada em continuidade, que exige conhecimento técnico e conhecimento da realidade da empresa. E tenho duas hipóteses: ou contrato directamente ou subcontrato o serviço a uma outra empresa. Se assumirmos que o faço, esta empresa terá ido ao mercado (ao mesmo a que eu teria ido) fazer a contratação, por um valor semelhante e com um pacote de regalias idêntico. Também faz descontos para a SS e também terá que pagar as férias a essa pessoa - e caso eu assim o exija, terá que pagar a alguém para cobrir também esse período de 22 dias úteis. Como é óbvio, cobrar-me á a mim todos os custos "brutos" mais o risco de cessação de contrato mais o lucro que, óbviamente, é o móbil de qualquer empresa.
A minha questão é, o que é que eu ganho com esta solução? Qual é que é o valor acrescentado da subcontratação?

Externalização é mais um daqueles palavrões (como "sinergias", há uns anos), que andam na boca de toda a gente - principalmente de pessoas que não lavam os dentes...

Wednesday, May 23, 2012

Com um...

Há dias assim a modos que um bocado para o fornicados... a puxar ao fecundado. Não, não é uma questão de "ah, sinto-me incompreendido", não tem nada a ver com essas merdas. Hidden agenda, parece-me que é como se diz em Inglês do sul, a dar para o canal. É sentir que (quase) toda a gente anda com uma segunda intenção. Ninguém é o que mostra ser, ninguém diz o que quer dizer, ninguém se compromete a uma decisão. Deve ser uma merda difícil pá, as pessoas são pagas para isso. E claro, um dia destes dou o berro, porque gosto muito de saber com o que posso (ou não) contar. E se calhar alguém descobre alguma coisa de que não está à espera...

Thursday, May 17, 2012

LaDonna Adrian Gaines

Vulgo "Donna Summer". Abandonou-nos hoje. 
Mas deixou-nos sons inesquecíveis. 



Friday, May 4, 2012

The Nameless City:

That is not dead wich can eternal lie
And with strange aeons even death may die

Thursday, March 29, 2012




LISBOA 2012.03.27


CARTA ABERTA AO VEREADOR DOS PELOUROS MOBILIDADE E INFRAESTRUTURAS VIÁRIAS DA CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA 
Fernando Nunes da Silva




Exmºs Senhores, 


NOTA PRÉVIA;


Vejo-me forçado a escrever esta carta, após de ter tentado participar por duas vezes nas Reuniões Públicas da C. M. de Lisboa e qual não foi o meu espanto ao verificar que para tal a C. M. de Lisboa exige marcação presencial na 5º feira anterior a cada Reunião Pública;


Por motivos de agenda profissional, nos últimos dois meses não pude estar em Lisboa nas quintas-feiras anteriores às Reuniões Públicas da C. M. de Lisboa e segundo me informaram nos Paços do Concelho, a inscrição para participação na Reunião Pública da C. M. de Lisboa não pode ser efectuada por e-mail, telefonema, fax, numa outra quinta-feira, terça ou sexta. Terá obrigatoriamente de ser efectuada aos balcões dos Paços do Concelho, exactamente na última 5ª feira antes da Reunião Pública. A ser exacta esta informação prestada aos balcões dos Paços do Concelho, este tipo de formalismos burocráticos no séc. XXI revelam um inusitado arcaísmo e um total desajustamento dos processos da C. M. de Lisboa com realidade e ao mesmo tempo que dificultam a participação cívica. 


SOBRE OS MOTIVOS QUE ME LEVAM A ESCREVER ESTA CARTA; 
Tendo sérias dúvidas de diversa ordem sobre a decisão da C. M. de Lisboa em interditar a circulação em determinada zona da cidade aos veículos anteriores a 1992 e a partir do próximo dia 1 de Abril ampliar essa zona e incluir na proibição os veículos anteriores a 1996, sobre o pretexto de que são mais poluentes. Uma vez que nas notícias vindas a público só li generalidades que não coincidem com os dados que tenho na minha posse, venho solicitar esclarecimento das seguintes questões ao Vereador responsável pelo Pelouro da Mobilidade e Infra-estruturas;


1- PERGUNTAS SOBRE OBJECTIVOS E IMPACTOS
1.1 Se efectivamente a C. M. de Lisboa pretende interditar a circulação dos veículos mais poluentes em certas zonas da cidade porque é que os veículos que efectivamente mais poluem continuam a poder circular sem limitações conforme o exposto no documento em anexo?
1.2 Os veículos mais poluentes assinalados no documento em anexo não só emitem mais partículas nocivas para o ambiente como pelo peso e potência superiores, provocam mais desgaste nas infra-estruturas. Este factor foi tido em conta na elaboração desta norma? Se sim quais as conclusões?
1.3 Os veículos menos poluentes assinalados no documento em anexo não só emitem menos partículas nocivas para o ambiente como habitualmente são utilizados pelos sectores da população com menos recursos. O impacto estas medidas na economia e mobilidade nesses sectores da população foi tido em conta na elaboração desta norma pela C. M. de Lisboa? Se sim quais as conclusões?
1.4 Segundo diversos estudos a pegada ecológica global decorrente da produção de um veículo automóvel médio equivale em média a 150.000km percorridos pelo mesmo veículo, o que corresponde a percorrer 15.000km anuais durante 10 anos. Foi feita uma projecção do impacto negativo na pegada ecológica global da cidade de Lisboa, decorrente do facto os proprietários dos veículos anteriores a 1996 que circulam em Lisboa virem a comprar veículos novos? Foi comparado esse impacto com pegada ecológica global da cidade de Lisboa se esses proprietários continuarem a utilizar os veículos anteriores a 1996 durante os próximos 10 anos? Se sim quais as conclusões? 
1.5 Quais os objectivos em termos de redução efectiva de poluição que a C. M. de Lisboa se propôs atingir com a primeira fase desta medida? 
1.6 Quais os resultados reais obtidos após 6 meses de aplicação da lei depois de serem descontados os efeitos na variação do trafego, decorrentes da actual crise, do aumento dos preços dos combustíveis e das taxas de estacionamento? 
1.7 Antes de avançar com ampliação da zona de exclusão para os veículos anteriores a 1996 em que medida foi tida em conta a análise dos resultados obtidos com a execução da medida anterior?
1.8 Quais os objectivos em termos de redução efectiva de poluição que a C. M. de Lisboa se propões atingir com a segunda fase desta medida?
1.9 Uma vez que conforme demonstrei através do documento em anexo esta norma não impede a circulação nas zona determinadas pela C. M. de Lisboa dos veículos mais poluentes e que exercem mais pressão e desgaste sobre as infraestruras, ao mesmo tempo que dificulta a mobilidade das camadas mais desfavorecidas da população, se ao fim de um ano nenhum dos objectivos em termos de diminuição dos valores da poluição tiverem sido atingidos a C. M. de Lisboa admite rever esta norma que só prejudica os proprietários de veículos com menos recursos e permite os veículos mais poluentes e que provocam mais desgaste nas infraestrutura continuarem a circular?


2 PERGUNTAS SOBRE ELEMENTOS ANTERIORES À NORMA DA C. M. DE LISBOA 
2.1 Com base em que dados foi estabelecida esta lei, quem polui mais em Lisboa? Veículos particulares? Transportes públicos? Navios? Outros? (especificar)
2.2 Quantos veículos anteriores a 1992 circulavam em Lisboa à data da implementação da lei?
2.3 Quantos km faziam anualmente os veículos anteriores a 1992 circulavam em Lisboa à data da implementação da lei?
2.4 Qual a contribuição dos veículos anteriores a 1992 em termos percentuais, no conjunto da poluição global em Lisboa?


3 PERGUNTAS SOBRE ELEMENTOS ANTERIORES À AMPLIAÇÃO DA ZONA DE PROIBIÇÃO PELA NORMA DA C. M. DE LISBOA
3.1 Quantos veículos anteriores a 1996 circulam em Lisboa actualmente.
3.2 Quantos km fazem anualmente os veículos anteriores a 1996 que circulam em Lisboa actualmente? 
3.3 Qual a contribuição actual dos veículos anteriores a 1996 em termos percentuais, no conjunto da poluição global em Lisboa?


4 PERGUNTAS SOBRE SUPORTE LEGAL E FICALIZAÇÃO
4.1Qual o suporte constitucional e legal e que permite descriminar quem conduz um veículo pelo ano/modelo ou norma Euro 1, quando esses mesmos cidadãos podem circular com o mesmo veículo em todas as outras cidades de Portugal e em todas as estradas da União Europeia?
4.2 Qual o suporte legal que permite à Policia Municipal fiscalizar e eventualmente autuar um condutor na posse dos documentos exigidos pela lei geral (cartão do cidadão, carta de condução, livrete, titulo de registo, comprovativo do seguro, da inspecção e do imposto de circulação) que não apresente certificado de interesse histórico ou comprovativo da instalação de catalisador.
4.3 Havendo veículo anteriores a 1992 com catalisador e a cumprir a norma Euro 1 e anteriores a 1996 que cumprem a norma Euro 2 quais a competências da Policia Municipal para fiscalizar estes aspectos técnicos?
Fico aguardar o esclarecimento rigoroso das questões que contam da presente carta. 










Nuno Manuel Granja da Silva


Avenida Almirante Reis
LISBOA




P.S. Considero o conteúdo desta carta de interesse público e por esse motivo divulgarei o mesmo junto dos meios de comunicação e redes sociais




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E pronto, é isto. E isto é muito do que tem que ser questionado, porque o espaço público é de todos, e é pago por todos. Não pode estar refém de legislação ad hoc nem de decisões de circunstância.















Monday, March 19, 2012

Na onda:


Já que toda a gente escreve sobre o assunto... O meu Pai continua a ser o melhor Pai do mundo. E é mais forte do que o teu, e já foi à lua e ao fundo do mar. E contou-me como foi, e fui lá com ele. E se não acreditas, pergunta-lhe.

Tuesday, March 13, 2012

O Presidente de todos os Portugueses:

Tenho que deixar aqui uma declaração sumária: não gosto de chicos-espertos do calibre do José Sócrates. Não gosto de indigentes mentais presporrentes e prepotentes incapazes de verem um erro ainda que o mesmo esteja escarrapachado à frente da retina e com a assinatura do próprio. Ponto. Execrável é pouco para qualificar a criatura. Espero ter escrito isto de um modo claro, correcto e conciso - ainda que a cagar para o acordo ortográfico.
O que me move a escrever este post - e espero que alguém que perceba mais do assunto do que eu (e que saiba ler, claro) passe por aqui e dê uma vista de olhos na coisa com resultados práticos - é o seguinte:


O Shrek de Belém vem a público dizer que houve falta de lealdade institucional, coisa grave e nunca vista nos últimos trinta anos de democracia, culpa do engenheiro das berças. Acossado pelos Orcs do largo do rato, sentiu-se obrigado a esclarecer a plebe: não só o rústico havia sido desleal, como teria também VIOLADO o artigo ducentésimo primeiro da Constituição da República Portuguesa (aquela que vale o que vale conforme o interesse da ocasião - porque, tal como está escrito no último parágrafo do preâmbulo, "A Assembleia Constituinte, reunida na sessão plenária de 2 de Abril de 1976, aprova e decreta a seguinte Constituição da República Portuguesa" - qual plebiscito ou referendo, isso é coisa para os Espanhóis:). Diz a alínea c) do referido artigo (referente às "Competências dos membros do Governo" que "1. Compete ao Primeiro-Ministro: c) Informar o Presidente da República acerca dos assuntos respeitantes à condução da política interna e externa do País").
Vamos aqui ser honestos: o rústico é um ser desprezível, mas o shrek não se satisfaz com o número dois da lista. O palhacinho foi desleal? Claro que sim. Já foi dito à saciedade por quem vive de opinar sobre estas merdas. Mas o shrek ficou-se... Perante tamanha deslealdade, o shrek acobardo-se e não fez o que lhe competia: correr com o palhacinho. Por muito menos do que isto, o Presidente Cenourinha correu com o Santana. Remember? Mas não, este considera que não se justificava dado que não pôs em causa o regular funcionamento das instituições.


A ser assim, devia ter ficado caladinho, porque se bem me recordo, jurou por duas vezes "cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa".


Eu punha os dois no chilindró. A pão e água e a partir pedra. Garantidamente que a "troika" passava a olhar para nós com mais respeito.